12.12.14

Uma grande matéria que enobrece o jornal

Do Valor

 50

Diretoria da Petrobras foi alertada de desvios

Por Juliano Basile | De Brasília
Divulgação
Venina em email para Graça: "Até arma na cabeça e ameaça às minhas filhas tive"
Defendida pela presidente Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país.
As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal obtidos pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.
As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal.
Para Graça foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o "pool" de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência.
Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.
As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato.
As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços - chamados de ZPQES no jargão da estatal - atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria "derrubar todo mundo". Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.
Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio. O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.
Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.
Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais a Petrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências.
Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. "Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima", disse a gerente.
Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas.
Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada "single point responsibility" nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema.
As obras de terraplenagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia da Petrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail obtido pelo Valor PRO mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima.
O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização.
Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: "Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha". "Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência".
Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. "Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo", completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.
Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.
Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado. Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com "fortes evidências" de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias.
Esses problemas da Petrobras no exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões, em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares.
Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito.
Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro.
Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive." A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta.
"Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão", continuou.
Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. "Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida", disse, referindo-se a Costa.
"Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (...). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir." A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça.
Valor PRO perguntou à Petrobras quais providências foram tomadas com relação às denúncias, mas a estatal não respondeu até o fechamento dessa edição.


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10.12.14

A Justiça Invisível

Artigo de Siro Darlan publicado hoje no Rio de Janeiro

Siro Darlan: A Justiça invisível
Para cada juiz que se envolve em desvios de conduta existem mais de cem que cumprem seus deveres funcionais
O DIA
Rio - A mídia tem destacado casos de juízes que supostamente não atuaram em conformidade com as regras de conduta republicanas. Num dos episódios, embora as provas levadas aos autos sejam diversas das noticiadas e os julgamentos tenham sido favoráveis ao magistrado, interessa que ele seja colocado no ‘pelourinho midiático’ porque teve a ousadia de desafiar e vencer o monopólio da comunicação social. Isso é o bastante para que o magistrado seja colocado no pelotão de fuzilamento. Todo e qualquer julgamento que tenha sido submetido é taxado de corporativismo, mas a condenação prévia e sem o devido processo legal de dois jovens ativistas que tiveram a infelicidade de tirar a vida de um desprotegido cinegrafista não é corporativismo.
Para cada juiz que se envolve em desvios de conduta existem mais de cem que cumprem seus deveres funcionais e não merecem nenhuma linha de reconhecimento dessa mídia comprometida com a desmoralização da única instituição republicana que ainda garante os direitos dos desvalidos. No Brasil há 100 milhões de processos sendo decididos diariamente por abnegados magistrados que se encarregam de equilibrar uma das mais injustas balanças sociais do planeta, mas o que vira notícia é a busca de um salário justo e o reconhecimento da função.
Os juízes dos juizados especiais cíveis do Rio decidem mensalmente mais de 50 mil demandas gratuitamente, rapidamente e de forma descomplicada em favor do menos favorecido, combatendo a avareza de empresários que sustentam com sua publicidade a mídia — e compram o seu silêncio.
Enquanto isso, exploram o trabalhador, vendendo produtos que não possuem e serviços que não prestam e superfaturando preços com usura real.
Um sem-número de serviços da Justiça está à disposição da população gratuitamente, bastando acessar www.tjrj.jus.br. Não se nega que, como seres humanos, nós, magistrados, temos problemas e defeitos como qualquer pessoa. Mas não é justo que a mídia se comprometa com interesses contrários à população, como aquele que sustenta a publicidade para manter os corruptos no poder, ou que troca verbas de publicidade pela omissão na necessária denúncia das empresas e serviços que mais demandam o Judiciário — que não tem como se dedicar às causas verdadeiramente relevantes, como a falta de políticas públicas e o desrespeito aos direitos da pessoa humana.
Siro Darlan é desembargador do TJ e coordenador da Associação Juízes para a Democracia

Durante a campanha Dilma negava qualquer "tarifaço"

Mas ele viria...
Da Folha

Novo rombo vai para conta de luz em janeiro

Parte do buraco de R$ 3 bi será coberta por meio do aumento da tarifa do consumidor no início do ano que vem
Governo vai usar o novo mecanismo da bandeira tarifária para antecipar o repasse do deficit do último bimestre de 2014
JÚLIA BORBADE BRASÍLIA
A solução que está sendo costurada pelo governo para cobrir o novo buraco bilionário do setor elétrico, estimado em R$ 3 bilhões, inclui um aumento de tarifas para o consumidor no curto prazo.
A ideia, segundo o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Romeu Rufino, é fazer uso do dinheiro extra que será recolhido dos consumidores por meio de uma nova ferramenta, a bandeira tarifária, para cobrir parcialmente gastos das distribuidoras em aberto.
Na prática, o governo usará uma receita que seria direcionada a novas despesas para cobrir uma dívida antiga.
A pendência equivale ao gasto das distribuidoras com a compra extra de energia em novembro e neste mês. A operação foi necessária para manter o atendimento dos consumidores, já que os contratos atuais não seriam suficientes.
Em outras palavras, se essas elétricas não recorressem ao mercado de curto prazo e comprassem eletricidade mais cara, seus consumidores deixariam de ser atendidos.
O preço da energia no curto prazo está alto em razão da seca, que afetou o abastecimento das hidrelétricas, forçando um uso mais intensivo das usinas termelétricas, que são mais caras.
A dívida das distribuidoras terá de ser quitada em janeiro e fevereiro. A data coincide com o início da vigência das bandeiras tarifárias, criadas para que o preço ao consumidor possa ser acrescido mensalmente de acordo com os custos correntes para atendimento da população.
Assim, a cada mês em que as térmicas estiverem sendo usadas em larga escala, o consumidor verá uma indicação de bandeira vermelha ou amarela na fatura --que determinará o reajuste.
Segundo a Aneel, nos meses em que essas bandeiras estiverem vermelhas em todo país, a arrecadação das distribuidoras será R$ 800 milhões superior --o que daria R$ 1,6 bilhão no primeiro bimestre.
Caberia então ao governo encontrar uma solução para equacionar o restante da dívida, de R$ 1,4 bilhão.
A questão é que, adotando essa saída, as despesas adicionais com as térmicas de janeiro e fevereiro não serão abatidas pelos recolhimentos adicionais mensais, como planejado inicialmente. O aumento do custo nos primeiros meses teria de ser repassado à frente, na época do reajuste tarifário, como feito hoje.
As tarifas devem ter o impacto, ainda, de empréstimo de R$ 17,8 bilhões tomado pelas distribuidoras para fechar suas contas (com previsão de repasse em 2015 e 2016) e de pagamento de quase R$ 10 bilhões coberto pelo Tesouro e que deveria ir para a conta em cinco anos a partir de 2014.

Visitas íntimas

Do Conjur.  Isso me lembra um caso que tive como delegado de polícia.

PROTEÇÃO LEGAL

Preso não tem direito a visita íntima com menor de idade


Os apenados têm o direito de receber a visita de cônjuges ou companheiros, como garante o inciso X, artigo 41, da Lei de Execuções Penais. No entanto, como este direito não é absoluto nem ilimitado, pode sofrer restrições quando há confronto com outros valores e bens jurídicos de semelhante ou maior importância.
Com este entendimento, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul negou recurso de um preso que queria autorização para receber a visita íntima de sua companheira de 14 anos de idade.
No Agravo movido contra a decisão do juízo de execução penal, que indeferiu o pedido, o apenado alegou a inexistência de qualquer vedação legal em virtude da idade da companheira. Os pais da menor, assegurou na petição, teriam autorizado a visita íntima.
O relator do recurso, desembargador Dálvio Leite Dias Teixeira, lembrou que a Constituição, em seu artigo 227, assegura à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à dignidade e ao respeito, colocando-os a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Além disso, apontou, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) confere a ambos proteção integral específica, garantindo-lhes a adoção de instrumentos necessários para assegurar seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
"É preciso especial cuidado acerca da conveniência dessa visitação conquanto a menor, respaldada por seus pais, manifeste interesse de ver seu namorado, pois a preservação da adolescente, nesse caso, deve prevalecer. O reeducando, plurirreincidente, encontra-se recolhido em penitenciária cujas condições são incompatíveis com bem-estar da menor. Por outro lado, a negativa do pedido, que se limita satisfação isolada dos desejos do encarcerado, não implica ofensa a qualquer bem jurídico relevante da adolescente", escreveu no acórdão.
Clique aqui para ler o acórdão.

9.12.14

O cuidado na hora de decidir

Quando um juiz decide um processo, todo mundo sabe que ele está decidindo um caso específico. Ele não está pretendendo criar um precedente que outros seguirão. Ele não está criando uma norma.

A maioria das decisões dos tribunais também é assim. Outro dia um site jurídico, quiçá o mais antigo do mercado, pegou UMA  decisão isolada, distorceu e disse que isso mudava a jurisprudência naquela matéria. Como é a única matéria sobre a qual posso falar sem consultar códigos, fui pesquisar e vi que não era isso. Entrei em contato com o jornalista e ainda frisei que aquela decisão específica estava longe de significar uma mudança de rumo jurisprudencial.

Agora temos  o STF decidindo sobre um pedido de indenização por danos morais para um preso.O problema é que o STF está decidindo, mais que certamente, o caso concreto. O Brasil inteiro, por outro lado, está vendo isso como criação de precedente, de NORMA. Esse é o perigo. Se o STF acolher o pedido de indenização,  TODOS  os presos do país entrarão com pedidos iguais, afogando o Judiciário e levando, muito brevemente, à necessidade de uma súmula específica a respeito disso.


8.12.14

Mais um caso

Do site Não Entendo Direito. Mais abaixo, acrescento a versão do juiz, obtida neste site
http://www.blogdakellyitz.com.br/2014/12/juiz-marcelo-baldochi-da-versao-dos.html?m=1
O colega diz que é faculdade de qualquer pessoa chamar a polícia. Sem dúvida, é. Agora eu quero ver se reagem com prontidão se você não diz que é juiz de Direito, ainda mais por uma infração que é mais cível que criminal.

JUIZ DE DIREITO PERDE O VÔO E DÁ ORDEM DE PRISÃO AO ATENDENTE DA COMPANHIA AÉREA


O juiz Marcelo Baldochi, titular da 4ª Vara Cível de Imperatriz, deu voz de prisão, ontem (6), a dois atendentes da TAM, após perder um voo da companhia.
Baldochi chegou ao aeroporto Renato Moreira, em Imperatriz, após o encerramento docheck-in. Mas queria embarcar.
Como foi impedido pelos funcionários, deu voz de prisão a ambos e acionou a Polícia Militar, que levou todos a uma delegacia na cidade.
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Sensibilizados, alguns colegas de trabalho acompanharam os dois atendentes “presos” até a delegacia.
O magistrado, no entanto, acabou não comparecendo para registrar a ocorrência e todos foram liberados.

Juiz Marcelo Baldochi dá versão dos fatos ocorrido em Imperatriz no caso TAM



Na contramão do turbilhão de notícias veiculadas pelas novas mídias digitais principalmente, (WhatsApp, Blogs e Facebook) nas últimas 36hrs, o magistrado Marcelo Testa Baldochi dá a sua versão dos fatos acerca dos fatos no tocante a condução de funcionários da TAM. Aproveitando deste incidente, muitos se valeram de noticias anteriores, algumas já sanadas na esfera do judiciário, outras ainda em análise e pra efeito de condução, seria mais que um grande equívoco midiático quanto a sua utilização neste momento específico do caso TAM.

Guardadas as devidas proporções, segue abaixo a luz do que pensa o Magistrado, Baldochi o outro lado da história:

“Muitos se contentam com as aparências, permitindo que a fantasmagoria prevaleça sobre a razão. Mas a razão não admite equívocos!

O vôo marcado para as 21.02 horas admitia o embarque, segundo as normas de aviação civil e do que consta do próprio bilhete, 15 minutos antes da partida.

Todavia, mesmo com o chek-in em mãos, as 20hr32min os passageiros Marcelo Baldochi e Camila Costa foram impedidos de embarcar sob a alegação de que deveriam estar no local às 20 horas.

Feito isso o agente da TAM não prestou qualquer informação e disse que não era problema dele, isolando-se numa saleta da companhia. Apesar de se insistir para que através do rádio tentasse o embarque disse que não o faria.

Os passageiros as 20hr42min horas registraram a ocorrência na INFRAERO/ANAC, contra a companhia e seu agente que não prestou informação alguma das razões e o que faria com os passageiros.

A empresa, através de seus agentes, tem a obrigação de informar e de atender as demandas, adequadamente e do modo que se obrigou a prestar os serviços (Código de Defesa do Consumidor e L 1521/51).


Ao ofender isso o agente incorreu em ilícito civil e criminal, e toda e qualquer pessoa pode dar voz de prisão, chamar a polícia. Está na lei e ali se fazia presente um consumidor que exigia seus direitos. Essa é a democracia. Sem rótulos.

E na verdade, até quem não frequenta aeroportos sabe o quanto as empresas aéreas abusam, deixam de honrar com seus deveres. As reclamações são constantes e agora se quer inverter os fatos. O peso econômico da TAM deve valer para se expor uma situação a tal ordem.

Diante do equívoco a TAM (por sua conta e sem ônus) promoveu o embarque dos passageiros para São Luis através da concorrente GOL. De lá os passageiros fizeram conexão para TAM e daí até São Paulo.

O que acabou sendo informado em São Paulo é que no voo original da TAM de Imperatriz para São Paulo foram vendidas mais passagens do que assentos (overbooking) e por isso os passageiros não puderam embarcar.

Numa democracia um juiz ou gari, como consumidores, têm o direito a ser tratado com dignidade. Informado e tudo mais.” Finaliza Baldochi.

Por telefone, O Magistrado salienta ainda, que por aproximados 30min fez diversos contatos com a ANAC, reguladora do setor Aéreo, a fim de garantir o direito de embarque como prevê a legislação, sem privilégios de quem quer que seja o usuário, não obtendo êxito em sua manifestação. Portanto, seria importante na mesma velocidade que se julga e destrói um dos lados da história jornalística, há de ser preservar a história e, sobretudo a índole e a verdade particular de cada momento e face dos acontecimentos, se não for, incorremos em injustiças e injúrias, seja a um gari, religioso, político e neste caso singular, um Magistrado.

Não vai faltar?

Do Lauro Jardim

7:21 \ Brasil

No limite

Termelétricas em ação
Termelétricas em ação
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico praticamente desdenha qualquer possibilidade de faltar energia em 2015. De acordo com o comitê,  “o risco de qualquer déficit de energia em 2015, nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste é de 4,2% e 0,3%, respectivamente”
Enquanto isso, na sexta-feira passada, foi registrado o recorde histórico de utilização de energia térmica no Brasil: 17 156 megawatts. O recorde anterior havia sido em 24 de novembro, quando foram acionados 17 068 MW.
O que é mais preocupante no recorde de sexta-feira é que do total de 22 112 MW de capacidade instalada, havia 17 362 MW efetivamente disponíveis, pois 4 750 MW estavam em manutenção. Ou seja, a sobra de segurança foi de somente 206 MW.
Por Lauro Jardim

5.12.14

A cobrança por mais verbas

Do Conjur

Presidentes de TJs planejam cobrar juntos mais verbas dos Executivos estaduais


Inspirados no Judiciário federal, que conseguiu neste ano manter a íntegra de suas propostas orçamentárias depois de sofrer cortes da Presidência da República, desembargadores que comandam Tribunais de Justiça pelo país decidiram se unir para cobrar maior repasse por parte dos governos estaduais. O Colégio Permanente de Presidentes de TJs diz que a redução do orçamento “é uma prática velha”, mas até então cada tribunal tentava resolver sozinho a situação.
“Não vamos mais brigar isoladamente”, afirma o presidente da entidade,Milton Nobre. “O Colégio de Presidentes vai partir na defesa do tribunal que se sentir atingido por redução de recursos indevidamente”, disse ele à revista Consultor Jurídico depois de abrir o 101º encontro dos presidentes, na sede do Tribunal de Justiça paulista. O colégio estuda se tem legitimidade até para impetrar Mandados de Segurança para evitar a falta de verbas.
Em discurso duro, ele declarou que vários Executivos estaduais adotam “truques orçamentários ou financeiros, marcadamente antirrepublicanos e frutos da velha cultura de governadores donatários do presidencialismo imperial”. Uma das críticas está na base de cálculo adotada por governos para repassar o duodécimo — parcela mensal que o Judiciário tem direito a receber com base na receita líquida estadual. Membros do colégio dizem que estados usam manobras para diminuir o volume desse dinheiro.
A fala de Nobre gerou um clima de otimismo entre os presentes. A ideia de juntar forças foi tema de comentários na saída do prédio do TJ-SP, na viagem de ônibus até o Palácio dos Bandeirantes e no coquetel que antecedeu jantar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). “A questão financeira é um problema que acontece em todo canto“, afirmou o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, José Carlos Malta Marques. “O colégio já vem atuando assim em outras áreas. Nós nos apoiamos em diferentes questões, mas a grande preocupação para 2015 é o orçamento”, disse a presidente do TJ do Pará, Luzia Nadja Nascimento.
Concurso incerto
Um exemplo desse quadro é vivenciado pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que há nove anos não fazia nenhum concurso público por falta de recursos. A instituição abriu edital em outubro para novos servidores, mas ainda tem preocupação com o crescimento de gastos com a folha de pagamento. “Não se sabe se depois do concurso vamos ter condições de nomear esse pessoal”, preocupa-se o presidente do TJ baiano, Eserval Rocha.
O anfitrião José Renato Nalini, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, também tocou na questão orçamentária. Ele defendeu que a União e municípios dividam a conta de tarefas executadas por juízes estaduais na análise de execuções fiscais. “Cumpre exigir da União o ressarcimento do trabalho gratuito e sem qualquer contraprestação praticado pelos magistrados de comarcas desprovidas de juiz federal. E também elaborar propostas que imponham aos municípios a obrigatoriedade de remuneração pelo serviço.”
O Colégio Permanente de Presidentes de TJs foi criado para suprir a falta de um conselho entre os Judiciários estaduais — a Justiça Federal e a Justiça do Trabalho, por exemplo, têm conselhos próprios estabelecidos pela Constituição. No encerramento do 101º encontro, programado para o próximo sábado (5/12), os membros vão redigir a “Carta de São Paulo”, documento que resumirá os temas debatidos e será enviado a órgãos e instituições do país.

4.12.14

Do site do TJ

03/12/2014 - ESTUDANTE FERIDO EM ESCOLA MUNICIPAL TEM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO NEGADO

        Acórdão da 5ª Câmara de Direito Público do TJSP manteve decisão da 1ª Vara
 da Fazenda Pública de Osasco que julgou improcedente ação indenizatória ajuizada
 pela mãe de um menino que se acidentou em uma escola municipal.
        A autora relatou que, em setembro de 2011, seu filho estava em sala de aula
 tentando ligar o ventilador, momento em que o professor, ao adentrar o local, teria
 chutado a cadeira na qual ele estava e provocado a queda do estudante. Houve fratura
 dos braços e perda de dentes – em razão do acidente, o garoto também perdeu a formatura,
 com prejuízo do pagamento feito à organizadora do evento.
        Em defesa, a Municipalidade apontou a culpa exclusiva da vítima, que se assustou
 com o chamado do educador, desequilibrando-se e caindo sozinha, e afastou qualquer
 responsabilidade quanto à devolução do valor pago para a realização da festa de formatura.
        “Nada autoriza o autor a subir em qualquer móvel para ligar o ventilador. Colocou-se
assim, em reprovável situação de perigo, agindo com culpa exclusiva”, afirmou o relator José
 Helton Nogueira Diefenthäler Júnior, confirmado sentença do juiz José Tadeu Picolo Zanoni, 
que havia anotado em primeira instância: 
“O autor, no caso, agiu de maneira incorreta e desrespeitosa, subindo numa cadeira e, 
mesmo ordenado por duas vezes que descesse, não o fez. O Estado deve indenizar
 que se machuca em decorrência de sua própria imprudência? Não, a responsabilidade
 objetiva não vai tão longe”.
        Também participaram do julgamento, que teve votação unânime, os desembargadores
 Marcelo Berthe e Maria Laura Tavares.

        Apelação nº 0055922-92.2011.8.26.0405

        Comunicação Social TJSP – BN (texto) / GD (foto ilustrativa)
        
imprensatj@tjsp.jus.br

3.12.14

Não debocharás...

Do Lauro Jardim

Deboche levado em conta

Kamel: mais uma vitória judicial
Kamel: mais uma vitória judicial
Em fevereiro, Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, foi condenado em primeira instância a pagar 15 000 reais a Ali Kamel, diretor de jornalismo e esporte da TV Globo, por tê-lo xingado de “golpista” acusando-o de cometer “todo o tipo de abuso contra a democracia” e ” a dignidade humana” e de se empenhar “dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior” (leia mais aqui ). Beleza. Só que quando saiu a sentença, Rosário fez pouco caso, dizendo que podia pagá-la.
Kamel, então, recorreu à segunda instância, alegando que os 15 000 reais não tinham sido suficientes para puni-lo, pois achara a quantia irrisória. Pois bem, os desembargadores da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro acabam de majora a indenização para 20 000 reais. Não se sabe se ainda será pouco para o bolso de Rosário.
Por Lauro Jardim

O que resolve

Da Folha

Garoa ou temporal?

Nem um nem outro; o melhor que pode ocorrer sobre as represasdo sistema Cantareira são chuvas moderadas e constantes por dias e dias, segundo os especialistas
EDUARDO GERAQUEDE SÃO PAULO
Nem garoa e, muito menos, fortes temporais.
Pelo menos em um primeiro momento, o melhor que pode ocorrer sobre as represas e os rios do sistema Cantareira, principal abastecedor da Grande São Paulo, são chuvas moderadas durante horas.
E, de preferência, repetidas todos os dias do mês.
O problema é que os institutos de meteorologia, como a Somar, indicam que o verão não deve ter esse cenário ideal --por causa da seca, o Cantareira passa por sua pior crise; nesta terça (2), tinha 8,5% da capacidade, já contando o segundo volume morto.
As previsões indicam que deve haver dias chuvosos seguidos de dias secos.
Essa alternância é ruim, pois pode impedir que seja interrompido logo o chamado "efeito esponja" --como o solo está muito seco, as águas das chuvas não se acumulam.
As chuvas de novembro colaboraram um pouco e molharam a "esponja", mas é preciso que elas continuem.
A chuva, ao atingir o Cantareira, se divide em fluxos, explica Mateus Simonato, geólogo da USP. Segundo ele, parte da água evapora ao atingir o solo. Outra parte é captada pela (pouca) vegetação existente na região.
Até por causa disso, temporais são ruins, porque aumentam a erosão, o que ajuda a entulhar rios e represas.
O terceiro caminho é o que mais interessa. "A água que escoa pela superfície é a que atinge rios e reservatórios."
Ou seja, é a parte da chuva que não faz nenhum dos dois primeiros trajetos que se infiltra e preenche a "esponja", diz Simonato. Só depois as represas começam a encher.
Quanto mais chuvas moderadas e constantes, dia a dia, menor a chance de aquilo que ficou acumulado nos dias anteriores secar.
As previsões também indicam que não vai chover fora das médias históricas. Isso significa que o acúmulo de água até abril não vai resolver a situação do Cantareira. A crise entra em 2015.
Para que a situação se normalize --e os especialistas são unânimes nesse cálculo--, a única forma é chover de forma moderada, por muitos dias e sem parar, sobre a região das represas do Cantareira.

2.12.14

Indulto para o mensalão

DA Mônica Bérgamo, na Folha de São Paulo de hoje, 2/12/14

MÔNICA BERGAMO

-
BURACO DA FECHADURA
A presidente Dilma Rousseff deve assinar um decreto concedendo indulto, no Natal, a milhares de presos no país. A medida, que se repete todos os anos, pode desta vez beneficiar réus do mensalão, que passariam a ter a pena extinta.
BURACO 2
Um dos réus que podem ser beneficiados é José Genoino. A inclusão dele na lista do indulto, no entanto, depende dos critérios que serão sugeridos à presidente para a medida. Eles são estabelecidos a cada ano pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão do Ministério da Justiça.
BURACO 3
Uma das possibilidades é o decreto beneficiar condenados que já cumpriram um quarto da pena. Nesse caso, Genoino será incluído no indulto. Se o critério for o mesmo do ano passado, que atingiu os que já tinham cumprido um terço da pena, não será alcançado neste ano. É que, até agora, o ex-deputado cumpriu um ano e 17 dias de uma pena total de quatro anos e oito meses.

1.12.14

Mais julgados recentes

0041620-29.2009.8.26.0405   Apelação / Indenização por Dano Material   
Relator(a): Vera Angrisani
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 1ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Data do julgamento: 18/11/2014
Data de registro: 28/11/2014
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. Pretensão à indenização por danos materiais e morais. Alegação de erro na realização de procedimento cirúrgico. Procedimento médico realizado de acordo com os padrões. Transcurso de vários dias do acidente até que o autor buscasse atendimento médico que propiciou o agravamento das condições geradas pela lesão e a impossibilidade de reverter o quadro. Prova pericial que demonstrou o acerto no procedimento adotado e a inexistência de ato culposo praticado pelo réu e preposto. Sentença mantida. Recurso improvido.

9000036-23.2009.8.26.0405   Apelação / Multas e demais Sanções   
Relator(a): Marrey Uint
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 3ª Câmara de Direito Público
Data do julgamento: 04/11/2014
Data de registro: 27/11/2014
Ementa: Apelação cível - Auto de infração e imposição de multa - Transporte irregular de passageiros - Título executivo hígido - Presunções legais não afastadas pelas provas produzidas (documental e testemunhal) - Sentença mantida - Recurso improvido.

9000032-15.2011.8.26.0405   Apelação / Reajustes de Remuneração, Proventos ou Pensão   
Relator(a): Marrey Uint
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 3ª Câmara de Direito Público
Data do julgamento: 04/11/2014
Data de registro: 27/11/2014
Ementa: Apelação cível - Guarda civil municipal inativo - Diferenças salariais - Pretensão de reconhecimento do exercício da função de Supervisor da Guarda Municipal e pagamento das verbas retroativas - Ausência de comprovação de que as horas extras pagas eram aumentos disfarçados pelo desempenho do cargo de supervisor - Cargo, ademais, inexistente para fixação de padrão de vencimentos - Sentença de improcedência mantida - Recurso não provido.

3022903-73.2013.8.26.0405   Apelação / Reajuste de Remuneração, Soldo, Proventos ou Pensão   
Relator(a): Oswaldo Luiz Palu
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 9ª Câmara de Direito Público
Data do julgamento: 26/11/2014
Data de registro: 27/11/2014
Ementa: APELAÇÃO. Ressarcimento de valores. Policial Militar. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. Pretensão ao recebimento do adicional desde sua entrada na corporação. Policial que passou a receber cinco meses após sua admissão. Termo 'a quo' incidente sobre o início do exercício da atividade insalubre e não data do reconhecimento pela Administração. Natureza declaratória do laudo pericial que atesta uma situação preexistente. Sentença de procedência do pedido mantida. Negado provimento ao recurso.

0009377-32.2009.8.26.0405   Apelação / Indenização por Dano Material   
Relator(a): Décio Notarangeli
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 9ª Câmara de Direito Público
Data do julgamento: 26/11/2014
Data de registro: 26/11/2014
Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO INTERVENÇÃO CIRÚRGICA ERRO MÉDICO INEXISTÊNCIA DANOS MORAIS AUSÊNCIA INDENIZAÇÃO INDEVIDA. 1. A responsabilidade civil do Estado é objetiva baseada na teoria do risco administrativo no caso de comportamento danoso comissivo (art. 37, § 6º, CF) e subjetiva por culpa do serviço ou 'falta de serviço' quando este não funciona, devendo funcionar, funciona mal ou funciona atrasado. 2. Indenização por erro médico. Laudo pericial que comprova a ausência de erro médico e a adequação da conduta médica aplicada na autora. 3. Somente o dano moral razoavelmente grave deve ser indenizado. Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral. Ausência de provas de constrangimento. Indenização indevida. Sentença mantida. Recurso desprovido

0060768-21.2012.8.26.0405   Apelação / Sistema Nacional de Trânsito   
Relator(a): Vera Angrisani
Comarca: Osasco
Órgão julgador: 2ª Câmara de Direito Público
Data do julgamento: 11/11/2014
Data de registro: 18/11/2014
Ementa: AÇÃO DE RITO ORDINÁRIO. Venda de veículo a terceiro. Pretensão ao bloqueio administrativo do veículo e que a ré se abstenha de fazer lançamento de multas, pontuação e débitos gerados pelo uso do bem. Admissibilidade. Bloqueio do veículo que era medida que se impunha. Hipótese em que não se mostra razoável que permaneça o autor eternamente proprietário do bem. Sentença mantida. Recurso não provido

O mensalão continua dando trabalho

Do Jota.info

Ruídos da execução penal no Supremo


A Double Decision
Crédito @fotolia/jotajornalismo

felipe_recondo_medium
 
Por Felipe RecondoBrasília
Desde que os 24 condenados a prisão no processo do mensalão começaram a cumprir suas penas, há mais de um ano, a relação entre os juízes das varas de execução penal e o Supremo Tribunal Federal tem registrado certos ruídos.
Em 2013, quando o Supremo decidiu executar as penas – o relator do mensalão ainda era o ministro Joaquim Barbosa – ficou definido que a tarefa seria delegada aos juízes de primeiro grau. Eles poderiam decidir sobre trabalho externo e eventual transferência de estado. Naquela momento, ficaram confusos os advogados. A quem deveriam dirigir as demandas por seus clientes? Aos juízes de execução ou ao Supremo? Na dúvida, faziam o trabalho dobrado e recorriam a ambos.
A situação ficou confusa para os juízes quando as decisões das varas começaram a ser revogadas. Joaquim Barbosa suspendeu diversas autorizações de trabalho a presos e avocou para si as decisões sobre o tema. O ministro entendia que os condenados a cumprir pena no semiaberto tinham de passar um sexto da pena no presídio antes de obter autorização para trabalhar durante o dia. O assunto foi levado ao plenário e a maioria dos ministros deu razão aos réus, autorizando-os a retornar ao trabalho.
Um ano depois e com novo relator no processo, o ministro Luís Roberto Barroso, alguns ruídos permanecem em razão deste modelo de execução das penas. Na semana passada, Barroso revogou decisões de juiz do Distrito Federal que autorizaram Delúbio Soares e José Dirceu a fazer viagens de trabalho.
Depois da decisão, o juiz da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas (Vepema) Nelson Ferreira Junior enviou informações a Barroso sobre o motivo de ter concedido a viagem e deixou clara sua dúvida em relação ao que pode ou não fazer.
“A fim de se evitar outras eventuais situações semelhantes, este juízo solicita à Vossa Excelência, encarecidamente, a possibilidade de serem emitidas novas orientações acerca de quais incidentes na execução penal devem ser analisadas, julgadas e informadas por esta Vepema a essa egrégia Corte”, escreveu o juiz.
Nelson Ferreira Junior diz ainda no documento que orientações anteriores de Joaquim Barbosa e do próprio Barroso indicavam que o Supremo apenas deveria decidir sobre indulto, anistia, livramento condicional e mudança de regime. Ele lembrou que, quando comunicou ao Supremo sobre pedidos de jornalistas para entrevistas com os condenados, Barroso informou que isso cabia à vara de execuções e que deveria ser aplicado o mesmo entendimento adotado com relação a outros presos.
“Este juízo tem a afirmar à vossa excelência que jamais teve a intenção de usurpar a competência dessa Suprema Corte, mas, tão somente, de fazer cumprir e efetivar as disposições da condenação e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado, principalmente, porque o pedido de autorização de viagem não está dentro das limitações da competência fixada pelo plenário desse egrégio Supremo Tribunal Federal.”
E não foi somente no Distrito Federal que esse modelo de duas cabeças gerou confusão. No Mato Grosso, o juiz de Cuiabá responsável por fiscalizar a prisão do ex-deputado Pedro Henry decidiu, sem consultar o Supremo, conceder prisão domiciliar, obrigando-o contudo ao uso da tornozeleira eletrônica. Só depois de concedida a autorização o magistrado enviou a decisão ao Supremo, informando que o condenado queria autorização para progredir do regime semiaberto para o aberto.
Em um parecer enviado na semana passada ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destacou que o juiz “encaminhou cópia de documentação relativa ao sentenciado para fins de análise da possibilidade de progressão de regime prisional, porquanto decisões dessa natureza não foram delegadas aos diversos juízos das execuções penais”.
Janot não mencionou o fato de que Pedro Henry já foi autorizado a deixar o presídio e cumpria a pena em prisão domiciliar, mas disse que não opinaria sobre a situação porque a defesa não apresentou atestado de bom comportamento carcerário. Isso levou o ministro Barroso a pedir informações para o magistrado do Mato Grosso.
Gravidade
Mais grave que as idas e vindas da execução foi o afastamento neste caso do juiz titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar de Vasconcelos. E depois do juiz Bruno Ribeiro.
Ademar de Vasconcelos, que era o juiz titular da VEP, foi substituído após conflito com Barbosa. O ministro do STF considerou que não estava sendo devidamente comunicado do que estava ocorrendo no processo de execução das penas.
O juiz Bruno Ribeiro assumiu em seguida a função. Entretanto, sua atuação ante as suspeitas de regalias no presídio da Papuda, em Brasília, aos condenados do mensalão, provocou um princípio de crise entre ele e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O governador pediu abertura de processo disciplinar contra o magistrado. Depois disso, Ribeiro se declarou impedido de atuar no processo do mensalão e foi transferido para outra função.