10.6.11

Notas falsas


Vendo toda essa polêmica a respeito da postura do Banco Central a respeito das notas falsas, lembrei de julgado recente do nosso Colégio Recursal de Osasco. Confirmei sentença de Carapicuíba condenando o banco a repor nota falsa dada pelo caixa eletrônico e pagar mais dois mil reais pelos danos de ordem moral.

A postura do Banco Central, exigindo a lavratura de boletim de ocorrência e não determinando a troca da nota motivou crítica até de Elio Gaspari em sua coluna do meio da semana. A mudança de orientação foi oportuna. Pena que tardou. Vejam o julgado:


COLÉGIO RECURSAL DA 4a. CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA




         Recurso n. 302/11

         Número de origem – 1308/2010 – Carapicuíba

  
RECORRENTE – BANCO BRADESCO S/A
RECORRIDA – DORGIVAL SOARES DE MORAES


         CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE DANOS MORAIS – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO PARA DETERMINAR A CORREÇÃO SOMENTE A PARTIR DA DATA DA FIXAÇÃO..

                  






         Relatório.
        
         O recorrido ingressou com ação de indenização, eis que em 2006 recebeu de um caixa eletrônico uma nota de R$ 50,00 com sinais de adulteração. Juntou documentos (fls. 04/09). Não houve acordo na primeira audiência (fls. 14, em 09 de novembro de 2010). O banco juntou documentos (fls. 15/35). Na segunda audiência (fls. 36/37, em 02 de dezembro de 2010), sem acordo, foi oferecida contestação (fls. 38/54). Foi ouvida a esposa do autor como informante. A r. sentença de fls. 36/37 julgou  procedente o pedido. O banco foi condenado a repor os cinqüenta reais da nota falsa e a pagar dois mil reais pelos danos de ordem moral.

Foi oferecido recurso pelo banco (fls. 56/58). Pede a mudança na data da incidência da correção monetária e que não seja calculada a indenização em salários mínimos.  Não foram oferecidas contra-razões (fls. 64).

        
VOTO.
O recurso deve ser provido parcialmente. Em primeiro lugar, necessário consignar que a r. sentença não fixou a indenização em salários mínimos. Assim, essa parte do recurso não corresponde ao que foi decidido. Na parte seguinte, com razão o recurso: o valor da indenização pelos danos de ordem moral deve ser corrigido a partir de sua fixação.
Pelo meu voto, dou parcial provimento ao recurso para determinar que a correção monetária do valor da indenização pelos danos de ordem moral seja feita apenas a partir da data da r. sentença. O banco, ainda assim, deverá pagar custas e despesas processuais, eis que sucumbente. Os honorários advocatícios da parte contrária não são devidos, eis que não representado por advogado.
        
Osasco, 26 de maio de 2011.


         JOSÉ  TADEU  PICOLO  ZANONI
                      Juiz   de  Direito

Toga justa

Esse é o título de duas notas na coluna de hoje da Mônica Bérgamo, na Folha de São Paulo. O fato é que não é mais possível ao próprio TJ aceitar uma produção baixa. Os juízes são avaliados e considerados por sua produtividade. Ñão é justo que isso não valha para todos

TOGA JUSTA
Quatro desembargadores do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo estão na berlinda. O Órgão Especial da corte decidiu, numa sessão secreta, que os magistrados têm que dar explicações para o excesso de processos acumulados em seus gabinetes e para a sua baixa produtividade. Se a defesa prévia não convencer, eles podem ser colocados em disponibilidade, sendo afastados da função.

TOGA JUSTA 2
A notícia, por seu ineditismo, causa burburinho no tribunal. Desembargadores não eram até então pressionados formalmente para cumprir metas de produtividade, como orientou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). E o monitoramento sempre enfrentou resistências no TJ paulista. Os nomes dos quatro desembargadores (entre eles, uma mulher) é mantido em sigilo.

9.6.11

Do Judex, Quo Vadis?

POR QUE O PROCESSO DEMORA?


O processo demora primeiro porque é um processo.
Fosse apenas um ato e seria rápido,

Fosse apenas um ato e seria rápido, mas é uma seqüência de atos que dependem um do outro, em sucessão, sendo que um ato que não se realize prejudica o seguinte e pode anular todo o processo. Como numa produção em série. Não dá para colocar o pneu na bicicleta sem que se coloque a roda antes, no processo também é assim. Cada ato tem seu tempo e sua razão de ser.
Segundo porque o processo tem por finalidade uma sentença, que vai ser a norma aplicável àquele caso concreto envolvendo as partes, que precisam ser ouvidas para que esta norma possa ser válida e justa.
Explico melhor: as partes precisam efetivamente ser ouvidas. Não basta que lhes seja dada a oportunidade de falar em certos momentos. É preciso que o juiz efetivamente as escute, que leve em consideração seus argumentos e considere que podem ser verdadeiros, permitindo que façam as provas necessárias para validá-los antes de decidir. Isso leva tempo.
As partes falam através das petições, das provas colhidas, de todas as suas manifestações no processo e deve ser assim para que possa haver essa lei específica para o caso que é levado ao Judiciário.
Para que se tenha uma sentença justa e exigível, mais do que poder contar com um Estado forte a permitir sua executoriedade, é necessário que as partes que vão sentir seus efeitos acreditem na sentença, o que significa acreditar na autoridade de quem a prolatou, no mecanismo que a gerou e na imparcialidade e justeza da mesma.
E por último porque estamos em um Estado Democrático de Direito, no qual as pessoas não são coisas e podem interferir em tudo o que lhes diz respeito.
Decidir sobre a vida, o patrimônio, a liberdade, qualquer direito enfim, de qualquer pessoa, sem a ouvir primeiro seria o mesmo que tornar a mesma uma coisa, um objeto de direitos, tirar-lhe a voz, em total desrespeito a um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico, a dignidade da pessoa humana.
Seria mais rápido, mas será que seria desejável? Seria justo ou democrático?
Seria esquecer e apagar todas as lutas pelos princípios constitucionais que hoje são a base do nosso sistema jurídico e que garantem o contraditório, a ampla defesa, a paridade de armas...
O tipo de processo que queremos é puro reflexo do tipo de país que queremos. Do que esperamos de quem vai nos julgar, mas mais do que isso, de que direitos devem ser garantidos nesse “processo” que é o julgar.
Como juíza adoraria poder decidir mais rápido e talvez até soubesse como atuar em um sistema que me desse um poder tão grande como esse, de decidir sem ouvir os interessados, mas como parte em qualquer processo, certamente me sentiria desrespeitada e apequenada, se meu direito a voz me fosse tirado...
Para pensar...

CAROLINA NABARRO MUNHOZ ROSSI
JUÍZA DE DIREITO E CIDADàmas é uma seqüência de atos que dependem um do outro, em sucessão, sendo que um ato que não se realize prejudica o seguinte e pode anular todo o processo. Como numa produção em série. Não dá para colocar o pneu na bicicleta sem que se coloque a roda antes, no processo também é assim. Cada ato tem seu tempo e sua razão de ser.
Segundo porque o processo tem por finalidade uma sentença, que vai ser a norma aplicável àquele caso concreto envolvendo as partes, que precisam ser ouvidas para que esta norma possa ser válida e justa.
Explico melhor: as partes precisam efetivamente ser ouvidas. Não basta que lhes seja dada a oportunidade de falar em certos momentos. É preciso que o juiz efetivamente as escute, que leve em consideração seus argumentos e considere que podem ser verdadeiros, permitindo que façam as provas necessárias para validá-los antes de decidir. Isso leva tempo.
As partes falam através das petições, das provas colhidas, de todas as suas manifestações no processo e deve ser assim para que possa haver essa lei específica para o caso que é levado ao Judiciário.
Para que se tenha uma sentença justa e exigível, mais do que poder contar com um Estado forte a permitir sua executoriedade, é necessário que as partes que vão sentir seus efeitos acreditem na sentença, o que significa acreditar na autoridade de quem a prolatou, no mecanismo que a gerou e na imparcialidade e justeza da mesma.
E por último porque estamos em um Estado Democrático de Direito, no qual as pessoas não são coisas e podem interferir em tudo o que lhes diz respeito.
Decidir sobre a vida, o patrimônio, a liberdade, qualquer direito enfim, de qualquer pessoa, sem a ouvir primeiro seria o mesmo que tornar a mesma uma coisa, um objeto de direitos, tirar-lhe a voz, em total desrespeito a um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico, a dignidade da pessoa humana.
Seria mais rápido, mas será que seria desejável? Seria justo ou democrático?
Seria esquecer e apagar todas as lutas pelos princípios constitucionais que hoje são a base do nosso sistema jurídico e que garantem o contraditório, a ampla defesa, a paridade de armas...
O tipo de processo que queremos é puro reflexo do tipo de país que queremos. Do que esperamos de quem vai nos julgar, mas mais do que isso, de que direitos devem ser garantidos nesse “processo” que é o julgar.
Como juíza adoraria poder decidir mais rápido e talvez até soubesse como atuar em um sistema que me desse um poder tão grande como esse, de decidir sem ouvir os interessados, mas como parte em qualquer processo, certamente me sentiria desrespeitada e apequenada, se meu direito a voz me fosse tirado...
Para pensar...

CAROLINA NABARRO MUNHOZ ROSSI
JUÍZA DE DIREITO E CIDADÃ

8.6.11

Ofício

Um dos posts mais lidos aqui no blog é aquele em que copio um oficio pedindo mais funcionários.

O tempo passa, o tempo voa e as coisas continuam iguais. Determinei ao Diretor do Cartório que reitere uma nova versão desse ofício duas vezes por semana.

7.6.11

Ética



Lendo o livro do professor Goffredo da Silva Telles Jr, cheguei numa parte que merece transcrição:

"Tais idéias coincidiam admiravelmente com as minhas. De fato, num congresso da OAB, realizado em São Paulo, em 1968 ou 69, lembro-me de ter combatido a proposta de criação da disciplina autônoma de Ética, porque, segundo eu pensava, todo o Direito, sendo a disciplina da convivência humana, todo o Direito era ética. Dada como disciplina autônoma, a Ética produziria a impressão de ser matéria acrescentada ao curso. E este modo de ver deturpa uma das principais finalidades do ensino do Direito. Meus argumentos prevaleceram, e a proposta, afinal, não vingou"  (A Folha Dobrada, pg. 311)

6.6.11

Relevante insignificância

Copio aqui trecho de um artigo do colega Airton Vidolin Marques Junior, que saiu publicado no blog coletivo judexquovadis.blogspot.com



O trecho copiado segue da metade para o final.


O Brasil, todavia e majoritariamente, segue na contramão dos países
reconhecidamente mais firmes na preservação da sociedade e dos
cidadãos. Não bastasse ter passado a aplicar o princípio da
insignificância de modo imoderado, passou a desvirtuar também o
conceito inicial de Claus Roxin. Houve afastamento da real noção de
insignificância (ninharia, valor irrelevante), estendendo o conceito
para valores que já apresentam certa significância (ainda que
pequena). Como alerta o juiz Renato Soares de Melo Filho, “deixou-se
de defender a bagatela a um cigarro, alfinete, prego, dentre outras
mesquinharias que permitiriam análise no campo da culpabilidade.
Fala-se hoje em dia, pasme-se, na despretensiosa irrelevância de bens
cujo valor alcance cem, duzentos, trezentos ou mais, vá lá, reais”.
Mais: passou-se a desconsiderar o juízo de reproche de acordo com as
condições pessoais do agente para se adotar um critério exclusivamente
objetivo, de acordo com o valor do objeto em proporção ao patrimônio
da parte lesada.

Com o devido respeito, tenho que isso se afigura fruto de
interpretações equivocadas.

O primeiro, por agir de modo mais severo com a vítima pelo simples
fato de possuir melhores condições econômicas, incorporando ao direito
criminal uma sinistra luta de classes. Aliás, levando ao extremo, uma
pessoa que furtasse uma única ferrari da própria empresa Ferrari
poderia ser beneficiada com a insignificância, pois uma ferrari
furtada não seria suficiente a lesionar considerável e
proporcionalmente o patrimônio da empresa.

O segundo por se equivocar sobre a noção de direito penal de autor.
Sob o pretexto de não incorrer em direito penal de autor se está
paulatinamente excluindo tudo o que é subjetivo (ligado às condições
pessoais do agente) da análise do juízo de reprovação da conduta.
Ocorre que direito penal de autor é aquele em que a punição recai
sobre a pessoa exclusivamente em razão da sua periculosidade biológica
ou da sua maneira de ser (sem que um ato lesivo à sociedade seja
exteriorizado). Diferente é o direito penal de ato, em que a pessoa é
punida por ter praticado uma conduta humana penalmente prevista como
reprovável. No direito penal de ato (ou de fato) em que a sanção recai
sobre o que a pessoa já fez, não há obstáculo em se considerar as
circunstâncias subjetivas para aferição do juízo de reproche ou para a
mensuração da reprimenda penal. Pelo contrário, é até mais atenta à
isonomia, conferindo tratamento diferente para pessoas diferentes (ou
por acaso há alguma dúvida de que, por exemplo, uma pessoa que conte
com diversas condenações anteriores seja merecedora de punição mais
severa do que aquela que é primária e que praticou apenas um fato
isolado em sua vida).

Pessoalmente, creio que a conjugação do funcionalismo sistêmico com a
teoria das janelas quebradas, é consentânea com a realidade e
prestigia a vida em sociedade, centrando-se especialmente na pessoa
cumpridora de seus deveres e não naquela violadora do ordenamento
jurídico.

Inclusive, elevando-se ao absurdo a concepção majoritariamente adotada
no Brasil, viável seria que se expedissem desde logo salvo-condutos
para que todas as pessoas pudessem realizar pequenas subtrações, o
que, logicamente, ofende o pacto social, tornando vulnerado o
princípio da confiança (Vertrauensgrundsatz), que tem por mote a
expectativa que cada pessoa tem de que a outra irá agir de acordo com
a conduta prevista pelas convenções e regras sociais.

Laura Gondro Vidolin [minha caríssima avó], com a sabedoria dos
antigos, ensina que “quem furta um tostão, furta um milhão”. Vale
dizer: quem é capaz de praticar um pequeno furto é igualmente capaz de
cometer um grande furto. De fato, o preceito ético violado é
exatamente o mesmo em qualquer uma das hipóteses e a impunidade tem o
condão de fomentar a ocorrência de outros crimes, frustrando as
expectativas sociais e trazendo instabilidade à vida em sociedade. Daí
que entendo inaplicável o princípio da insignificância.

Ayrton Vidolin Marques Júnior
Juiz no Estado de São Paulo

Crime prefeito

Nota publicada na coluna da Mônica Bérgamo da Folha de São Paulo de hoje.

CRIME PREFEITO
Quase um em cada três processos criminais movidos contra prefeitos no Estado de SP prescreveu em 2010. Das 26 ações que vigoravam no ano passado, 8 foram anuladas por demora. O levantamento foi feito pelo promotor de Justiça criminal da capital Christiano Jorge Santos. Ele analisou também dados de réus comuns entre 2001 e 2006. O percentual de prescrição foi de 4,62%.

+-+
Esse tipo de comentário é extremamente útil para a tentativa de melhoria de andamento desse tipo de processo.

3.6.11

Uma medida que vem um pouco tarde

Notícia da Folha de São Paulo de hoje

MEC corta 10.912 vagas em 136 cursos de direito

Eles tiveram desempenho ruim em avaliação do Ministério da Educação

Corte foi de 15% a 65% das vagas e não atinge atuais alunos; medida já vale para o próximo processo seletivo 

DE BRASÍLIA 

O Ministério da Educação determinou ontem o corte de 10.912 vagas em 136 cursos de direito com desempenho ruim em avaliação da pasta. 
Eles receberam notas 1 e 2, em uma escala de 1 a 5, no CPC (conceito preliminar de curso), que leva em conta indicadores como a nota dos alunos no Enade, a titulação dos professores e a opinião dos alunos a respeito da infraestrutura e da organização didática do curso. 
O ministério entendeu que os cursos não tinham condições para receber o número de alunos para os quais tinham autorização. Segundo o CPC, o corte de vagas variou de 15% a 65% do total. 
A medida vale para o próximo processo seletivo e pode ser posteriormente revista caso as condições pedagógicas sejam melhoradas. Os alunos já matriculados não são afetados. 
As instituições atingidas podem recorrer ao MEC nos próximos 30 dias. 
Entre elas, estão algumas das maiores universidades do país, como a Uniban, de São Paulo, e a Universidade Estácio de Sá. 
É a segunda vez que o ministério determina a redução do número de alunos em cursos de direito mal avaliados. Em 2007, o processo de supervisão resultou no fechamento de 24 mil vagas. Em nota, o presidente da Abedi (Associação Brasileira de Ensino do Direito), Evandro Menezes de Carvalho, aprovou a medida do MEC. 
No entanto, ele afirmou que ela não é suficiente e precisa ser acompanhada pela contratação de professores com mestrado e doutorado e dedicação integral ao curso e pela elaboração de planos de carreira para os docentes. 

NOVAS VAGAS
Também ontem o ministério permitiu a abertura de 32 novos cursos de direito. 
No Brasil, são oferecidas a cada ano mais de 200 mil vagas na área nas universidades -em 2009, ano com dados mais recentes, foram 224.322 só na graduação presencial, de acordo com o censo da educação superior. Naquele ano, estavam matriculados 651.600 alunos em 1.096 cursos de direito. 

FOLHA.com 

2.6.11

Deu no Noblat

FICA A PERGUNTA AO JOBIM, A RESPEITO DA RAZÃO DELE TER FEITO AFIRMAÇÃO TÃO PEREMPTÓRIA...

POLÍTICA

Jobim e governadores baixam o pau no Judiciário

Do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, durante reunião, esta tarde, no Palácio do Planalto, sobre a violência na Amazônia que custou a vida de cinco líderes sindicais e lavradores da semana passada para cá:
- O Poder Judiciário no Brasil é péssimo!
A presidente Dilma Rousseff não comentou o que Jobim disse. Mas a fala dele foi a senha para que os governadores Simão Jatene (PSDB-PA), Omar Aziz (PMDB-AM) e Confúcio Moura (PMDB-RO) descessem o cacete na Justiça.
As críticas de Jobim e dos governadores foram ouvidas em silêncio também por quatro outros ministros: José Eduardo Cardoso (Justiça), Maria do Rosário (Secretaria Nacional de Direitos Humanos), Afonso Florence ( Desenvolvimento Agrário) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).
Antes de Dilma entrar na sala da reunião, ao lado do seu gabinete, um assessor desligou o ar-condicionado. "A presidenta sempre se queixa do frio que faz no palácio", alegou.
Dilma queixou-se do programa Terra Legal, criado ainda no governo Lula por inspiração do então ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.
- O Terra Legal é um atraso só - disse Dilma.
Ela participou da reunião entre 16h15 e 18h. Foi embora porque tinha outro compromisso. A reunião terminou uma hora depois com o apelo feito por Gilberto Carvalho:
- Queria fazer um apelo a vocês para que não vazem informações sobre as críticas feitas ao Judiciário. Isso evitará que se abra uma nova frente de batalha contra o governo.
Pois é. Vazou.

Falso positivo do HIV

Essa também vem da assessoria de imprensa do TJ.



01/06/2011
Teste com resultado 'falso positivo' não gera indenização em Osasco
        A 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública de Osasco e negou pedido de indenização a uma mulher que fora diagnosticada, erroneamente, como portadora do vírus HIV.
        Em junho de 2009, a mulher deu entrada no Hospital Municipal de Osasco para dar à luz a seu primeiro filho. Logo foi submetida a exame para detectar a contaminação pelo vírus, chamado 'teste rápido', que revela o resultado em 30 minutos. O teste apresentou o chamado 'falso positivo' e, até que saísse o resultado do exame de confirmação, a mulher foi impedida de amamentar o filho.
        Por esse motivo, alegava ter sofrido sequelas emocionais e pedia a indenização por danos morais por parte da prefeitura da cidade.
        De acordo com a decisão, o procedimento adotado pelo hospital é o mesmo para todas as gestantes em trabalho de parto que não comprovam a realização de acompanhamento pré-natal, caso da autora. O objetivo é evitar a 'contaminação vertical', situação em que a mãe transmite a doença para o filho no momento do parto ou na amamentação.
        “Ao verificarem que o teste rápido da autora revelou ser positivo para o vírus em questão, tomaram as medidas necessárias para evitar a possível contaminação para o bebê, providências essas que se encontram dentro da melhor técnica médica. Após exames de confirmação terem revelado não ser a autora portadora do vírus foi permitida a amamentação, e o seu filho foi encaminhado para o acompanhamento pediátrico regular”, afirma em seu voto a relatora do recurso, Maria Laura de Assis Moura Tavares.
        Também participaram do julgamento, que teve votação unânime, os desembargadores Francisco Vicente Rossi e Aroldo Viotti.

1.6.11

Venda de bens de foragido do Brasil

Servidor há 43 anos no Judiciário

Essa vem da assessoria de imprensa do TJ/SP


1/05/2011
Servidor está há 43 anos na mesma vara

        De que é feito o Poder Judiciário? Da força de trabalho de seus integrantes. Magistrados e servidores compõem a engrenagem que sustenta o Tribunal de Justiça de São Paulo. Nos dias atuais, em um universo de intensas mudanças, nas quais a inovação tecnológica busca aposentar as pilhas de processos e as substituir pelo processo virtual, não é fato corriqueiro se defrontar com um servidor que há mais de quatro décadas está na mesma vara. Mas, no Poder Judiciário de São Paulo, essa situação existe e é real. Por traz desse cenário está um oficial maior.
        Quarenta e três anos de trabalho dedicados ao Tribunal de Justiça de São Paulo... Todos na mesma unidade cartorária! Essa é a história de Ildefonso Faustino da Silva, carinhosamente chamado pelos amigos de ‘Dedé’, que começa em maio de 1968, quando, aos 16 anos, consegue seu primeiro emprego como ‘menor colaborador eventual’, cargo hoje extinto, no Poder Judiciário paulista.
        De lá para cá, nos aproximados 11 mil dias úteis – e em quase todos com a mesma rotina – Dedé acorda cedo, toma o café da manhã e sai de casa em direção a um único destino: a 12ª Vara Cível central da capital, no Fórum João Mendes Júnior. Mas, no seu dia a dia, muita coisa mudou: na carreira, prestou concursos públicos, foi auxiliar judiciário e escrevente técnico e chegou ao cargo de chefe e oficial maior de cartório. Na vida privada, constituiu sua família da qual, assim como da carreira, orgulha-se muito.
        Dedé viu e sentiu na pele a chegada da modernidade. Máquinas de escrever e fichários deram lugar a computadores e impressoras. “Quando comecei a trabalhar, as informações de cada processo eram arquivadas em cartões. Cada movimento do processo precisava ser registrado ali. Era muito trabalhoso”, conta.
        Enquanto Dedé estava em sua 12ª Vara, citando apenas alguns de cada década, passaram pela presidência do TJSP nomes como Márcio Martins Ferreira, Cantidiano Garcia de Almeida, Young da Costa Manso, Nelson Pinheiro Franco, Odyr José Pinto Porto, Dirceu de Mello, Márcio Martins Bonilha, Celso Luiz Limongi e hoje o desembargador José Roberto Bedran.
        Conversar com Dedé é como ter uma aula de história do Judiciário paulista. São muitos os casos curiosos e até engraçados. “Os juízes vinham trabalhar carregando aqueles gravadores enormes. Em casa, de noite, eles ditavam as sentenças no microfone e traziam o equipamento para que as escreventes, que eram exímias datilógrafas, passassem a decisão para o papel”, relembra Dedé.
        Ao longo desses 43 anos, Dedé trabalhou com oito diretores e 12 juízes. No mesmo período, o Tribunal de Justiça de São Paulo teve 27 presidentes. O desembargador Paulo Alcides Amaral Salles, que foi juiz titular da 12ª Vara Cível central, lembra com carinho de Dedé. “Ele é muito responsável, educado, daqueles servidores que enchem de orgulho o local de trabalho. Quando chegava um funcionário novo no cartório era ele que ensinava o serviço e sempre com muita paciência”, conta o magistrado.
        Caso raro nos dias atuais em que funcionários – sejam do poder público ou da iniciativa privada – passam por departamentos e setores ou mudam de empresa constantemente, Ildefonso Faustino da Silva, paulistano, 59 anos, casado, pai de dois filhos, é um representante da tradição da Justiça de São Paulo – a força de trabalho de seus servidores. Na data de hoje, o Tribunal de Justiça de São Paulo tem exatos 42.905 funcionários, sem os quais não poderia dar andamento aos mais de 19 milhões de processos e 895 mil recursos. Não poderia também cuidar do pagamento de cerca de 200 mil precatórios e realizar por ano mais de 1,3 milhão de audiências, quase sete mil júris e 3,2 mil adoções, entre outras inúmeras atividades.
        Expressão recorrente, é comum jornais e revistas se referirem aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como ‘máquina pública’. Se o Tribunal é uma máquina que distribui Justiça aos mais de 40 milhões de habitantes do Estado, as engrenagens são compostas pelos recursos humanos que nele estão. Fortes e resistentes, os servidores se adaptam às mudanças, enfrentam dificuldades, e às vezes, assim como faz o Dedé permanece em um único ofício com a disposição de fazer sempre o melhor. 

31.5.11

Se alguém tiver mais detalhes...

Saiu essa nota na Mônica Bérgamo de hoje. Se alguém tiver detalhes do processo, favor enviar. Queria entender melhor esse caso.

SURPRESA 
E o apresentador Marcos Mion e a TV Record estão sendo processados por homofobia. Entidades do movimento gay reclamaram de comentários dele sobre a drag queen Nany People, ex-"A Fazenda", no programa "Legendários". Mion disse que ela "tem surpresinha" e perguntou "o que ela faz com o pacote" na hora do banho. Ele diz que o caso está com o departamento jurídico da Record. A emissora afirma que houve "exercício da liberdade de expressão" que "não feriu ninguém". 

30.5.11

O cidadão fazendo o que o Estado deveria fazer

Cada vez mais o cidadão é chamado a fazer coisas que o Estado deveria suprir. Boa parte da sociedade paga por escolas particulares e planos de saúde, quando isso deveria ser suprido pelo Estado. A segurança é um ponto gritante. Cada vez mais a polícia depende das câmeras de vigilância colocadas por empresas e condomínios. Sem isso, nenhuma investigação começa. Quantas vezes vemos uma notícia dizendo que a polícia procura por imagens dos prédios vizinhos?

A notícia abaixo mostra que os moradores de Perdizes, um ponto campeão de furtos de autos, estão instalando luzes direcionadas para a rua a fim de tentar prevenir mais furtos na região...

Em Perdizes, holofote vira arma contra furto de carros

Moradores instalam equipamento que fica aceso a noite toda para reduzir crime

Bairro da zona oeste registrou 175 casos no mês de abril; edifícios de Pinheiros também estudam instalação


Alexandre Rezende/Folhapress
Prédio instalou holofotes parat entar inibir furtos na rua 

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
AGUIRRE TALENTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Com uma média de mais de seis veículos furtados por dia, alguns moradores de Perdizes, bairro da zona oeste da capital paulista, resolveram reagir: instalaram potentes holofotes nas entradas dos prédios para tentar prevenir esse tipo de crime.
Não é de agora que Perdizes, Pinheiros e Lapa lideram as estatísticas de furtos de veículos na capital, mas nos dois primeiros bairros os casos de furtos só aumentam.
Foram 175 ocorrências em Perdizes no mês de abril, 71 a mais do que no mês anterior.
Em Pinheiros, onde os moradores também estudam a implantação dos holofotes, foram 124 em abril, 5 a mais do que em março.
A estratégia começou em um prédio da rua Professor João Arruda, em Perdizes.
Duas potentes luminárias voltadas para a rua ficam acessas a noite inteira. Nos próximos meses, todos os condomínios da quadra deverão instalar os holofotes.
"Se a rua é iluminada, é possível ver quando alguém está para cometer um furto", disse Aldrin de Aguiar, 41, síndico de um dos prédios que adotaram a medida há cerca de 20 dias.
Além disso, com a iluminação constante, as imagens gravadas à noite pelas câmeras serão mais visíveis.
O ponto negativo, segundo moradores, é que o reforço na iluminação pública será paga pelos condôminos.
Em Pinheiros, Aristides Medeiros, diretor do Conseg (conselho de segurança) do bairro, diz que moradores das ruas Mateus Grou e Capote Valente já estudam os custos dos holofotes.
A iniciativa dos moradores é elogiada por policiais da região, que nos últimos meses admitem ter encontrado dificuldades em prender quadrilhas especializadas.
"Qualquer coisa feita para ajudar a polícia é bem-vinda.
Claro que esses holofotes ajudam a inibir os crimes, mas só eles não bastam", disse o tenente coronel Armando Reis, comandante do 4º batalhão da PM, que também atua na Lapa, bairro campeão em furto de veículos neste ano (535 ocorrências).
"Esses casos só vão diminuir quando prendermos as quadrilhas", afirmou o delegado Dejair Rodrigues, seccional da região oeste.
Segundo a PM, desde o início deste mês, foram intensificadas as rondas na região.
Cerca de 300 homens fazem o policiamento dos três bairros. Na região da Paulista, por exemplo, são cerca de 60.

27.5.11

Uma boa idéia

Essa vem do Lauro Jardim, revista Veja.


18:23 \ Congresso

Fone da surdez

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara decidiu combater a surdez. Aprovou um projeto que obriga os fabricantes de aparelhos de som portáteis a alertar os consumidores dos riscos de se perder a audição devido ao uso prolongado e em alto volume dos fones de ouvido. A proposta seguiu para a comissão de Seguridade Social e Família, e depois será enviada para a de Constituição e Justiça.
Por Lauro Jardim

26.5.11

Uma reflexão necessária

Não é por causa do Pimenta Neves. É pelo fato do nosso sistema processual penal estar virando um instrumento mais de impunidade que de Justiça.

Segue abaixo o artigo do sempre lúcido Joaquim Falcão na Folha de São Paulo de hoje.

ANÁLISE

Recursos são necessários, mas será que não há abusos?

JOAQUIM FALCÃO
ESPECIAL PARA A FOLHA 

A condenação de Pimenta Neves é exemplo vivo, palpável, de problema estrutural do Judiciário, que o Brasil deve enfrentar. É razoável levar 11 anos para condenar réu confesso? É esta a Justiça que o país quer e necessita?
Estes 11 anos só foram possíveis devido a nosso sistema de recursos. Não é pois por coincidência que juízes lideram e tentam mudar o excesso de recursos. Seja através da PEC Peluso ou de projetos de novos Códigos de Processo ou ainda de estímulos a conciliação e mediação.
Mas muitos acham, advogados principalmente, que este sistema de recursos é necessário. Sobretudo em matéria penal, por assegurar julgamento mais justo, garantir melhor direitos individuais.
Se juiz ou tribunal condenar um inocente, o tribunal superior pode corrigir o erro. E, se o tribunal superior errar outra vez, um maior corrige.
Pimenta Neves se beneficiou por ter advogados que navegam com competência nas águas processuais infindas. Réus sem acesso a bons advogados já estariam presos há anos. Ou seja, muitos acreditam que o sistema atual é só aparentemente neutro. Na prática é discriminante. Beneficia os que podem pagar por mais tempo os melhores advogados.
Olhando para este caso, os brasileiros podem participar do debate sobre a Justiça que o Brasil quer e necessita. Não é preciso ser jurista, advogado ou juiz. Recursos são necessários para julgamento mais justo.
Mas será que não está havendo abusos e desperdício? Dificultando a justiça em vez de assegurar direitos a quem os merece? Com a palavra os leitores e o Congresso.


JOAQUIM FALCÃO é professor de direito constitucional da FGV Direito Rio.

24.5.11

Oficiais de Justiça

Saiu uma matéria muito interessante na Folha de São Paulo de ontem sobre a falta de oficiais de Justiça no Estado. Desde 1999 não se contratam oficiais.

Eu acho meio discutível colocar um pouco da lentidão dos serviços na falta de oficiais. Em certas comarcas e varas eu reconheço que o problema pode existir e ser mais sério. No geral, ou pelo menos na parte que me toca, desta Vara específica, diria que o número de oficiais vem sendo suficiente. Poderia haver mais e até seria bom...mas não é.

Não podemos esquecer que a mentalidade vigente há quase 20 anos no governo estadual é a de que funcionários a mais são um mal. A tônica vem sendo a redução dos quadros e do número de servidores. Tivemos, é verdade, um ganho de produtividade, mas que existe essa política de redução de quadros, à espera da tão sonhada informatização, que abreviará todos os males e reduzirá a lentidão processual, isso há...



FOLHA DE SÃO PAULO | PODER
JUDICIÁRIO | TRIBUNAIS DE JUSTIÇA
Em SP, "apagão" de oficiais de justiça atrasa decisões
Dos 8.801 postos no Estado, 3.357 estão vagos; desde 1999 ninguém é contratado

Direção do Judiciário diz que 200 oficiais tomam posse neste mês e que não houve contratação em razão dos cortes

FLÁVIO FERREIRA
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

Com um deficit de 40% no seu quadro de oficiais de Justiça, oJudiciário paulista enfrenta uma grave situação de atraso no cumprimento de decisões e atos judiciais.
Desde o concurso para o cargo realizado em 1999, nenhum novo oficial de Justiça foi contratado pelo TJ (Tribunal de Justiça) paulista. Com isso, 3.357 dos 8.801 postos da categoria estão vagos nas comarcas do Estado.
A partir daquele ano, o número de processos na primeira instância de São Paulo subiu de cerca de 10 milhões para mais de 18 milhões.
Em 2009, o TJ fez seleção para 500 vagas na função, mas ninguém foi contratado.
A direção do Judiciário paulista diz que o preenchimento de mil postos já é suficiente para suprir as necessidades nas varas e que ainda não houve novas contratações por conta de cortes orçamentários realizados pelo Executivo estadual.
Nos últimos meses, o "Diário Oficial" do Estado está repleto de despachos de juízes reclamando da situação.
Em 1º de março, por exemplo, há desabafo de juiz de Bananal: "Esta comarca conta com apenas dois oficiais de Justiça, os quais possuem, cada um, em média, 800 mandados para cumprimento de diligências em atraso".
O problema é mais grave no interior. A Justiça é dividida em comarcas, e estas muitas vezes abrangem vários municípios. A insuficiência de oficiais faz com que alguns deles trabalhem para mais de uma comarca.
O presidente da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados), Paulo Dimas, disse que a falta de servidores é dos principais problemas doJudiciário paulista.
Já o presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Henrique Nelson Calandra, diz que o problema com servidores não é exclusividade de São Paulo.
"São Paulo tem problemas. Fora daqui, já não são mais problemas. Nós vivemos dilemas ou trilemas. Coisas terríveis", afirmou ele.
Uma forma de reduzir os problemas seria a informatização. "Enfrentamos desafios do século 21 com ferramentas do século 20."

OUTRO LADO

Secretária diz ter dificuldades em caixa do governo

DE SÃO PAULO

O TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo afirma que a falta de contratações se deve a cortes orçamentários feitos pelo governo do Estado.
A secretária estadual da Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, afirmou que o orçamento do Judiciário de 2011 -o pedido foi de R$ 12 bilhões e só foram aprovados R$ 5 bilhões- foi o valor possível em meio às dificuldades de caixa do governo.
Segundo ela, deverão ser definidas em breve prioridades do TJ e haverá esforço para atender às demandas mais urgentes.
O juiz assessor da Presidência do TJ, Nuncio Theophilo Neto, afirma que "o tribunal reconhece deficit de mil oficiais. Esse número seria suficiente para dar conta do serviço".