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14.5.15

Um artigo que pode animar

Do Vinicius Torres Freire, na Folha de hoje

VINICIUS TORRES FREIRE

O novo calendário da crise

Com otimismo, economistas de Dilma 2 devem apagar incêndio de Dilma 1 até junho; e daí?
ATÉ O COMEÇO de junho, os economistas de Dilma 2 devem apagar a maior parte do incêndio tocado por Dilma 1, caso o Congresso não lance chamas nas ruínas.
Concedido o relativo otimismo, fica a pergunta: Dilma 2 vai então formular algum projeto positivo de reforma? Vai começar a discutir o ajuste de 2016?
Até junho vota-se o plano de corte de despesas e aumento de impostos de Joaquim Levy. O ministro da Fazenda promete que em até dez dias sai o Orçamento de verdade.
No início de junho, o Banco Central deve fazer ou anunciar o último aumento da taxa básica de juros neste ano. Também no mês que vem, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, deve revelar o plano concessões de infraestrutura, aeroportos, rodovias, ferrovias e talvez alguma coisa em portos.
Graças à recessão feia, ao aumento horrendo de preços e a alguma sorte com as chuvas, estima-se agora que não deve haver racionamento de eletricidade neste ano. Existe até a esperança de que se desmonte, ainda que de modo disfarçado e precário, o programa que arruinou a Petrobras.
A própria enumeração dos focos de incêndio, porém, indica que a coisa ainda estará quente em 2016.
O superavit primário federal prometido para 2016 é o dobro do anunciado para 2015. A economia deve crescer um tico, e haverá receita extra devida a leis aprovadas neste ano. Ainda assim, não vai ser fácil. Para começar, não conviria contar com outro talho no investimento público, que será de uns 30% neste ano, o equivalente talvez a um quarto do superavit federal deste 2015.
O setor elétrico está em desordem endividada. Sim, usinas importantes passam a operar daqui até 2016. Mas a situação dos reservató- rios ainda será crítica e, a não ser em caso de novo desastre econômico, o consumo de eletricidade vol- ta a crescer. Ainda não se sabe de reforma do setor.
Faltam crédito e meios de financiar setores essenciais para alguma retomada econômica, construção pesada, infraestrutura, construção civil, em parte devido à ruína corrupta das empreiteiras. Escasseia o dinheiro no BNDES, na poupança ou no FGTS, por exemplo, e ainda não está claro como será a transição para um sistema de financiamento mais dependente do setor privado.
Fica-se a pensar se é possível ressuscitar o investimento público sem alta adicional de impostos (ou corte de algum gasto público grande, o que em geral depende de leis complicadas de aprovar).
Decerto os economistas de Dilma 2 estavam e ainda estarão por alguma tempo envolvidos na tarefa de lidar com a agonia de Dilma 1 e o decorrente risco de desastre. Porém, ainda que o paciente fique estável, o estado da economia é crítico ou pelo menos preocupante.
Pode ser que o sucesso do arrocho, a recessão e a relativa calmaria no exterior permitam um corte na taxa de juros a partir do início de 2016. Mas o ânimo ou a capacidade dos bancos de conceder crédito devem estar avariados pela crise, falências e desemprego. O mercado de capitais está na apatia sabida; falta criar ou azeitar instrumentos para financiar a retomada de investimentos.
Ainda restam muita fumaça tóxica e brasa dormida do incêndio de Dilma 1. O rescaldo vai demorar. Começa logo no mês que vem.

12.3.15

Apaga a luz!!!

Da Folha

Nível dos reservatórios ainda preocupa

Apesar das chuvas de fevereiro, 17 das 28 principais reservas de hidrelétricas têm níveis inferiores aos de 2014
Para especialistas, situação do setor é grave e deve piorar em abril, quando termina o período chuvoso
MARCELO TOLEDODE RIBEIRÃO PRETOApesar das chuvas em fevereiro, a maioria dos reservatórios do país está com volume inferior ao registrado há um ano, situação que deve se agravar nos próximos meses, historicamente secos.
Dos 28 principais reservatórios, 17 estão com níveis de água inferiores aos de março de 2014, dez deles no Sudeste. Em nove, a água não ocupa nem 20% do volume máximo das represas.
Furnas, o maior da região Sudeste/Centro-Oeste, tinha na terça-feira (10) só 13,96% de sua capacidade ocupada por água. Esse é um dos reservatórios que preocupam o governo, que tem feito a redistribuição de energia usando recursos gerados no Norte e no Sul para minimizar o impacto da seca.
Outros dois --Ilha Solteira e Três Irmãos-- já operam abaixo do volume mínimo.
A situação dos reservatórios é grave, na avaliação de especialistas, e o problema deve piorar em abril, quando termina o período chuvoso.
"Os reservatórios são uma poupança de água, e hoje estão vazios. Precisamos de fontes alternativas e, não fosse o baixo crescimento da indústria, já estaríamos num colapso", diz Jefferson Nascimento de Oliveira, docente do departamento de engenharia da Unesp de Ilha Solteira.
Para José Luz Silveira, da Unesp de Guaratinguetá, coordenador do laboratório de otimização de sistemas energéticos e de estudos de pesquisa em bioenergia, se as chuvas ficarem acima da média histórica, ainda serão necessários dois anos para que as represas voltem ao normal.
"O governo não vai conseguir chuva para recuperar esse volume. Tem de investir imensamente em termelétrica, cujos prazos de construção e concepção são mais curtos. A energia vai ficar mais cara, mas, se não fizer isso, não haverá água para gerar."
ALTERNATIVAS
Entre as alternativas citadas pelos especialistas para reduzir a dependência de hidrelétricas estão o uso de energia eólica e da gerada pela biomassa, a partir da cana-de-açúcar, além da proveniente de estações de tratamento de esgoto e aterros.
Para Oliveira, o governo tenta evitar o racionamento com medidas que não devem ser suficientes para evitar o agravamento da crise.
"A combinação de fatores, como importar mais energia e reduzir geração no país, pode elevar o nível de reservatórios, mas é preciso rezar para chover e contar com as condições meteorológicas."
Além do deficit hídrico e do risco de desabastecimento, a seca também gera prejuízos aos municípios banhados por represas de hidrelétricas.
Com as usinas gerando menos energia, o repasse referente ao ICMS cairá. Os municípios também perdem a compensação financeira recebida em virtude da área alagada para as represas.

    19.1.15

    Vem aí o racionamento....

    Do Lauro Jardim

    17:25 \ Brasil

    Tendência seca

    Reservatório: secura quase total
    Reservatório: secura quase total
    O Operador Nacional do sistema Elétrico (ONS) pediu que as distribuidoras reduzissem a entrega de energia e deu-se o apagão.
    É uma consequência direta dos níveis dos reservatórios, que continuam baixando em pleno período chuvoso.
    Diz um relatório do ONS:
    - Em relação à previsão de fechamento da média de afluências para o mês de janeiro, está se caracterizando para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste como as piores médias de todo o histórico.
    Assim, o custo do o custo do megawatt-hora (MWh) das termelétricas passou para astronômicos 1 402,96 reais o/MWh – um aumento de 53% em relação à semana passada e 165% a mais do que o valor da primeira semana do ano.
    Por Lauro Jardim

    15.1.15

    Tem que economizar

    DA Folha de hoje

    Ministro cita a seca de São Paulo e recomenda economia de energia

    Novo titular de Minas Energia diz que não há racionamento, mas que eletricidade está cara
    Com empréstimos no ano passado e fim da injeção do Tesouro, conta deve ter dois reajustes neste ano
    JÚLIA BORBADE BRASÍLIAO ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) recomendou nesta quarta-feira (14) que os consumidores de todo o país reduzam o consumo de energia elétrica. "Não é racionamento. Nós temos energia. Ela existe, mas é cara", disse.
    O alerta foi feito no mesmo dia em que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu que há racionamento de água em São Paulo desde o ano passado.
    "Do mesmo jeito que estamos vendo a realidade em São Paulo, em que o consumidor está tendo que reduzir gasto de água porque há problema hídrico, o setor elétrico está sendo vítima do ritmo hidrológico", disse Braga.
    Em 2014, enquanto especialistas recomendavam racionamento ou campanhas de racionalização, o então ministro Edison Lobão disse que economizava energia e recomendou evitar o desperdício.
    Braga disse que os aumentos, principalmente por meio do novo sistema de bandeiras tarifárias, indicarão ao consumidor que esse recurso está mais escasso e que é preciso reduzir gastos.
    Para Braga, a redução do consumo e de gastos na área elétrica traz impactos positivos até sobre a tarifa.
    A pasta encara o atual ritmo hidrológico como fora do padrão, já que os reservatórios de água neste ano estão menores que em 2014. O ritmo das chuvas, porém, não estaria tão ruim quanto no ano passado, segundo Braga.
    AUMENTOS
    Os aumentos nas tarifas de energia no país ocorrerão neste ano por diversos motivos.
    Além do sistema de bandeiras tarifárias --que reflete o uso das usinas térmicas e eleva o preço da tarifa mensalmente para cobrir essa despesa adicional--, ainda há outras questões, como os empréstimos tomados em 2014 pelas distribuidoras.
    Os dois primeiros, já autorizados e gastos em sua totalidade, somam R$ 17,8 bilhões. Eles deviam ser repassados ao longo de dois anos. Mas, para diminuir o impacto na tarifa, o governo confirmou que estuda um parcelamento em prazo maior, para suavizar esses repasses.
    A operação ainda depende da aceitação de bancos públicos e privados.
    A desistência do Tesouro Nacional em colocar R$ 9 bilhões no fundo do setor elétrico é mais um motivo de pressão sobre as contas. Agora, todos os programas sociais e subsídios ao setor serão custeados via tarifa.
    Cabe destaque ainda o reajuste autorizado da energia de Itaipu, que subiu 46,14% e trará impactos para grande parte dos consumidores.
    Essa conta ficou tão alta que serão necessários dois reajustes tarifários em 2015. O percentual médio das elevações será anunciado na próxima terça-feira (20).

      17.12.14

      O problema elétrico

      Do Lauro Jardim

      13:29 \ Brasil

      O bilionário abacaxi elétrico

      Quem continua salvando o sistema elétrico do apagão – ou seja, da falta de luz na sua casa, no seu trabalho, na iluminação pública etc. – são as (caras e poluentes) termelétricas. Em dezembro, em pleno período de chuvas, portanto, ocorreram sete dos dez maiores recordes de acionamento das termelétricas.
      Esse acionamento já custou ao país 18,7 bilhões de reais até setembro. Mas faltam ainda 9 bilhões de reais relativos ao último trimestre do ano.
      Que abacaxi, hein, Joaquim Levy?…
      Por Lauro Jardim

      10.12.14

      Durante a campanha Dilma negava qualquer "tarifaço"

      Mas ele viria...
      Da Folha

      Novo rombo vai para conta de luz em janeiro

      Parte do buraco de R$ 3 bi será coberta por meio do aumento da tarifa do consumidor no início do ano que vem
      Governo vai usar o novo mecanismo da bandeira tarifária para antecipar o repasse do deficit do último bimestre de 2014
      JÚLIA BORBADE BRASÍLIA
      A solução que está sendo costurada pelo governo para cobrir o novo buraco bilionário do setor elétrico, estimado em R$ 3 bilhões, inclui um aumento de tarifas para o consumidor no curto prazo.
      A ideia, segundo o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Romeu Rufino, é fazer uso do dinheiro extra que será recolhido dos consumidores por meio de uma nova ferramenta, a bandeira tarifária, para cobrir parcialmente gastos das distribuidoras em aberto.
      Na prática, o governo usará uma receita que seria direcionada a novas despesas para cobrir uma dívida antiga.
      A pendência equivale ao gasto das distribuidoras com a compra extra de energia em novembro e neste mês. A operação foi necessária para manter o atendimento dos consumidores, já que os contratos atuais não seriam suficientes.
      Em outras palavras, se essas elétricas não recorressem ao mercado de curto prazo e comprassem eletricidade mais cara, seus consumidores deixariam de ser atendidos.
      O preço da energia no curto prazo está alto em razão da seca, que afetou o abastecimento das hidrelétricas, forçando um uso mais intensivo das usinas termelétricas, que são mais caras.
      A dívida das distribuidoras terá de ser quitada em janeiro e fevereiro. A data coincide com o início da vigência das bandeiras tarifárias, criadas para que o preço ao consumidor possa ser acrescido mensalmente de acordo com os custos correntes para atendimento da população.
      Assim, a cada mês em que as térmicas estiverem sendo usadas em larga escala, o consumidor verá uma indicação de bandeira vermelha ou amarela na fatura --que determinará o reajuste.
      Segundo a Aneel, nos meses em que essas bandeiras estiverem vermelhas em todo país, a arrecadação das distribuidoras será R$ 800 milhões superior --o que daria R$ 1,6 bilhão no primeiro bimestre.
      Caberia então ao governo encontrar uma solução para equacionar o restante da dívida, de R$ 1,4 bilhão.
      A questão é que, adotando essa saída, as despesas adicionais com as térmicas de janeiro e fevereiro não serão abatidas pelos recolhimentos adicionais mensais, como planejado inicialmente. O aumento do custo nos primeiros meses teria de ser repassado à frente, na época do reajuste tarifário, como feito hoje.
      As tarifas devem ter o impacto, ainda, de empréstimo de R$ 17,8 bilhões tomado pelas distribuidoras para fechar suas contas (com previsão de repasse em 2015 e 2016) e de pagamento de quase R$ 10 bilhões coberto pelo Tesouro e que deveria ir para a conta em cinco anos a partir de 2014.

      8.12.14

      Não vai faltar?

      Do Lauro Jardim

      7:21 \ Brasil

      No limite

      Termelétricas em ação
      Termelétricas em ação
      O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico praticamente desdenha qualquer possibilidade de faltar energia em 2015. De acordo com o comitê,  “o risco de qualquer déficit de energia em 2015, nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste é de 4,2% e 0,3%, respectivamente”
      Enquanto isso, na sexta-feira passada, foi registrado o recorde histórico de utilização de energia térmica no Brasil: 17 156 megawatts. O recorde anterior havia sido em 24 de novembro, quando foram acionados 17 068 MW.
      O que é mais preocupante no recorde de sexta-feira é que do total de 22 112 MW de capacidade instalada, havia 17 362 MW efetivamente disponíveis, pois 4 750 MW estavam em manutenção. Ou seja, a sobra de segurança foi de somente 206 MW.
      Por Lauro Jardim

      3.12.14

      O que resolve

      Da Folha

      Garoa ou temporal?

      Nem um nem outro; o melhor que pode ocorrer sobre as represasdo sistema Cantareira são chuvas moderadas e constantes por dias e dias, segundo os especialistas
      EDUARDO GERAQUEDE SÃO PAULO
      Nem garoa e, muito menos, fortes temporais.
      Pelo menos em um primeiro momento, o melhor que pode ocorrer sobre as represas e os rios do sistema Cantareira, principal abastecedor da Grande São Paulo, são chuvas moderadas durante horas.
      E, de preferência, repetidas todos os dias do mês.
      O problema é que os institutos de meteorologia, como a Somar, indicam que o verão não deve ter esse cenário ideal --por causa da seca, o Cantareira passa por sua pior crise; nesta terça (2), tinha 8,5% da capacidade, já contando o segundo volume morto.
      As previsões indicam que deve haver dias chuvosos seguidos de dias secos.
      Essa alternância é ruim, pois pode impedir que seja interrompido logo o chamado "efeito esponja" --como o solo está muito seco, as águas das chuvas não se acumulam.
      As chuvas de novembro colaboraram um pouco e molharam a "esponja", mas é preciso que elas continuem.
      A chuva, ao atingir o Cantareira, se divide em fluxos, explica Mateus Simonato, geólogo da USP. Segundo ele, parte da água evapora ao atingir o solo. Outra parte é captada pela (pouca) vegetação existente na região.
      Até por causa disso, temporais são ruins, porque aumentam a erosão, o que ajuda a entulhar rios e represas.
      O terceiro caminho é o que mais interessa. "A água que escoa pela superfície é a que atinge rios e reservatórios."
      Ou seja, é a parte da chuva que não faz nenhum dos dois primeiros trajetos que se infiltra e preenche a "esponja", diz Simonato. Só depois as represas começam a encher.
      Quanto mais chuvas moderadas e constantes, dia a dia, menor a chance de aquilo que ficou acumulado nos dias anteriores secar.
      As previsões também indicam que não vai chover fora das médias históricas. Isso significa que o acúmulo de água até abril não vai resolver a situação do Cantareira. A crise entra em 2015.
      Para que a situação se normalize --e os especialistas são unânimes nesse cálculo--, a única forma é chover de forma moderada, por muitos dias e sem parar, sobre a região das represas do Cantareira.

      18.11.14

      Secura

      Do Lauro Jardim, que escreve na Veja, mas usa  DADOS OFICIAIS

      8:21 \ Brasil

      Secura extrema

      reservatorio
      Cada vez menos água
      De acordo com dados do próprio governo, até domingo os níveis de armazenamento dosreservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% de toda a energia consumida no Brasil, estão com somente 16,6%.
      Para que os leitores tenham uma ideia precisa da gravidade da situação, no início do mês, esse percentual era de 19% e há uma semana, era de 17,3%. Ou seja, em somente quinze dias, os níveis baixaram 2,43%.
      Ressalte-se que, pelo calendário, o Brasil já está no período chuvoso. No entanto, esse índice está 6,5% abaixo daquele observado em pleno racionamento em 30 de novembro de 2001, mesmo estando todas as termelétricas acionadas e sendo responsáveis por 27% de toda energia consumida no país.

      5.11.14

      O apagão vem aí

      Da folha de hoje

      Verão pode trazer 'corte seletivo' de luz

      Para garantir que usinas estejam preparadas para pico de demanda, energia seria cortada durante madrugadas
      ONS fez alerta ao setor em reunião na última 5ª; para evitar medida, nível de reservatórios tem que chegar a 30%
      MACHADO DA COSTADE SÃO PAULOO Operador Nacional do Sistema (ONS) avisou na quinta-feira (30) a distribuidores e geradores que há risco de serem necessários cortes seletivos de energia para garantir o fornecimento durante os horários de pico, entre janeiro e fevereiro, quando há forte aumento no consumo de eletricidade.
      Para manter os reservatórios em nível seguro e evitar apagões nos horários de pico, as usinas deixariam de fornecer energia de madrugada. Os cortes afetariam grandes centros urbanos do Sudeste, como Rio, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Vitória.
      A medida pode ser necessária se as chuvas não forem suficientes para elevar os reservatórios ao nível de 30% em janeiro. Atualmente eles estão em 18,27%. No ano passado, neste período, estavam com 41,62% da capacidade.
      Durante reunião do Programa Mensal de Operação (PMO), Francisco José Arteiro de Oliveira, diretor de Planejamento e Programação da Operação do ONS, afirmou que o órgão precisaria operar as usinas hidrelétricas de forma a prepará-las para os horários com maior demanda.
      Para evitar quedas inesperadas do sistema, o ONS cortaria seletivamente parte do fornecimento na madrugada. Isso permite o aumento do volume de água nas represas.
      EM 2001
      A operação seria semelhante à planejada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso em 2001, quando os reservatórios encontravam-se em nível superior ao atual.
      Em novembro daque- le ano, o nível médio dos reservatórios do Sudeste estava em 23,04%.
      Em 2001, esse plano foi evitado por fortes precipitações entre novembro e dezembro, mas o governo não escapou de decretar o racionamento no ano seguinte.
      Isso porque, diferentemente do que ocorre hoje, as térmicas não complementavam a base do sistema elétrico.
      Procurado, o ONS não se pronunciou, mas sua assessoria confirmou que o alerta foi dado na reunião.
      O órgão espera um crescimento da demanda de energia da ordem de 5% em fevereiro, mês no qual são registradas as maiores demandas.
      Em 6 de fevereiro 2014, foi registrada a máxima histórica de consumo: no Sudeste, a demanda atingiu pico de 51.261 MW. Como comparação, no domingo (2), último dado disponível, o consumo atingiu 38.542 MW.
      Folha apurou que o órgão vem avisando o setor durante as reuniões há três meses e que sua preocupação aumentou recentemente.
      O ONS, porém, espera que ocorra um período chuvoso com volume normal de precipitações a partir da segunda quinzena deste mês, o que seria suficiente para atingir um nível seguro de operação dos reservatórios.
      A perspectiva é embasada por institutos meteorológicos contratados pelo operador, segundo o órgão.
      Caso em abril de 2015 as reservas hídricas do Sudeste alcancem nível próximo de 40%, o racionamento deverá ser descartado pelo ONS.

        30.10.14

        Racionamento chegando

        Do Lauro Jardim

        16:51 \ Brasil

        Nível de racionamento

        Reservatório no Sudeste: mais vazio
        Reservatório no Sudeste: mais vazio
        Os níveis dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas continuam baixando perigosamente.
        Nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, estão 2,2% abaixo do verificado em 31 de outubro de 2001, em pleno racionamento da era FHC.
        No Sul, os reservatórios estão 9,6% mais baixos também em comparação a 31 de outubro de 2001.
        Ah, se não fosse a estagnação da economia e as termelétricas, responsáveis por 27% de toda a energia consumida do Brasil… Estaríamos todos no escuro.
        Por Lauro Jardim

        12.8.14

        A crise da água

        Essa crise vai atrapalhar a vida de muita gente.
        O próximo governador vai ter que assumir tendo essa questão como prioritária, realizando investimentos maciços para assegurar o fornecimento da Grande São Paulo e do interior.
        O governo federal tem que se preocupar com a geração de energia. O Brasil está ficando perigosamente dependente das térmicas. Precisa diversificar sua matriz energética, acrescentando mais biomassa, mais eólicas e construindo aquelas hidroelétricas mais caras, no Norte do país, enfrentando a ira dos ambientalistas e artistas da Globo...
        E todos nós precisamos poupar água...
        Notícia da folha de hoje


        Verão será seco, dizem meteorologistas

        Aposta do governo de São Paulo contra crise hídrica, temporada terá chuva abaixo da média, segundo previsões
        Sabesp afirma que 'garante abastecimento de água' na região metropolitana até março do ano que vem
        CÉSAR ROSATIDE SÃO PAULO
        Aposta do governo do Estado para atenuar a crise de falta de água em São Paulo, a próxima temporada de verão deverá ter menos chuva do que a média histórica, segundo meteorologistas.
        Um estudo da Climatempo estima que, entre outubro deste ano e março de 2015, as precipitações no sistema Cantareira, que enfrenta uma estiagem inédita, poderão ser até 20% inferiores ao volume dos últimos dois anos.
        A meteorologista Maria Clara Sassaki, da Somar Meteorologia, também projeta um verão mais seco do que em condições normais --além do agravante de chuvas mal distribuídas nesse período.
        Essas previsões agravam a ameaça de esvaziamento das represas ao mesmo tempo em que a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) tem descartado a possibilidade de racionamento.
        O Cantareira abastece 8,8 milhões de moradores na Grande São Paulo e estava nesta segunda-feira (11) com somente 13,8% de sua capacidade --já incluindo a água do "volume morto" (do fundo das represas), que começou a ser usado em maio.
        'CENÁRIOS CRÍTICOS'
        Pelo estudo da Climatempo, a quantidade de chuva esperada deixaria esse reservatório com só 12% de sua capacidade no fim de março do ano que vem, quando começa a estiagem de inverno.
        Trata-se de patamar inferior ao registrado em 31 de março deste ano, quando ele estava com 13,4% do total.
        Questionada, a Sabesp (companhia estadual de abastecimento) diz que "garante o abastecimento de água na Grande São Paulo até março de 2015, quando o período de chuvas já deve ter resgatado boa parte dos reservatórios da região".
        A empresa paulista afirma que "esse cálculo é feito levando-se em conta os cenários mais críticos" e que ela trabalha "com dados estatísticos do que foi registrado no passado", "e não com previsão ou probabilidades".
        A Climatempo diz considerar a base de dados meteorológicos dos últimos anos e a média de consumo do morador atendido pelo manancial.
        Segundo a meteorologista Bianca Lemos, deverá chover em torno de 1.000 mm entre outubro e março, abaixo da média histórica de 1.300 mm.
        "Pode chover muito em um dia e nada em outros. O ideal para recuperar os reservatórios seria uma chuva constante, mais bem distribuída ao longo da temporada, algo que pode não ocorrer", diz a meteorologista Maria Clara Sassaki, da empresa Somar.
        O climatologista do CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Paulo Nobre preferiu não fazer uma projeção para a próxima temporada, mas diz que os índices pluviométricos têm caído em São Paulo ao longo dos últimos 40 anos.

        28.4.14

        O futuro já começou?

        Do Conjur

        SEGUNDA LEITURA

        Falta de água em São Paulo é a chegada do futuro?

        No ano de 1976 o diretor de cinema Nicolas Roeg lançou o filme O homem que caiu na Terra, com David Bowie, sobre um alienígena que deixa sua família para vir à Terra, com o objetivo de salvar o seu planeta do problema da absoluta falta d'água. Eles eram ricos mas não tinham mais água.
        No Brasil, as recentes noticias sobre a ausência de chuvas em São Paulo e a possibilidade de racionamento da água potável levam inevitavelmente à lembrança daquele clássico filme. Estamos vivendo o início de uma fase crítica na área dos recursos hídricos?
        Quem acompanha o assunto sabe que o ensaio dramático paulista, representado pelo colapso do Sistema Cantareira, não é único nem isolado. Muito embora tenhamos 13,7% da água doce do mundo, os problemas vêm se avolumando. Eles são seculares no Nordeste e agravam-se em outras regiões, por motivos diversos. Fiquemos no exemplo mais significativo. Manaus, localizada às margens do rio Negro e no meio da selva amazônica, sofre contínuos problemas por falta de água, sendo que em novembro de 2013, 80% da população ficou sem o líquido (leia mais aqui).
        Quando surge um problema de maior repercussão, como o abastecimento da cidade de São Paulo, as reações são sempre as piores. Procuram-se vilões, explora-se o fato politicamente com acusações pouco claras, mas com finalidade óbvia de obtenção de apoio popular, “descobre-se” que há perda de água por má conservação da tubulação, instaura-se inquérito civil para apurar responsabilidades e tudo volta à normalidade tão logo a chuva se encarregue de amenizar o risco. A situação é grave e deve ser encarada com mais razão e menos emoção.
        O primeiro passo é ter em mente que o problema não é apenas nacional, mas sim mundial. A falta e a disputa pela água têm gerado conflitos em todos os continentes. Em 1990, na Guerra do Golfo, o Iraque detonou os reservatórios de dessalinização de água do Kuwait e envenenou suas águas. Os Estados Unidos garantiram ao México 1,8 quilômetros cúbicos das  águas do Rio Colorado. Só que, ao chegarem ao México, elas estavam salgadas, obrigando os americanos a construir, em 1973, a caríssima Usina de Yuma para dessalinalizar a água destinada ao país vizinho. Sabe-se que “há anos, Israel e Síria disputam as Colinas de Golã, uma área de morros cobertos de gelo, mas que abriga as nascentes do Rio Jordão, fundamental para o abastecimento do Oriente Médio”.
        Não podemos dar solução aos problemas do globo terrestre. Todavia, podemos e devemos por obrigação constitucional com as futuras gerações (artigo 225), tentar pôr o problema sob controle a nível nacional. E isto deve ser feito conhecendo nossas falhas, reconhecendo que contribuímos todos para esta situação, por ação ou por omissão.
        Imaginemos sete pecados capitais: desperdício e má educação ambiental, problemas de tubulação, agricultura não sustentável, gratuidade, ausência de estímulos para economizar, aumento da população e ausência de sanções. Vejamos:
        1º) A educação ambiental está prevista na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que é de 1981. Mas avança muito lentamente. São quase inexistentes ONGs que zelem pela preservação da água. Poucos se insurgem contra o gasto excessivo como, por exemplo, a limpeza da calçada com jatos de alta pressão ao invés de uma simples vassoura. Por outro lado, o desperdício é enorme. Desde a ineficiência do Poder Público até o gasto inútil nas atividades diárias (p. ex., longos banhos).
        2º) Problemas de tubulação a gerar perda d´água são comuns, fruto do descaso administrativo. Referindo-se à empresa de saneamento de São Paulo, Sabesp, reportagem do jornal Estado de São Paulo apurou que “em 2013 a empresa perdeu 31´2% de toda a água produzida entre a estação de tratamento e a caixa d´água dos consumidores, conforme o Estado revelou em fevereiro. O índice representa cerca de 950 bilhões de litros...” (23.4.2014, A13).
        3º) A agricultura é necessária, precisamos todos de alimentos. Porém, é bom lembrar que a produção de apenas 1 quilo de trigo significa o gasto entre 500 e 4.000 litros de água. A plantação de arroz também importa em enorme consumo. Ora, sendo a água bem econômico de domínio público e não privado, não se compreende porque até hoje não foi cumprida a Lei 9.433 de 1997, que no art. 12 permite a sua cobrança.
        4º) Na linha do que foi dito no item anterior, apesar de ter valor econômico reconhecido pelo art. 1º, inc. II da Lei 9.433/97,  a água é grátis. E ninguém se anima a apresentar projeto de lei propondo a sua cobrança, porque seria impopular e traria reflexos nos votos da eleição subsequente. No entanto, não se valoriza aquilo que não se paga. Já chegou o momento de estabelecer-se o mínimo necessário a cada pessoa para suas necessidades e o que passar deste mínimo ser cobrado. Nesta linha, observe-se que a subtração de água é furto, ou seja, o crime previsto no art. 155 do Código Penal.
        5º) É preciso dar estímulo para a preservação de nascentes. Não basta processar aquele que não preserva as áreas de preservação permanente de seu imóvel. É preciso também dar-lhe algum tipo de vantagem. E isto já vem sendo feito por vários municípios. Por exemplo, em São José dos Pinhais, PR, os produtores rurais de Bacia do Rio Miringuava, desde que adotem as práticas do programa “Produtor de Água”, receberão valores que ser poderão superiores a R$ 20.000,00 anuais (Gazeta do Povo, 23.11.2013, p. 4). A propósito do tema, vide livro de Carlos Geraldo Teixeira, “Preservação de Nascentes – o pagamento por serviços ambientais ao pequeno ruralista provedor”, ed. Del Rey.
        6º) Aumento de população: o aumento ou a má distribuição da população também constitui um problema do Estado. Se os recursos naturais são os mesmos, é inevitável que o aumento descontrolado de pessoas em uma região, seja pela multiplicação natural ou pelo deslocamento, vai gerar problemas de consumo da água. Assistir impassível este fato é adiar um problema inevitável.
        7º) Ausência de sanções. O desperdício não deve ser tratado como mera falta de educação, mas sim ser objeto de sanção administrativa, quiçá penal em casos extremos. Por exemplo, o condomínio que não discrimina os gastos particulares de cada condômino deve ser sancionado com autuação administrativa. Isto certamente levaria o síndico a posicionar-se de forma enérgica e, consequentemente, a serem definidas as responsabilidades pelos gastos de cada habitação. Por outro lado, aqueles que em edificação urbana deixam de conectar seu imóvel ás redes de abastecimento de água e de esgoto, mesmo que notificados pela autoridade administrativa, devem ser responsabilizados criminalmente. A criminalização, ainda que apenada de forma branda e submetida ao Juizado Especial Criminal, terá efeito intimidatório.
        Em suma, o problema da falta d'água está posto, não é mais uma quimera de realização possível em 2025. Para enfrentá-lo é preciso disposição e criatividade. Não há uma solução única, mas sim várias a serem adotadas com determinação. Desde a cobrança (por exemplo, a Dinamarca) até soluções como a  “da remota vila de Baontha-Koyala, no noroeste da Índia. Seus habitantes não tinham uma gota d’água para beber até meados da década de 80. No final dos anos 90, recuperaram seus lençóis subterrâneos e o principal rio da região voltou a ter água. O que fizeram? Simples. Cavaram poços no quintal das casas para recolher água de chuva. É o óbvio. Mas ninguém havia feito antes” (Cláudio Ângelo e outros; para ler, clique aqui).  

        7.4.14

        DEsculpem a insistência nesse tema do racionamento

        Mas parece inevitável.
        Do Lauro Jardim

        Ardil eleitoral

        Escondendo o jogo
        Sem munição para os adversários
        Nas discussões internas da campanha de Dilma Rousseff o fantasma do racionamento é afastado com uma lógica cruel: se for inevitável, só virá em novembro, depois das eleições.
        Por Lauro Jardim

        27.3.14

        Racionamento

        Do Lauro Jardim

        A recusa do governo em falar do problema só torna pior o momento de enfrentá-lo mais à frente.


        8:24 \ Economia

        As multinacionais e o racionamento

        Imagem de apagão em Recife: será que vem mais por aí?
        Americanos: racionamento vem em 2014
        Executivos de empresas americanas – todos pesos-pesados dos setores de energia e infraestrutura -  reunidos anteontem no Hotel Unique, em São Paulo, foram unânimes em apontar que o racionamento vem neste ano.
        Só não cravaram se a medida seria tomada antes ou depois das eleições. A embaixadora americana no Brasil, Liliana Ayalde, participou do evento.
        Por Lauro Jardim

        17.3.14

        Racionamento? Esgotamento!!!

        Do Estadão de hoje, 17 de março.

        Para comitê, manancial que abastece Cantareira estará esgotado na Copa

        Na estimativa anterior, previsão era que, se a estiagem fosse tão grave quanto à histórica de 1953, água acabaria em agosto. Novo cenário pressiona Sabesp a instalar equipamentos para captação do ‘volume morto’ – reserva estratégica nunca utilizada

        17 de março de 2014 | 1h 00

        Fabio Leite - O Estado de S. Paulo
        Diante de uma estiagem bem mais severa do que a pior já registrada na história, o comitê anticrise que monitora a situação do Sistema Cantareira antecipou para julho – mês da Copa do Mundo – a previsão de esgotamento do chamado "volume útil" do manancial que abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas. Na estimativa anterior, feita há quase um mês, o grupo afirmava que se a seca fosse tão grave quanto à de 1953 a água acabaria em agosto.
        Jacareí, que integra Sistema Cantareira, está com menos de 15% de sua capacidade - Robson Fernandjes/Estadão
        Robson Fernandjes/Estadão
        Jacareí, que integra Sistema Cantareira, está com menos de 15% de sua capacidade
        O novo cenário pressiona ainda mais a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a instalar os equipamentos necessários para captar a água do chamado "volume morto" do Sistema Cantareira. Trata-se de cerca de 400 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios, uma reserva estratégica nunca utilizada. A Sabesp informou que iniciará a operação em maio, dois meses antes do possível fim do "volume útil", que é a quantidade represada acima do nível das bombas.
        Em fevereiro, após determinação da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), que lideram o comitê anticrise, a Sabesp contratou duas empresas por R$ 52 milhões para realizarem obras emergenciais para uso do "volume morto" nas represas Jaguari e Jacareí, em Joanópolis, e Atibainha, em Nazaré Paulista. As duas primeiras são consideradas o coração do Cantareira e armazenam 82% da água do manancial, mas estão com apenas 9,4% da capacidade.
        A companhia também comprou 17 bombas flutuantes por R$ 5,3 milhões de uma empresa de Santa Catarina, além de tubos, cabos, painéis e geradores. O custo total da operação é estimado em R$ 80 milhões. Desde o início de março, o uso do "volume morto", que antes era tratado como eventual, tornou-se inevitável para que o racionamento não seja generalizado.
        Parâmetros. As perspectivas ficaram mais pessimistas porque a seca atual do Cantareira é mais crítica que a de 1953, até então a pior da história e que servia de parâmetro para os técnicos dos governos estadual e federal. Desde janeiro deste ano, a quantidade de água que entrou nos reservatórios do Sistema Cantareira corresponde a 15% da média histórica, mesmo com a volta das chuvas neste mês. Em 1953, o pior índice foi o de janeiro: 39%.
        Naquele ano, a vazão média de água que abastecia as represas oscilou entre 24,5 mil litros e 26,7 mil litros por segundo no primeiro trimestre. Em fevereiro deste ano, a vazão foi de apenas 8,5 mil litros e neste mês estava em 15,2 mil litros até sexta-feira, ou seja, 43% menor do que a pior média registrada.
        Por outro lado, no mesmo período, a quantidade de água liberada para abastecer cerca de 14,3 milhões de pessoas das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas foi de 29,7 mil litros por segundo, ou seja, déficit de 14,5 mil litros por segundo. O pior é que até agora nenhuma das medidas anunciadas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) foi suficiente para brecar a queda do "volume útil" do Sistema Cantareira, que ontem caiu mais um pouco, chegando a 15,2% da capacidade.
        Outras estratégias. Quando a Sabesp lançou o plano que dá desconto de até 30% na conta para quem reduzir ao menos 20% do consumo, o sistema estava com 21,9% da capacidade. A partir de então, o governo de São Paulo passou a adotar uma série de estratégias.
        Primeiro, começou a remanejar água das Bacias do Alto Tietê e Guarapiranga para 3 milhões de pessoas antes abastecidas pelo Cantareira. Em seguida, contratou uma empresa por R$ 4,5 milhões para produzir chuva artificial sobre os reservatórios que estão secos, liberou a exigência de gasto mínimo dos grandes consumidores e reduziu em 10% a vazão máxima para a Grande São Paulo. Na última semana, o governo de São Paulo cortou em 15% a quantidade de água vendida para São Caetano e Guarulhos – essa última cidade anunciou que promoveria racionamento por falta de água para distribuir à população.

        O dilema da água e da energia

        Do Lauro Jardim

        9:31 \ Brasil

        Chuva não cai e governo libera maior acionamento das termelétricas

        A todo vaporA todo o vapor
        A semana inicia com um volume recorde de participação das termelétricas no total de energia gerado no Brasil: 28%. O governo autorizou um volume do tipo “nunca antes visto na história do país”: 17 872 megawatts médios para esta semana.
        Paulatinamente está aumentando cada vez mais a participação das termelétricas no parque gerador. A conta do acionamento das térmicas já está em 22 bilhões de reais.
        A realidade é que a primeira metade de março não choveu o que se espera para melhorar a situação.
        Por Lauro Jardim