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20.3.15

Uma boa matéria sobre o problema da água

DA Revista Brasileiros

“Estamos preparando medidas emergenciais”, diz Américo Sampaio

Novo coordenador da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo está ciente de que falha na comunicação com a sociedade no tocante à oferta de água
Américo Sampaio fala à Brasileiros - Foto: Luiza Sigulem
Américo Sampaio fala à Brasileiros – Foto: Luiza Sigulem
A maior parte das iniciativas do governo, que se diz pego de surpresa pela estiagem, para contornar a escassez hídrica ainda está em fase de preparação. Os cidadãos podem dormir sossegados? “Não. Mas não acredito em êxodo populacional, nem em colapso da economia, porque nós estamos preparando medidas emergenciais”, diz Américo Sampaio, o novo coordenador de Saneamento do órgão.
“Todos nós estamos muito preocupados”, afirma o executivo. O nível do Sistema Cantareira melhorou, “mas não ao ponto de deixar a população tranquila”. O que pode ser feito a partir de agora? “Não acredito em artifícios técnicos para que chova mais em regiões estratégicas. A priori, descartamos o bombardeamento de nuvens, por exemplo, por não ser uma medida eficaz.”
Segundo Sampaio, há dois flancos que estão sendo contemplados. O primeiro é a gestão da oferta. Nesse aspecto, a secretaria prepara um pacote de ações para enfrentar o próximo inverno, “que será o momento mais crítico”. A partir da segunda quinzena de março, as chuvas começam a se reduzir substancialmente e haverá três ou quatro meses de pouco volume de precipitação. Nesse período, é preciso haver água acumulada para suprir a demanda. Isso explica o manejo de pressão que tem sido feito pela Sabesp.
No âmbito das ações emergenciais, o Estado está também concentrado em trazer água de novas fontes ainda não exploradas e fazer o saneamento do estoque da represa Billings. Além disso, há ações de médio e longo prazo. O Sistema Produtor São Lourenço está sendo construído por meio de parceria público-privada e deve ficar pronto em dois anos. Quando concluído, o novo complexo terá capacidade de tratar 4,7 mil litros de água por segundo para atender à Região Metropolitana de São Paulo. A água será retirada da Cachoeira do França, em Ibiúna, e percorrerá a distância de 83 quilômetros.
A Sabesp lançou ainda no dia 30 de janeiro o edital para a transposição entre a Represa Jaguari,da Bacia do Paraíba do Sul, e Atibainha, da Bacia do Sistema Cantareira. A vazão média será de 5,13 mil litros por segundo, e a obra deverá estar pronta em um ano e meio.
Entre as possibilidades aventadas por alguns especialistas – como a dessalinização da água do mar –, Sampaio não expressa muito otimismo. “Dessalinizar tem um custo menor hoje, mas ainda é caro. Além disso, exige um uso muito intensivo de energia elétrica para trazer a água para o planalto”, afirma. Para ele, a saída é viável apenas para regiões costeiras. Daí por que não está nos planos atuais do governo
Do lado da demanda, o primeiro passo – ao que tudo indica, já está acontecendo – é a conscientização do consumo, ainda muito elevado para padrões internacionais. “Aqui, o consumoper capita de água é acima de 200 litros por dia. Poderia chegar a 100 litros, como muitos países europeus”, diz o executivo.
Para o médio e longo prazo, objetivo é substituir maciçamente os aparelhos sanitários, “porque eles estão velhos. As antigas caixas contêm 16 litros; hoje há de seis. Também é preciso substituir chuveiros e torneiras”.
Para incentivar as pessoas a fazerem essa substituição, o governo estuda diversas iniciativas: a redução de IPTU quando há economia de água, já está sendo elaborado por um programa chamado IPTU Verde, e a isenção de ICMS dos aparelhos mais econômicos. Uma terceira forma seria pagar os vasos, torneiras e chuveiros para a população menos favorecida. “A custo zero, o governo entrega o bem novo e manda o velho para a reciclagem.”
Esses programas, segundo o especialista, deverão estar prontos até o fim de março. As negociações estão em curso com os vários atores envolvidos: prefeitura, Fiesp e Sinduscon, entre outros. “Isso foi feito em Nova York e na Cidade do México. Os resultados, evidentemente, levam de um a três anos.” Uma última iniciativa seria o controle mais incisivo de perdas. Hoje, o desperdício na Sabesp está acima de 30% de perda total. Em termos reais, que são os vazamentos, é de 20%. No Japão, esse indicador baixou a 8%. “Aqui, chegar a 16% seria uma coisa muito boa.” Para alcançar esse intento, a Sabesp vai investir R$ 5,9 bilhões em cinco anos.
No desespero, muitos habitantes e estabelecimentos comerciais estão construindo seus próprios poços e cisternas, o que feito atabalhoadamente preocupa o engenheiro. Isso porque é preciso observar regras mínimas de salubridade. Há riscos também de rebaixamento do solo e contaminação da água. “Sou entusiasta das iniciativas, mas tem de fazer com acompanhamento técnico, porque pode haver problemas sanitários, como o surgimento do mosquito que transmite a dengue.” O Estado não prevê lançar um programa de cisternas, aos moldes do bem-sucedido projeto feito no Nordeste. São necessários muitos estudos, de longa duração, e “nós fomos atropelados pela seca”, diz Sampaio.
Em um cenário-limite, em que pare de chover, o governo tem um plano efetivo de gestão de crise? Sampaio responde que foi instalado há pouco tempo um comitê anticrise, do qual participam o Estado, municípios e entidades da sociedade civil. A primeira ideia do plano de contingência é garantir água para hospitais, escolas e penitenciárias. Mas, “infelizmente”, o plano está atrasado; ainda está sendo elaborado, afirma o executivo. Também preocupa o gestor um eventual aumento de doenças, caso a qualidade da água seja muito ruim ou não haja mesmo uma gota para o saneamento básico da população.
Indagado por que o governo não implementa um rodízio formal, Sampaio defende que é melhor ter pressão baixa do que nenhuma água. Mas faz um mea-culpa: “É preciso comunicar os benefícios de forma mais clara para a população. Por isso, estamos preparando um plano de comunicação melhor”.
Como exemplo de excelente gestão, Sampaio volta a citar a cidade de Nova York, que implantou um projeto para a água em 1996. Por meio do programa Pagamento de Serviços Ambientais, a Prefeitura foi até as nascentes e pagou para seus proprietários reflorestar as regiões e ter boas práticas, visando melhorar a qualidade de água. Ou seja, investiu nos mananciais. “É disso que precisamos e também melhorar o tratamento do esgoto. Nossos rios não estão limpos não porque sejamos sádicos. Os recursos de investimento são escassos e têm de ser divididos com saúde e educação, por exemplo.”
Já quanto ao modelo da Sabesp, que abriu capital e tem ações negociadas nas bolsas de São Paulo e Nova York, o executivo diz que os seus defensores alegam que a produtividade da companhia aumenta, uma vez que supostamente está blindada de interesses políticos. Sobre a distribuição generosa de dividendos aos acionistas, ele não quis opinar, por não ser sua área.
A forma holística como Sampaio pensa o Estado vai além. Para ele, tudo começa com o planejamento de uso e ocupação do solo. “Não adianta trazer água e não controlar o crescimento populacional de São Paulo, nem as invasões em áreas de mananciais.”
O Sistema Cantareira algum dia voltará a ser como antes? Para ele, sim. Isso poderá acontecer em quatro ou cinco anos, a depender das condições climáticas e um reflorestamento bem planejado, com espécimes vegetais adequadas para aumentar a quantidade da água.

12.3.15

Apaga a luz!!!

Da Folha

Nível dos reservatórios ainda preocupa

Apesar das chuvas de fevereiro, 17 das 28 principais reservas de hidrelétricas têm níveis inferiores aos de 2014
Para especialistas, situação do setor é grave e deve piorar em abril, quando termina o período chuvoso
MARCELO TOLEDODE RIBEIRÃO PRETOApesar das chuvas em fevereiro, a maioria dos reservatórios do país está com volume inferior ao registrado há um ano, situação que deve se agravar nos próximos meses, historicamente secos.
Dos 28 principais reservatórios, 17 estão com níveis de água inferiores aos de março de 2014, dez deles no Sudeste. Em nove, a água não ocupa nem 20% do volume máximo das represas.
Furnas, o maior da região Sudeste/Centro-Oeste, tinha na terça-feira (10) só 13,96% de sua capacidade ocupada por água. Esse é um dos reservatórios que preocupam o governo, que tem feito a redistribuição de energia usando recursos gerados no Norte e no Sul para minimizar o impacto da seca.
Outros dois --Ilha Solteira e Três Irmãos-- já operam abaixo do volume mínimo.
A situação dos reservatórios é grave, na avaliação de especialistas, e o problema deve piorar em abril, quando termina o período chuvoso.
"Os reservatórios são uma poupança de água, e hoje estão vazios. Precisamos de fontes alternativas e, não fosse o baixo crescimento da indústria, já estaríamos num colapso", diz Jefferson Nascimento de Oliveira, docente do departamento de engenharia da Unesp de Ilha Solteira.
Para José Luz Silveira, da Unesp de Guaratinguetá, coordenador do laboratório de otimização de sistemas energéticos e de estudos de pesquisa em bioenergia, se as chuvas ficarem acima da média histórica, ainda serão necessários dois anos para que as represas voltem ao normal.
"O governo não vai conseguir chuva para recuperar esse volume. Tem de investir imensamente em termelétrica, cujos prazos de construção e concepção são mais curtos. A energia vai ficar mais cara, mas, se não fizer isso, não haverá água para gerar."
ALTERNATIVAS
Entre as alternativas citadas pelos especialistas para reduzir a dependência de hidrelétricas estão o uso de energia eólica e da gerada pela biomassa, a partir da cana-de-açúcar, além da proveniente de estações de tratamento de esgoto e aterros.
Para Oliveira, o governo tenta evitar o racionamento com medidas que não devem ser suficientes para evitar o agravamento da crise.
"A combinação de fatores, como importar mais energia e reduzir geração no país, pode elevar o nível de reservatórios, mas é preciso rezar para chover e contar com as condições meteorológicas."
Além do deficit hídrico e do risco de desabastecimento, a seca também gera prejuízos aos municípios banhados por represas de hidrelétricas.
Com as usinas gerando menos energia, o repasse referente ao ICMS cairá. Os municípios também perdem a compensação financeira recebida em virtude da área alagada para as represas.

    4.2.15

    Tarifa da energia será mais cara

    O assunto desperta meu interesse há tempos. Por isso, segue mais uma notícia, vinda da Folha de hoje.

    TARIFAÇO

    Bandeira tarifária vai ficar mais cara

    Sistema que permite repasse mensal de custos ao consumidor também será revisto; valores não foram definidos
    Aumento de 26% independe de reajuste anual; no caso dos clientes da Eletropaulo, alta acontece em julho
    JULIA BORBADE BRASÍLIAO consumidor começou a conhecer o peso da conta de luz no seu bolso. A Aneel (agência reguladora do setor) estimou que as tarifas de energia terão, em média, um reajuste extraordinário de 19,97% (Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e de 3,89% (Norte e Nordeste) até março.
    Esse aumento servirá para cobrir as despesas do setor elétrico atreladas ao fundo CDE, que não vai mais receber repasses do Tesouro. O governo previa gastar R$ 9 bilhões em 2015 com o fundo, responsável por fazer todos os pagamentos de programas sociais e subsídios tarifários.
    Para clientes do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, ainda haverá outro aumento, o da energia mais cara vinda de Itaipu e que também entrará no reajuste extraordinário.
    Por isso, para essas regiões, o reajuste seria, em média, de 26%. O percentual de cada empresa será definido posteriormente.
    Essa alta de 26% é independente do reajuste anual, que segue calendário programado da Aneel e que leva em consideração, por exemplo, os efeitos da inflação.
    Para os clientes da Eletropaulo, que atende 20 milhões na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, esse reajuste ocorre em julho.
    Além disso, as bandeiras tarifárias, sistema adotado a partir deste ano que permite que flutuações nas despesas com contratação de energia das usinas térmicas (mais cara) sejam repassadas mensalmente aos consumidores, também serão revistas e devem trazer novos aumentos.
    De acordo com a Aneel, os valores atuais, de R$ 3 ou
    R$ 1,5 a cada 100 kWh consumidos, não são suficientes para trazer para o consumidor o que eles chamam de "realismo tarifário".
    Para a agência, outros custos que variam mês a mês no setor elétrico também precisam ser incorporados, como a compra extra de energia.
    A Aneel prevê que a mudança, que trará aumentos para os valores atuais, passe a vigorar em março. Ela não estimou o impacto do aumento.
    Tanto os percentuais para o pagamento da conta do setor elétrico neste ano (CDE) quanto as mudanças sobre o sistema de bandeiras terão de passar por audiência pública ainda neste mês.
    CÁLCULOS
    Para chegar ao valor de gastos previsto para a CDE neste ano, a Aneel estimou as despesas totais do fundo em R$ 25,9 bilhões, valor que cai para R$ 21,8 bilhões com receitas ordinárias do setor.
    Diante do tamanho do impacto previsto da revisão extraordinária sobre a tarifa, a Aneel pretende contabilizar, ao mesmo tempo, algumas medidas que têm efeito positivo sobre as tarifas.
    Entre elas está a contabilização da energia mais barata que virá com a entrega de concessões que não aceitaram renovar seus contratos em 2012.
    A agência reguladora não deu uma estimativa do impacto dessas iniciativas.

      26.1.15

      Isso pode resolver

      Do jornal carioca "O dia", de domingo, 25/1/15

      Água do mar pode ser a solução contra a crise hídrica

      A dessalinização é uma das alternativas que alguns países encontraram para suprir a falta d’água. Mas, no Brasil, técnica ainda é usada em pequena escala

      O DIA
      Rio - A crise hídrica que afeta São Paulo nos últimos meses e ameaça chegar ao Rio em breve trouxe o abastecimento e uso da água para o centro do debate no Brasil. Com os reservatórios em mínimas históricas, o país poderia se espelhar no exemplo de outras nações que enfrentaram a falta de água com investimentos na dessalinização da água do mar para consumo.
      A técnica, criada na década de 1960, capta a água salgada e, através do processo de osmose reversa, um sistema de filtros retira as moléculas de sal e impurezas da água, tornando-a própria para o uso. Também são adicionados produtos químicos para deixar o gosto agradável.
      Fernando de Noronha: desde 2011, uma usina abastece os moradores do arquipélago com água do mar
      Foto:  Haroldo Palo / Agência O Dia
      O Brasil já faz uso da dessalinização em pequena escala. Desde 2011, uma usina abastece os 2.600 moradores do arquipélago de Fernando de Noronha com água do mar. Também há projetos em andamento em nove estados, como Ceará, Pernambuco e Bahia.
      O método vem crescendo rapidamente e já há cerca de 15 mil usinas instaladas em mais de 25 países, especialmente no Oriente Médio, como o Catar. Somente nos últimos 30 anos, a produção de água dessalinizada passou de oito para 60 milhões de metros cúbicos por dia. Estados Unidos, Espanha e China também utilizam a técnica.
      Porém, o país que mais investe nessa modalidade de uso da água é Israel que, em 2010, inaugurou a maior usina do mundo, localizada na cidade de Hadera. Apenas com sua produção é possível abastecer um sexto da população. “Uma megausina de dessalinização trará uma era de água abundante e acessível para o mundo”, disse à época Avshalom Felber, diretor da IDE Technologies, empresa responsável pela construção da usina.
      Projetos enfrentam críticas
      Apesar de ser a aposta de muitos países para enfrentar a falta de água, o método de dessalinização também é alvo de questionamentos quanto à sua sustentabilidade e garantia de manutenção pelas próximas décadas.
      Dessalinização seria a solução para a crise hídrica
      Foto:  Arte O Dia
      Entre as críticas aos massivos investimentos que nações como Israel, China e Emirados Árabes Unidos têm feito, estão a extinção da vida marinha na área de captação e a poluição das águas por reagentes químicos.
      Peixes pequenos e microorganismos marinhos, como o plâncton, acabam sendo sugados pelas usinas e mortos nos filtros. Já a poluição das águas se dá pois: ao final do processo de dessalinização as moléculas de sal e os produtos químicos utilizados são despejados de volta no mar, o que pode impedir que a água volte a ser usada.

      15.1.15

      Tem que economizar

      DA Folha de hoje

      Ministro cita a seca de São Paulo e recomenda economia de energia

      Novo titular de Minas Energia diz que não há racionamento, mas que eletricidade está cara
      Com empréstimos no ano passado e fim da injeção do Tesouro, conta deve ter dois reajustes neste ano
      JÚLIA BORBADE BRASÍLIAO ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) recomendou nesta quarta-feira (14) que os consumidores de todo o país reduzam o consumo de energia elétrica. "Não é racionamento. Nós temos energia. Ela existe, mas é cara", disse.
      O alerta foi feito no mesmo dia em que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu que há racionamento de água em São Paulo desde o ano passado.
      "Do mesmo jeito que estamos vendo a realidade em São Paulo, em que o consumidor está tendo que reduzir gasto de água porque há problema hídrico, o setor elétrico está sendo vítima do ritmo hidrológico", disse Braga.
      Em 2014, enquanto especialistas recomendavam racionamento ou campanhas de racionalização, o então ministro Edison Lobão disse que economizava energia e recomendou evitar o desperdício.
      Braga disse que os aumentos, principalmente por meio do novo sistema de bandeiras tarifárias, indicarão ao consumidor que esse recurso está mais escasso e que é preciso reduzir gastos.
      Para Braga, a redução do consumo e de gastos na área elétrica traz impactos positivos até sobre a tarifa.
      A pasta encara o atual ritmo hidrológico como fora do padrão, já que os reservatórios de água neste ano estão menores que em 2014. O ritmo das chuvas, porém, não estaria tão ruim quanto no ano passado, segundo Braga.
      AUMENTOS
      Os aumentos nas tarifas de energia no país ocorrerão neste ano por diversos motivos.
      Além do sistema de bandeiras tarifárias --que reflete o uso das usinas térmicas e eleva o preço da tarifa mensalmente para cobrir essa despesa adicional--, ainda há outras questões, como os empréstimos tomados em 2014 pelas distribuidoras.
      Os dois primeiros, já autorizados e gastos em sua totalidade, somam R$ 17,8 bilhões. Eles deviam ser repassados ao longo de dois anos. Mas, para diminuir o impacto na tarifa, o governo confirmou que estuda um parcelamento em prazo maior, para suavizar esses repasses.
      A operação ainda depende da aceitação de bancos públicos e privados.
      A desistência do Tesouro Nacional em colocar R$ 9 bilhões no fundo do setor elétrico é mais um motivo de pressão sobre as contas. Agora, todos os programas sociais e subsídios ao setor serão custeados via tarifa.
      Cabe destaque ainda o reajuste autorizado da energia de Itaipu, que subiu 46,14% e trará impactos para grande parte dos consumidores.
      Essa conta ficou tão alta que serão necessários dois reajustes tarifários em 2015. O percentual médio das elevações será anunciado na próxima terça-feira (20).

        3.12.14

        O que resolve

        Da Folha

        Garoa ou temporal?

        Nem um nem outro; o melhor que pode ocorrer sobre as represasdo sistema Cantareira são chuvas moderadas e constantes por dias e dias, segundo os especialistas
        EDUARDO GERAQUEDE SÃO PAULO
        Nem garoa e, muito menos, fortes temporais.
        Pelo menos em um primeiro momento, o melhor que pode ocorrer sobre as represas e os rios do sistema Cantareira, principal abastecedor da Grande São Paulo, são chuvas moderadas durante horas.
        E, de preferência, repetidas todos os dias do mês.
        O problema é que os institutos de meteorologia, como a Somar, indicam que o verão não deve ter esse cenário ideal --por causa da seca, o Cantareira passa por sua pior crise; nesta terça (2), tinha 8,5% da capacidade, já contando o segundo volume morto.
        As previsões indicam que deve haver dias chuvosos seguidos de dias secos.
        Essa alternância é ruim, pois pode impedir que seja interrompido logo o chamado "efeito esponja" --como o solo está muito seco, as águas das chuvas não se acumulam.
        As chuvas de novembro colaboraram um pouco e molharam a "esponja", mas é preciso que elas continuem.
        A chuva, ao atingir o Cantareira, se divide em fluxos, explica Mateus Simonato, geólogo da USP. Segundo ele, parte da água evapora ao atingir o solo. Outra parte é captada pela (pouca) vegetação existente na região.
        Até por causa disso, temporais são ruins, porque aumentam a erosão, o que ajuda a entulhar rios e represas.
        O terceiro caminho é o que mais interessa. "A água que escoa pela superfície é a que atinge rios e reservatórios."
        Ou seja, é a parte da chuva que não faz nenhum dos dois primeiros trajetos que se infiltra e preenche a "esponja", diz Simonato. Só depois as represas começam a encher.
        Quanto mais chuvas moderadas e constantes, dia a dia, menor a chance de aquilo que ficou acumulado nos dias anteriores secar.
        As previsões também indicam que não vai chover fora das médias históricas. Isso significa que o acúmulo de água até abril não vai resolver a situação do Cantareira. A crise entra em 2015.
        Para que a situação se normalize --e os especialistas são unânimes nesse cálculo--, a única forma é chover de forma moderada, por muitos dias e sem parar, sobre a região das represas do Cantareira.

        18.11.14

        Secura

        Do Lauro Jardim, que escreve na Veja, mas usa  DADOS OFICIAIS

        8:21 \ Brasil

        Secura extrema

        reservatorio
        Cada vez menos água
        De acordo com dados do próprio governo, até domingo os níveis de armazenamento dosreservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% de toda a energia consumida no Brasil, estão com somente 16,6%.
        Para que os leitores tenham uma ideia precisa da gravidade da situação, no início do mês, esse percentual era de 19% e há uma semana, era de 17,3%. Ou seja, em somente quinze dias, os níveis baixaram 2,43%.
        Ressalte-se que, pelo calendário, o Brasil já está no período chuvoso. No entanto, esse índice está 6,5% abaixo daquele observado em pleno racionamento em 30 de novembro de 2001, mesmo estando todas as termelétricas acionadas e sendo responsáveis por 27% de toda energia consumida no país.

        7.9.14

        Isso não será mais coisa de país árabe

        Como eu dizia para um amigo ainda outro dia, nosso caminho será esse.
        Da Folha de hoje

        Dessalinização é alternativa para abastecer 9 Estados

        Especialistas dizem que tecnologia usada no Nordeste poderia ser opção para cidades litorâneas de São Paulo
        Técnica consiste em tornar potável a água do mar ou a de poços, com menor concentração de sal
        ARTUR RODRIGUESHELOISA BRENHADE SÃO PAULO
        Desde que o açude secou há dois anos, não sai uma gota das torneiras da comunidade Columinjuba, em Maranguape (CE). A única água potável é a que vem dos poços, recolhida em baldes ou galões após passar pela máquina dessalinizadora.
        Enquanto São Paulo investe em buscar água de reservas cada vez mais distantes, a dessalinização é alternativa já adotada ou em fase de implantação em pelo menos nove Estados brasileiros.
        Com o barateamento da tecnologia, especialistas dizem que a técnica é uma opção de abastecimento válida para todo o Brasil.
        A tecnologia é utilizada principalmente na região Nordeste, onde são instalados sistemas para purificar a água salobra (com concentrações de sal menores que a do mar) do subsolo. No arquipélago de Fernando de Noronha, a água é retirada diretamente do mar.
        O método usado em ambos os casos é a chamada osmose inversa, em que a água passa por um sistema de membranas. O sal e as impurezas ficam retidas, enquanto a água sai pronta para se beber.
        Em Columinjuba, cada pessoa tem direito de encher dois garrafões de 20 litros, duas vezes por semana. A água é usada para beber e cozinhar --o líquido para outros usos chega por meio de caminhão-pipa. "Se não fosse por isso, a gente não tinha o que beber", diz Marcelo Gonçalves, 39, que há seis anos opera o dessalinizador.
        O programa de dessalinização brasileiro começou a ganhar força na década de 1990, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PDSB). Nas gestões dos petista Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, foi ampliado. Hoje, o programa Água Doce beneficia 100 mil pessoas em todo o país. A meta é atender 2,5 milhões até 2019.
        O coordenador do programa, Renato Saraiva, afirma que por enquanto o foco é o Nordeste porque a formação geológica do semiárido faz com que a água adquira as características das rochas da região, tornando-se salobra.
        O Estado de São Paulo ainda não tem nenhum projeto para adotar a alternativa. Porém, para o responsável pelo Laboratório de Referência em Dessalinização da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), o professor Kepler Borges, nada impede que a técnica seja utilizada.
        "A dessalinização poderia atender principalmente as cidades que ficam próximas à costa, o que vem sendo feito em todo o mundo", diz.
        Após um estudo sobre o potencial hídrico da região, afirma ele, a água poderia ser retirada diretamente do mar ou de lençóis subterrâneos próximos, onde o líquido tem menos sal devido à ação de filtragem feita pela areia.
        França admite que a dessalinização é mais cara do que os métodos mais comuns. Porém, diz, o custo depende muito da distância entre o local de produção da água e o que será abastecido.
        Bombear a água do litoral para a Grande São Paulo sairia caro. Mas a dessalinização poderia abastecer o Rio de Janeiro ou o litoral paulista, com problemas frequentes de falta de água na alta estação.
        CUSTO
        Entidades internacionais divulgam que o metro cúbico da água dessalinizada custa entre U$ 0,50 e U$ 1. Quem mais adota essa solução são países ricos e com poucas opções, como Arábia Saudita.
        As membranas utilizadas estão ficando mais baratas. Hoje, um dos principais custos do sistema é o com energia para bombear a água.
        No entanto, já existem alternativas para baratear esses gastos, diz Renato Saraiva, do projeto Água Doce.
        "Com certeza vamos caminhar para uso da água do mar não só para cidades litorâneas, mas também para sistemas produtivos", afirma. "Mas, para isso, temos que avançar no uso de energias como a eólica e solar."