2.5.12

Uma vida no cárcere

Como estava viajando, só vi esta excelente matéria hoje. Saiu domingo, no Estadão.



Chico aos pedaços

Tratado ora como criminoso comum, ora como portador incapaz, Chico Picadinho completa 70 anos de idade - 43 deles atrás das grades - e é motivo de queixa contra a Justiça brasileira na OEA

29 de abril de 2012 | 3h 07
O Estado de S.Paulo
IVAN MARSIGLIA
Há décadas a viagem se repete. Um senhor magro e de gestos ágeis que não denunciam seus 70 anos percorre 130 km de rodovia antes de atravessar o portão de ferro que conduz ao interior do complexo. Ele conhece o procedimento. Diante da funcionária, tira o cinto, os sapatos e passa pelo detector de metais. É conduzido a uma segunda porta, gradeada, que abre e fecha a sua passagem. Um lance de escadas e chega à terceira porta, onde um segundo funcionário fala ao interfone antes de deixá-lo seguir. Só então entra na sala ampla, com uma única mesa e duas cadeiras no centro. Aguarda em silêncio a chegada do outro. Magro e grisalho como ele, entra acompanhado, com as mãos juntas. É a primeira visita em mais de um ano do único amigo que restou a Francisco Costa Rocha - o Franrocha, na caligrafia delicada com que assina suas cartas, ou Chico Picadinho, no apelido que jamais perdeu entre os colegas do presídio de segurança máxima.
A relação entre esses dois homens há muito deixou de ser profissional. Flávio Markman, criminalista paulistano de estatura análoga a seu 1,83 metro, vinha de uma carreira de 66 defesas de júri sem derrota quando conheceu Francisco. Lembra que foi em outra prisão, a Casa de Detenção de São Paulo, quando um recém-chegado o procurou no Sagra, Serviço de Assistência Gratuita, em que Markman oferecia consultoria jurídica aos detentos. Era o mês de agosto de 1966 e Costa Rocha tinha os mesmos 24 anos que o jovem advogado. Havia cometido um crime inominável, que chocou São Paulo. "Doutor", disse ele, "para médico e advogado não se mente: eu acordei, vi uma mulher morta do meu lado e não sei se a matei."
Nos interrogatórios que se seguiram, parte da memória voltou ao "esquartejador da Rua Aurora", como o assassino ficou conhecido inicialmente. Em um depoimento policial que durou dez horas e meia e foi acompanhado ao vivo por repórteres do Canal 9, da Rádio Marconi e do Jornal da Tarde, contou que conheceu a vítima, a suíça Margareth Suida, de 38 anos, em um bar na região central da cidade, por volta das 23h30. Beberam cerveja e batida de amendoim. Foram ao apartamento de Costa Rocha lá pelas 4h da manhã. E, em algum momento, ele a estrangulou com um cinto. "Nessa hora", diz ele no relato publicado pela imprensa, "eu fiquei desesperado, vendo que aquela mulher representava a minha vida. Por isso, quis destruir aquele corpo." Usando facas, tesoura e gilete, esquartejou-a com a intenção de esconder as provas do crime. Diante da impossibilidade, fugiu para a casa da mãe, Nancy, no Rio de Janeiro, onde foi preso.
Em pouco tempo na relação entre advogado e cliente, foi possível a Markman perceber que Chico, que até o crime brutal jamais apresentara qualquer sinal de agressividade, tivera uma infância solitária, um pai ausente e uma relação conturbada com a mãe. Mas é evidente também que sua disposição em defendê-lo não advinha apenas daquela sensibilidade aos aspectos passionais que envolvem certos tipos de crime, que tanto fascinavam o célebre jurista italiano Enrico Ferri, autor de A Imputabilidade Humana e a Negação do Livre Arbítrio (1879). Ou à solidariedade para com os decaídos de que falava o mestre do jovem advogado na arte dramática do júri, o criminalista paulista Valdir Troncoso Peres, morto em 2009. "Era, além de tudo, um grande desafio profissional para mim", conta Markman.
Quando o grande dia chegou, em 13 de março de 1968, seu talento na Primeira Vara Auxiliar - onde ainda hoje está o prédio do 1º Tribunal do Júri, na Praça da Sé - não prevaleceu diante das evidências, da confissão do réu e da experiência do promotor Vitor Afonso Lopes Teixeira. Mas chegou a irritar o adversário: "O advogado de defesa, Flávio, procura desviar a atenção dos jurados, fazendo gestos exagerados, bebendo água com frequência e batendo os copos", protestou Teixeira, em dado momento, ao juiz. Uma vitória de pirro, ao final, pois a acusação não conseguiu emplacar os 33 anos de condenação que pedia para Chico. Teve que se contentar com 17 anos e 6 meses. O placar entre os jurados: 7 X 1. "Ainda consegui uma absolvição", orgulha-se Markman. O cliente cumpriria 6 anos em uma colônia penal em Bauru e sairia em liberdade condicional por bom comportamento em 1974.
Chico se casou com uma descendente de russos, teve uma filha, se separou. Voltou à boemia e à bebida. Até que no dia 18 de outubro de 1976 conheceu Ângela de Souza Silva num bar da Galeria 24 de maio. E tudo se repetiria.
Chico levou Ângela para seu apartamento, na Av. Rio Branco, onde a matou e esquartejou. Em seguida correu para a mãe, no Rio. Foi preso. Dessa vez não houve tribunal: o juiz pediu um laudo médico, que declarou o réu incapaz, e sentenciou-o a pena comum de prisão - fato à época permitido pela legislação.
Olhando em retrospecto, parece espantoso que até aquele segundo crime ninguém tivesse pedido uma avaliação oficial da sanidade de Chico. Mas, no primeiro julgamento, como advogado, Flávio avaliou que "declará-lo inimputável seria condená-lo a nunca mais sair de um manicômio judiciário." A promotoria, por sua vez, diante das chances claras de êxito na corte, tampouco quis um laudo de sanidade. No entanto, Markman revela que, pouco antes do julgamento, solicitou a uma amiga, a psiquiatra Luiza Jacob, que entrevistasse Chico em caráter privado. A médica alertou que em circunstâncias semelhantes ele poderia repetir o crime. Quando a possibilidade de fato se concretizou, foi um choque para Markman. Mas ele se apoia no dever profissional: "Busquei o melhor para meu cliente".
Essa ambiguidade está no centro das contradições que cercam o caso do preso mais antigo do sistema penitenciário brasileiro. Levado para a Casa de Custódia de Taubaté em 1976, nunca recebeu tratamento psiquiátrico. Ainda assim, atravessou quatro décadas encarcerado sem que tivesse, nas palavras do amigo, "nem uma rusga sequer com ninguém". Leitor voraz de Kafka e Dostoievski - a quem já chamou de "Deus" em uma entrevista -, foi escolhido pelos funcionários para organizar a biblioteca do presídio, com cerca de 300 volumes. Ele se dedica à pintura e escreve com português impecável. "Acho que foram suas cartas que me mantiveram ligado a ele por todos estes anos", conta o único visitante regular depois da morte de d. Nancy. Entre as grades, sobreviveu às rebeliões do PCC, que surgiu no presídio de Taubaté nos anos 90.
Pena sem fim. Em junho de 1998, Francisco Costa Rocha cumpriu a pena máxima permitida pela Constituição brasileira - que não admite "caráter perpétuo". Seu alvará de soltura chegou a ser expedido pelo juiz de execuções penais do Estado. Mas a promotoria de Taubaté interveio para impedir a libertação. Era o ano em que João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha, ganhou as ruas após 30 anos de prisão e acabou morto, meses depois, em uma briga de bar. Havia grande temor na opinião pública em relação ao tema. O recurso jurídico para mantê-lo preso foi uma interdição civil dizendo que ele era incapaz de tomar decisões sozinho.
Nessa época, escreveu a Markman uma de suas cartas mais angustiadas: "Será que agora que vejo as trevas e as luzes da alma humana, tendo me decidido pelo caminho da luz, iria novamente trilhar o outro caminho, por duas vezes conhecido, que conduz ao abismo??? Não. Francamente, não. Pensar o contrário seria negar a evolução da espécie, a evolução humana. A vida não caminha para trás. Nada está definitivamente estático. A sentença de interdição em regime fechado é extremamente preventiva, exacerbada, desnecessária. Por favor, dr. Flávio, queira ver o que pode ser feito por mim, pela recuperação do ser humano, pois eu me tornei humano".
Em agosto de 2003, o advogado José Fernando Rocha, curador designado para cuidar dos interesses de Chico, recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas o habeas-corpus foi negado pelo então ministro Sepúlveda Pertence. "Francisco nunca teve atendido seu pedido de indicar um perito médico de sua confiança que fosse independente do Estado para que pudesse exercitar seu direito de defesa", alega o curador. "Além do mais, não há justificativa para que ele permaneça em um local onde não recebe nenhum tratamento."
Sem outra instância a recorrer, Fernando Rocha encaminhou, em agosto passado, queixa à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), que ainda não se manifestou a respeito. "Manter um homem em pena perpétua pela mera presunção de que ele possa vir a cometer um crime é um absurdo que, como legalista, não posso admitir", inconforma-se Flávio Markman.
A escritora Ilana Casoy, autora de Serial Killers Made in Brasil (Ediouro, 2007), que analisa, entre outros, o caso Chico Picadinho, também se recusa a entrar no mérito da discussão sobre sanidade ou riscos: "O fato é que ele era um preso comum e cumpriu sua pena. Quando a gente dobra a lei de acordo com as circunstâncias, é o começo de um regime totalitário". Por diversos meses, a reportagem do Aliás tentou entrevistar Francisco Costa Rocha em Taubaté, mas ele não quis falar por temer a forma como seria retratado. Em um postal enviado à redação, com uma pintura de sua autoria no verso, explicou: "Não posso atendê-lo, visto que firmei decisão, faz tempo, de não conceder entrevista à imprensa".
Na sexta-feira, data do aniversário de 70 anos do amigo, Flávio Markman telefonou a Taubaté para ter notícias dele. Ninguém parecia se lembrar da data. "Fico imaginando o que deve ser passar décadas sozinho em uma cela de 4 m por 4 m, comendo o mesmo arroz com feijão e bife intragáveis que servem lá. Penso na quantidade de frutas que ele nunca provou, nos sabores que jamais vai conhecer." Naquele último encontro, achou Chico particularmente amargurado. Entrou carrancudo e custou a sorrir. Entregou a Markman a cópia que recebera da petição feita à OEA, mas parecia não ter esperança. Só pouco antes do ex-advogado e amigo sair, repetiu o pedido enunciado em tantas correspondências: "O meu desejo, doutor, era morrer em liberdade".

27.4.12

UM OLHAR SOBRE IBITIPOCA E PARQUE ESTADUAL DE IBITIPOCA-MG

Lotação no metrô

Sei que isso não parece muito "jurídico", mas é um assunto para lá de importante


Lotação da Estação Paulista já supera, proporcionalmente, a da Sé

Projetada para 145 mil usuários/dia, parada da Linha 4 recebe 300 mil e está saturada em 100%. Sé comporta 1 milhão, mas recebe 800 mil

26 de abril de 2012 | 22h 30
Bruno Ribeiro e Nataly Costa - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Estação Paulista do Metrô completou nesta quinta-feira, 26, sete meses de operação integral da primeira fase da Linha 4-Amarela, entre o Butantã e a Luz, com um feito. A parada conseguiu superar, proporcionalmente, o congestionamento da estação-símbolo da superlotação: a Sé, conexão entre as Linhas 1-Azul e 3-Vermelha. A Paulista recebe diariamente 300 mil passageiros, o dobro da capacidade para o qual foi projetada: 145 mil. Pela Sé passam 800 mil usuários, onde seriam suportados 1 milhão - há momentos de folga.
240 mil passam pelo corredor que liga as estações Paulista e Consolação - Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE
240 mil passam pelo corredor que liga as estações Paulista e Consolação
A sensação de superlotação na Paulista ocorre principalmente por causa do maior gargalo da Linha 4: o túnel que liga a parada à Estação Consolação, na Linha 2-Verde (Vila Prudente-Vila Madalena). Dados da ViaQuatro, concessionária que administra a Linha 4, mostram que 80% das pessoas que usam a Estação Paulista passam pelo corredor - ou seja, 240 mil por dia.
A ViaQuatro já estuda construir uma nova saída da estação, pela Rua Bela Cintra, para desafogar o túnel.
No "tubo" ou "corredor da morte", como já foi apelidado, há a tecnologia de esteiras rolantes para agilizar o percurso e piso tátil para deficientes. A lotação, porém, é tanta que parte desses recursos se mostrou inútil: as esteiras rolantes são desligadas no horário de pico "por segurança" e por não suportar o fluxo de usuários espremidos na passagem.
As escadas rolantes ficam direcionadas para um só sentido do túnel. O piso tátil também é inutilizado: para tentar organizar o caos no corredor, os funcionários da ViaQuatro instalam fitas divisórias bem em cima do piso para os deficientes.
"Com a operação de uma nova linha, como a 4-Amarela, conhecida como ‘de integração’, porque cruza três linhas da CPTM e três do Metrô, é natural que haja um novo acomodamento da rede e algumas estações fiquem mais carregadas e outras menos", informou o Metrô, por meio de nota.
Para o engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, professor da FEI, há um descompasso entre a oferta e a demanda. "Coloca-se a linha para funcionar e meses depois já está saturada. Por quê? Porque a capacidade de construção do metrô em São Paulo é muito menor do que a demanda", disse. "O tamanho do túnel é adequado. O problema é a necessidade de mais linhas."
Medidas paliativas. Enquanto isso, para tentar amenizar o caos, a empresa tem adotado soluções imediatas. Um exemplo é a nova sinalização no piso que pede aos usuários para esperar o desembarque do trem ao lado das portas.
"Quinze segundos é o tempo necessário para cada uma das operações de embarque e desembarque. Quando os passageiros tentam embarcar no mesmo momento do desembarque, essa operação leva cerca de 45 segundos", disse a empresa, em nota.

25.4.12

Do blog do Lauro Jardim

17:33 \ Judiciário

O bacalhau

Em meio aos grampos, o bacalhau
Magistrados do Rio de Janeiro estão preocupados com o bacalhau. Dizem que, se não aceitam um pedido da Polícia ou do MP para escutas telefônicas, são taxados de coniventes com o crime. E, se aceitam, reclamam que sempre tem um bacalhau no meio.
A expressão é usada para as escutas adicionais enfiadas no pedido judicial, mas que não têm nada a ver com a investigação e servem para alimentar arapongagens e obter informações privadas de forma irregular com uma certa cobertura de legalidade.
Por Lauro Jardim

Um ótimo artigo

Do Judex. Ecoando a pergunta da Carolina, a quem interessa um Judiciário fraco?

A verdade é que as pessoas fazem coisas erradas e por vezes isso vai para o Judiciário. Este julga e aplica a lei. Aliás, fico abismado com o que vejo de pessoas dirigindo violando as normas de trânsito. Agora, na cidade de São Paulo, com lixeiras espalhadas pela cidade, fico chocado com a quantidade de lixo nas ruas. Gente, essa é a população que gera problemas que serão julgados pelo Judiciário. Podemos trabalhar 36 horas por dia, mas com esse grau de desrespeito, não vai dar. Não mesmo!!!


23 de abril de 2012

Sobre o maniqueísmo da Justiça e injustiça dos que devem

Quem não deve não teme, certo?

Dizem que a Justiça tarda mas não falha e que pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas muitas vezes, enquanto a Verdade e a Justiça tardam, esperando os fatos se esclarecerem, os olhos de quem não deve seguem ardendo com a pimenta que aqueles que devem e temem jogaram, como cortina de fumaça...

Sim, por que existe melhor defesa do que o ataque?

Qualquer pessoa que atue na Justiça Criminal pode atestar tal fato. É comum o agressor inverter os fatos, jurando que foi ele o agredido, o estuprador culpar a vítima, o difamador atestar que o que diz é a mais pura verdade, e até que a verdade se reestabeleça, a vítima é agredida, violada e vitimizada pela segunda vez. Quando os fatos ganham publicidade na imprensa, a cada vez que esta inversão da verdade se propaga, nova agressão ocorre, o delito se prolonga no tempo e esse tardar ganha os contornos de tortura.

Quanto mais a vítima se debate tentando colocar as coisas no lugar e mostrar que é inocente, mais parece culpada...

Não seria diferente quando o agredido é o Poder Judiciário.

Não é comum o Judiciário ver-se alvo do tipo de acusações que se está verificando nos últimos meses.

A crítica a este Poder sempre foi a morosidade, o distanciamento dos juízes, sua aparente inacessibilidade.

Tangenciavam-se questionamentos mais severos chamando as prerrogativas que garantiam a independência e a imparcialidade dos juízes de privilégios, mas não se chamavam os juízes de bandidos.

Não se insinuava que julgamentos eram comprados ou motivados por interesse pessoal.

Nunca antes na história deste país, de que me recorde, foi a Magistratura acusada como um todo de criminosa, conivente com práticas ilegais ou corrupta sem qualquer fato a corroborar tal acusação.

O que dizer diante da violência de frases jogadas sem dados concretos e sem nomes? Quando qualquer tentativa de defesa era usada para continuar os ataques e o silêncio podia soar incriminador?

Meses depois da acusação, ainda se aguardam os nomes de tais bandidos e os fatos que motivaram estas declarações.

Outro dia fui relatar ao Seccional da Polícia Civil da cidade onde trabalho, delegado sério e honesto, segundo me informaram, denúncia que recebi de uso de entorpecentes próximo a áreas públicas frequentadas por crianças, fato que não me dizia respeito enquanto juíza da área cível, mas sim como cidadã, e este se disse muito chateado com a desmoralização do Judiciário. Disse que se perguntava quem ganharia com isso, porque ele já sentia que o trabalho da Polícia estava mais difícil com o respeito que estava se perdendo pela Instituição e com a falta de crença na Justiça. Disse que em mais de vinte anos como delegado, sempre foi testemunha da lisura e da retidão dos juízes com quem trabalhou.

Também fiz essa pergunta a todos os jornalistas que frequentaram os cursos sobre o Judiciário e Imprensa na Escola Paulista da Magistratura, que coordenei: A quem interessa um Poder Judiciário fraco?

A quem é honesto e cumpre as leis?

Agora vemos um dos maiores acusadores do Judiciário e um dos críticos ferrenhos daMagistratura acusado de envolvimento com o crime organizado.

Pode ser que injustamente, não se sabe ainda, e que esteja tomando um pouco do próprio remédio, mas isso leva a pensar na motivação dos defensores ferrenhos das modificações legislativas com o intuito de mitigar os poderes do juiz na condução do processo e de retirar suas garantias enquanto julgador, não?

Aprendi no curso de Jornalismo a primeiro avaliar a fonte para só então dar algum crédito à informação (e admito que aplico isso a todas as áreas da minha vida até hoje) e no curso de Direito que todos são inocentes até que se prove o contrário (e não o inverso) e que têm o direito à mais ampla defesa.

Quando alguém me fala algo, busco os fatos, analiso os interesses ocultos, e se não há fundamento, sinceramente, não tenho tempo a perder com malediscências e fofocas,quando há tanto trabalho a fazer, quando há tanto a ser melhorado no mundo que pretendo deixar para os meus filhos.

Se há fundamento, ouço os outros envolvidos. Afinal, toda história tem não dois, mas vários lados e todos precisam ser analisados para se formar um todo que tenha lógica e faça sentido.

Voltando ao juiz na berlinda, bom, o juiz sempre vai apontar o que é errado e colocar o dedo na ferida, doa a quem doer e isso incomoda a quem deve ser incomodado, porque ele é pago para isso. Ele é escolhido em concurso extremamente difícildepois de mostrar que é capaz de trabalhar com esse tipo de pressão. É isso o que se espera de um Judiciário forte. Que não se intimide para que o homem de bem não precise se intimidar.

Porque é por ele que o Judiciário precisa ser forte. É ele que não precisa temer porque sabe que os juízes não vão se acovardar nas decisões que forem dar nos autos dos processos.

Porque a Justiça nunca vai poder deixar de ser maniqueísta. Há o certo e há o errado e o errado não vai passar a ser certo desmoralizando a Justiça. Uma Justiça fraca pode até fechar os olhos ao errado, mas isso não o tornará certo.

Porque o que é certo é certo e isso nunca vai mudar.


Carolina Nabarro Munhoz Rossi

Juíza de Direito

23.4.12

Dano moral contra juiz de Direito

Essa vem do site do TJ/SP


 PROMOTOR DEVE INDENIZAR MAGISTRADO POR SUPOSTA OFENSA À HONRA

        Decisão da 2ª Câmara de Direito Privado da Corte paulista manteve sentença que 
condenou promotor de Justiça a indenizar magistrado por dano moral.
        O pedido se refere a uma apelação interposta por Arthur Migliari Júnior contra 
a sentença que julgou procedente ação para condená-lo a pagar a quantia de R$ 20 mil a 
Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, pelo suposto uso de expressões ofensivas à sua honra. 
Para o apelante – que alegou, entre outras coisas, cerceamento de defesa – o valor da 
indenização fixada foi excessivo, motivo pelo qual pleiteou a reforma da sentença.
        Segundo o desembargador Flávio Abramovici, relator da apelação, “cerceamento de 
defesa não houve, porque a condenação do requerido decorre do excesso de linguagem
 contido no documento por ele redigido. Esse documento é, portanto, prova suficiente
 para a caracterização do dano”. Com base nessas considerações, negou provimento
 ao recurso, mantendo a sentença.
        Os desembargadores José Carlos Ferreira Alves e José Joaquim dos Santos acompanharam o voto do relator.

        Apelação nº 0109863-33.2010.8.26.2010

        Comunicação Social TJSP – AM (texto) / AC (foto ilustrativa)