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5.8.15

Apoio a Moro

O abaixo assinado foi notícia no blog do Fred

Juízes firmam nota de apoio a Moro

POR FREDERICO VASCONCELOS
05/08/15  16:51
 
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Mais de 1000 juízes em todo o Brasil, de forma espontânea, não associativa e sem caráter político-partidário, firmam nota em apoio ao colega magistrado Sérgio Moro.(*)
Confira abaixo a íntegra da manifestação e o link no Facebook:
NOTA EM APOIO AO JUIZ SÉRGIO MORO
Os juízes abaixo nominados vêm, publicamente, prestar apoio ao colega Sérgio Moro, magistrado que atua no julgamento dos processos originados da chamada Operação Lava-Jato.
A Constituição Federal assegura o devido processo legal, e, dentre as suas medidas, que o caso seja julgado por um juiz natural, isto é, não escolhido especificamente para a situação, dotado das garantias de independência que conduzem a uma decisão nos termos da lei, e não conforme os interesses particulares e pressões externas. Trata-se de uma prerrogativa em favor da população de que encontrará um magistrado imparcial e independente.
O que se vê, no entanto, são invectivas incessantes e infundadas à imagem e à atuação do juiz Sérgio Moro na tentativa de evitar que continue fazendo o seu trabalho.
A pressão e os ataques externos são reais e afetam inúmeros juízes em todo o Brasil. A interferência do poderio político e econômico é uma constante no país. É uma realidade amarga que o Brasil precisa reconhecer e combater se quiser ser uma Democracia verdadeira.
As decisões judiciais são fundamentadas, respaldadas na lei e públicas, sujeitas ao sistema de recurso daqueles que estão insatisfeitos. Atacar a figura do julgador ou tentar atingir a autonomia do magistrado é atitude dos que sabem que não estão amparados pela legalidade.
Assim também o são as decisões do colega Sérgio Moro: fundamentadas, públicas e continuamente examinadas pelos Tribunais nos recursos interpostos pelos réus, por sua vez assistidos por respeitadas bancas de advocacia. Não há indicativo de qualquer violação ao ordenamento jurídico, de forma que a tentativa de aviltar a figura do juiz, como acontece não apenas no caso da Operação Lava-Jato, é um ensaio para evitar o julgamento dos fatos e as consequências daí decorrentes.
Somente àqueles que temem a aplicação da lei interessa limitar a atuação do juiz, restringindo cada vez mais sua liberdade de decisão e a segurança de sua independência.
Não existem pessoas imunes às leis numa República, e, quanto mais alto o cargo, maiores os deveres. Urge a participação popular para fazer o que é certo no cotidiano, para denunciar o que é errado e para apoiar as autoridades que estão lutando por um mundo mais justo, compassivo e ético.
Os signatários tornam público seu apoio irrestrito e sua confiança na atuação imparcial dos membros do Poder Judiciário para a apuração e julgamento dos fatos.
(*)

22.4.12

Mais um do Para Entender Direito

O assunto é bem interessante.


 
Picture
Saiu na Folha de hoje (20/4/12):

“Operação-padrão da PF em 30 aeroportos ocorre sem filas
A Polícia Federal realizou ontem operação-padrão em 30 aeroportos. Participaram 480 agentes, segundo a Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), que coordenou o protesto.
O objetivo, disse o presidente da instituição, Marcos Wink, foi criticar a contratação de funcionários terceirizados para desempenhar funções da PF, como o controle de passageiros nas áreas de embarque e desembarque.
Os agentes checaram documentos e bagagens dos passageiros e também distribuíram folhetos explicativos (...)
De acordo com a Infraero, estatal que gerencia os aeroportos brasileiros, não foram registrados tumultos e o índice de atraso nos voos foi de 7,3%, abaixo da média diária, que é de 8% (...)
A categoria calcula que, hoje, 1.300 terceirizados recebam passageiros em guichês da PF no país, sob supervisão de policiais. Em contratos com empresas para este serviço, o governo federal gasta cerca de R$ 9 milhões
”

Você está dirigindo seu carro em uma avenida movimentada e quer virar. Você olha para ver se há algum pedestre ou veículo fazendo algo estranho, olha pelo retrovisor para ver se pode mudar de pista, dá seta, move o volante, muda de faixa, endireita o volante, olha pelo retrovisor novamente, pisa no freio, aperta a embreagem, reduz a marcha, dá seta, volta com a mão para o volante, inicia o movimento do volante, olha pelo retrovisor, observa a lateral e o que estiver na frente, redireciona o volante, aperta a embreagem, aumenta a marcha, aperta o acelerador etc. Enfim, você conseguiu entrar na rua que queria.

Sem pensar, você faz isso milhares de vezes todos os dias. Eles se tornam hábitos porque fazem sentido. Você sabe que se não fizer, o risco de bater o carro ou morrer em um acidente aumenta exponencialmente. Essa é sua ‘operação padrão na direção’ e a maioria das pessoas – ao menos das pessoas racionais – respeita essa ‘operação padrão’ diariamente. Isso porque essas regras de conduta geram eficiência, reduzindo desperdício (mortes, acidentes) e esforço comparado com outras opções (imagine como é ineficiente organizar uma corrida de Fórmula 1 só para que 24 pilotos possam correr por 2 horas sem precisar dar seta ou se preocupar com pedestres atravessando o circuito).

Mas você já parou para pensar como é ilógico que quando os agentes estatais querem protestar eles fazem isso apenas cumprindo a norma através de suas operações padrões? 

Há dois pontos nisso:

Primeiro, que se esses agentes do Estado resolvem cumprir o que a norma diz apenas quando querem protestar, exatamente o que estão fazendo quando não estão em uma situação de protesto? As normas  servem para serem respeitadas. Se não fossem para serem respeitadas e determinarem obrigações, não seriam normas, seriam sugestões de conduta ou regras morais. Se a norma quer dar a possibilidade do agente do Estado ter alguma discrição, ela estabelece os parâmetros dentro dos quais a discrição pode ser exercida. Nas democracias, a norma nunca dá o poder a um agente estatal de fazer o que bem quiser. 

O que chamamos de ‘operação padrão’ não é mais do que o cumprimento da norma como ela deve ser cumprida. O problema não está no que acontece durante a operação padrão, mas o que acontece fora dela. Afinal, nos outros dias (os ‘não-padronizados’) qual é a norma que está sendo cumprida se não é a norma aprovada? E quem deu ao agente estatal o poder de estabelecer quais normas quer cumprir? Quando os agentes estatais passam a escolher quais normas cumprirem, ou quando cumpri-las ou contra quem cumpri-las (ou quais normas não cumprir ou quem beneficiar), caímos em uma ditadura.

Mas, segundo e ainda mais importante, é que a gente fica surpreso quando uma ‘operação padrão’ não causa fila ou outro transtorno. Pense nisso: a norma foi feita para gerir nossas vidas. A sociedade, onde vivemos nossas vidas, deve ser o mais eficiente possível (caso contrário, não há por que vivermos em sociedade). Se a norma atrapalha essa eficiência, ela é uma norma ruim e não deveria ter sido feita e não deve ser mantida.

Se a Polícia Federal, ao cumprir a norma existente, gera filas enormes, é porque a norma causa ineficiência. Logo, essa norma não deveria existir. A continuação da existência de uma norma ineficiente gera dois efeitos perversos para a democracia: empurrar as pessoas para a ilegalidade (ou elas cumprem a norma e se tornam ineficientes, ou elas se tornam ilegais para passarem a ser eficientes), e possibilitam que os agentes do Estados exerçam o poder de forma despótica, já que podem punir (ou privilegiar a seu bel prazer) um enorme número de pessoas que foram forçadas à ilegalidade justamente porque o próprio Estado criou uma norma que os colocou entre a cruz (viver na ilegalidade) e a espada (viver ineficientemente).

5.8.11

Prisão de auditores

Copio esta notícia do Estadão de hoje por envolver fatos em Osasco.


PF prende 5 auditores por corrupção

Em caixas de leite, Operação Paraíso Fiscal recolhe R$ 12,9 milhões em dinheiro vivo; Receita estima em R$ 3 bilhões valor sonegado

05 de agosto de 2011 | 0h 00
Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo
A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Paraíso Fiscal e prendeu em São Paulo cinco auditores fiscais suspeitos de integrarem organização criminosa que extorquia empresários devedores de tributos. A PF apreendeu R$ 12, 9 milhões em dinheiro vivo - reais, dólares e euros estavam escondidos em caixas de leite e de biscoitos e em fundos falsos das residências dos investigados. A Receita estima em R$ 3 bilhões o montante sonegado ao Tesouro.
Na casa de um único auditor, no condomínio Alphaville, os federais encontraram R$ 2,5 milhões e US$ 2,5 milhões em espécie, tudo no forro do telhado. Na casa do delegado adjunto da Receita em Osasco (Grande São Paulo) foram apreendidos R$ 814 mil e US$ 232 mil. Com um dos chefes de fiscalização daquela Delegacia foram recolhidos R$ 1 milhão e US$ 91 mil. Com um quarto auditor, havia R$ 530 mil e US$ 3 mil. Na casa de uma outra chefe de fiscalização, mais R$ 3 milhões.
Foram confiscados 11 automóveis de luxo e pedras preciosas. A força tarefa, composta de 120 agentes e delegados da PF e 50 auditores da Receita, vasculhou 25 endereços residenciais e comerciais em São Paulo, Barueri e Sorocaba. A Delegacia da Receita em Osasco foi o alvo principal da busca. Os federais fecharam a repartição e confiscaram os computadores e pastas de documentos e arquivos dos auditores.
Outros três investigados - um doleiro e dois familiares dos auditores - foram presos. O foco do esquema de corrupção era a Delegacia da Receita em Osasco.
O esquema vigorava desde 2003. A PF iniciou a investigação em janeiro, alertada sobre patrimônio incompatível de auditores com seus rendimentos. A denúncia sobre a organização chegou ao Escritório da Corregedoria da Receita por meio de um ex-auditor. Ele relatou que empresários da região de Osasco eram abordados pelos auditores. Em troca de "vantagens financeiras vultosas" os fiscais reduziam drasticamente valor de impostos ou até excluíam pessoas jurídicas do cadastro de devedores. Também invalidavam autos de infração já lançados. Entre 100 e 150 fiscalizações foram vendidas. Cerca de 50 empresas teriam sido beneficiadas.
Durante 7 meses a PF cruzou dados bancários e movimentações financeiras e fiscais dos alvos. Com autorização judicial e manifestação expressa do Ministério Público Federal, a PF interceptou telefonemas e correspondências eletrônicas dos auditores. "Deparamos com servidores que mantinham padrão de vida muito além do normal para o cargo que ocupavam", anotou o delegado Rodrigo Sanfurgo, da PF.
Além de residir em mansões, os auditores faziam viagens internacionais com frequência e mantinham ativos no exterior. Eles podem ter embolsado R$ 200 milhões. Todas as contas bancárias de titularidade dos investigados foram bloqueadas. Para a Procuradoria da República há "farta prova que permitirá denunciar os acusados pelos crimes de corrupção, advocacia administrativa (quando o servidor público usa de informações privilegiadas e da função para cometer crime), lavagem de dinheiro, evasão de divisas e quadrilha.
O corregedor da Receita em São Paulo, Guilherme Bibiani, disse que "a estrutura orgânica do esquema de corrupção envolvia a seleção, a programação e a fiscalização". "O mais perverso é que se valiam dos bons servidores da Receita para assustar os empresários. Encarregados do setor de seleção distribuíam tarefas a servidores probos que resultavam na constituição de créditos tributários em valores expressivos. No ano seguinte a mesma programação distribuía a fiscalização a servidores do esquema. Aí se dava a negociação."
"Para o empresário corruptor a péssima notícia: pagou mal, vai pagar duas vezes", anunciou José Guilherme Vasconcelos, superintendente regional da Receita. "Pagou através da corrupção para evitar o alcance de seu patrimônio por uma ação fiscal, agora será alcançado pela ação fiscal realizada na forma de revisão. Ele terá que recolher novamente aos cofres públicos o dinheiro sonegado. Esse dinheiro é atingido por multas. A busca da alternativa pela corrupção vai onerar essas empresas."