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25.10.13

PCC

Do Estadão

TJ-SP transfere líder do PCC para regime de isolamento

Desembargador atendeu recurso do MPE; órgão investigou facção por mais de 3 anos e pede rigidez contra 35 chefes

25 de outubro de 2013 | 2h 02

Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nessa quinta-feira, 24, a internação do primeiro líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Trata-se de Paulo Cézar Souza Nascimento Junior, o Paulinho Neblina, de 40 anos, que atua como suplente da cúpula da facção, a Sintonia Final Geral. Neblina é suspeito ainda de ter dado a ordem para que a organização deflagrasse uma greve branca caso os seus líderes fossem transferidos para o RDD.
Atualmente, a maioria da cúpula da facção está na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste paulista. O Ministério Público Estadual (MPE), depois de três anos e meio de investigação, pediu à Justiça a decretação da prisão de 175 acusados de dirigir a facção e a transferência de 35 deles para o RDD, em Presidente Bernardes, também na região oeste de São Paulo.
Quando tomaram conhecimento do pedido - negado em primeira instância pela Justiça -, a direção do PCC lançou a ameaça da greve branca, impedindo a entrada de novos detentos nas penitenciárias paulistas. Em caso de intervenção da Tropa de Choque, a cúpula da facção ameaça retornar os atentados contra policiais nas ruas do Estado.
Neblina está condenado a 82 anos de prisão por sequestros. É apontado pelo MPE como um dos mais violentos presos do PCC. Nas interceptações feitas durante a megainvestigação, Neblina aparece em conversa de 7 de novembro de 2012 planejando a doação de uma ajuda de R$ 4 mil por mês para as famílias de presos do PCC que fossem transferidos para penitenciárias federais - esse foi o caso de um dos integrantes da cúpula, Roberto Soriano, o Tiriça, que foi mandado para Porto Velho.
Em outra telefonema grampeado, o líder do PCC é flagrado passando um "salve geral" - ordem para ser cumpridas por toda a organização -, no qual determina que seus integrantes fiquem "de prontidão nos presídios".
Transferência. A decisão de interná-lo no RDD foi tomada pelo desembargador José Amado de Faria Souza depois de o MPE recorrer da decisão que negava o pedido. Para o desembargador, os fatos relatos são crimes permanentes - seus efeitos e sua prática não se esgotam no passado, mas permanecem no presente -, pois os detentos continuam trabalhando para a facção.
Ainda ontem, outro recurso foi julgado pelo TJ-SP. Trata-se do preso Claudio Barbará da Silva, outro dos suplentes do PCC. Em seu caso, a Justiça negou o recurso do MPE. Falta a Justiça julgar ainda 33 recursos, entre eles o do líder máximo, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. / COLABOROU SANDRO VILLAR, ESPECIAL PARA O ESTADO

12.10.13

É bom que estejam mesmo...

Do UOL...
12/10/2013 - 16h28

'Estamos preparados para reação de facção', diz secretário da Segurança

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AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
Ouvir o texto
O secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, diz que não teme uma nova onda de ataques do PCC caso o Tribunal de Justiça reverta a decisão que rejeitou o pedido de prisão de 175 suspeitos de integrarem a facção criminosa.
Em 2006, cerca de 500 pessoas morreram em uma onda de ataques orquestrada pelo grupo criminoso.
*
Folha - Como a secretaria acompanha as investigações contra o PCC?
Fernando Grella Vieira - A secretaria vem acompanhando. De alguma maneira as polícias Militar e Civil colaboraram quando solicitadas.
Quando as escutas telefônicas flagraram presos falando sobre o planos para atacar o governador Geraldo Alckmin, como o governo agiu?
Estamos preparados para esse tipo de coisa. Essa notícia que veio apenas reafirma o reconhecimento pelos grupos criminosos de como o governo age com firmeza. Só se faz ameaça contra quem age com firmeza e quem procura reprimir com seriedade as ações criminosas.
O governo Alckmin já afirmou que o PCC tinha cerca de 30 membros, que já estavam presos. A atual investigação mostra que o grupo é maior [11.400 integrantes em 22 Estados]. Como sua gestão tem tratado essa questão?
Reconhecemos que ele [o PCC] existe e que exige um trabalho de repressão permanente. Não tem uma dimensão exponencial, mas requer um trabalho de acompanhamento. É uma realidade que precisa ser enfrentada.
A presença da Rota na região oeste do Estado tem relação com essa investigação?
Tem a ver. É uma estratégia natural de Segurança Pública porque ali é onde estão presos os principais líderes deste grupo criminoso.
O que o sr. achou da decisão judicial de rejeitar o pedido de prisão de 175 denunciados?
Respeito a decisão do juiz. Tenho muita expectativa de que o Tribunal de Justiça possa rever essas decisões e decretar as prisões e a inserção dos presos no regime disciplinar diferenciado.
Em junho, quando a Rota foi para o interior por causa de ameaças feitas pelo PCC, as autoridades diziam que temiam uma nova onda de ataques da facção. Como o governo tem se preparado para esse cenário?
A polícia está preparada. Isso não é uma coisa só do Brasil. A Colômbia passou por algo semelhante. Toda vez que um governo se propõe a uma repressão forte e séria contra grupos organizados, você tem uma reação do crime organizado e nós estamos preparados.
Teme que SP passe pelo mesmo processo que a Colômbia?
Não. Não temo. Tenho o dever e a responsabilidade de conduzir a política de segurança e vou fazê-lo com a observância na lei, na ordem, porém com firmeza.
+ CANAIS

25.6.13

A ROTA na rua

DA Folha de São Paulo de hoje

Ameaça a autoridades leva Rota ao interior
Tropa de elite foi enviada para a região de Presidente Venceslau por suspeita de ataques contra promotores e juízes
PMs já fizeram duas incursões em presídios onde chefes de uma facção criminosa cumprem pena
AFONSO BENITESENVIADO ESPECIAL A PRESIDENTE PRUDENTE E PRESIDENTE VENCESLAUJOSMAR JOZINODO "AGORA"Ameaças a autoridades feitas por uma facção criminosa levaram a Rota, tropa de elite da PM, a enviar quase 80 homens para a região oeste do Estado de São Paulo.
Os policiais estão desde o dia 22 de maio fazendo rondas nas cidades de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes e outras das redondezas.
Nesses municípios está presa a cúpula da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Desde que chegou à região, a Rota fez ao menos duas incursões em presídios usando inclusive um dos helicópteros da PM. Na penitenciária 2, de Venceslau, a aeronave sobrevoou as celas dos criminosos apontados como principais chefes da facção.
Nesse mesmo presídio, quase 50 homens da Rota entraram portando armas de grosso calibre como forma de intimidar os detentos.
DROGA APREENDIDA
Investigações mostraram que membros do Ministério Público, do Judiciário, da PM e diretores de penitenciárias poderiam ser vítimas de atentados praticados por criminosos vinculados ao grupo.
A informação foi confirmada por oficiais da PM, agentes penitenciários e membros do Judiciário. Nenhum deles quis ter seu nome divulgado, por temer punição por superiores ou se tornar o próximo da lista da facção.
Folha apurou que as intimidações aumentaram depois de várias ações que causaram prejuízo financeiro à facção. Entre elas estão as descobertas de três depósitos nos quais membros da facção ou fornecedores deles escondiam parte da droga comercializada pela organização criminosa no Estado.
Entre março e maio, operações da PM e da Polícia Federal encontraram esconderijos subterrâneos em chácaras de Juquitiba e Piracicaba e em um galpão na Mooca, na zona leste da capital.
Nas três operações foi apreendida pouco mais de uma tonelada de cocaína (refinada e em pasta base), além de 80 kg de crack, 10 kg de maconha e um arsenal composto por 22 armas, entre fuzis, submetralhadoras, pistolas e espingardas.
A estimativa é que o prejuízo da organização criminosa nessas três ações tenha ultrapassado os R$ 2 milhões.
Criada para atuar em todo o Estado, a Rota costuma agir principalmente na região metropolitana --a base fica em São Paulo. Seus deslocamentos para outras regiões ocorrem em momentos de crise. Raramente ela atua dentro de presídios, que possuem equipes especializadas na contenção de distúrbios.
A última vez que a tropa de elite esteve na região oeste do Estado foi nas vésperas da eleição de 2010, quando houve ameaça de ataques. Na ocasião, a tropa se fixou em Prudente por quatro meses.
Além das ações nos presídios, a Rota tem feito revistas e bloqueios em várias partes das cidades e das rodovias.

    20.3.13

    Assim caminha a humanidade...

    A notícia está na capa do UOL.


    Para evitar ataques, Piauí concede regalias a presos do PCC no Estado
    1

    Aliny Gama
    Do UOL, em Teresina
    • Divulgação
      Sigla do PCC, facção criminosa que teve origem em São Paulo, escrita após rebelião em prisão do Piauí
      Sigla do PCC, facção criminosa que teve origem em São Paulo, escrita após rebelião em prisão do Piauí
    A Sejus (Secretaria do Estado da Justiça) do Piauí concedeu regalias para presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção que age dentro e fora dos presídios de São Paulo, que estão na Penitenciária Regional Irmão Guido, localizada na zona rural de Teresina. Durante um motim no ano passado, a facção ameaçava desencadear uma série de ataques similares aos ocorridos em São Paulo e Santa Catarina, no final de 2012, caso os pedidos de seus membros não fossem atendidos.
    A negociação --que previa a inclusão de carne de sol, ervilha, milho e azeitona no cardápio das refeições, aumento do horário de visitas e transferência para São Paulo do cabeça do movimento e um dos líderes do PCC, José Ivaldo Celestino dos Santos-- ocorreu durante motim ocorrido no final do ano passado e é confirmada pelo secretário estadual de Justiça, Henrique Rebello.
    Ampliar

    PCC lidera rebelião no Piauí10 fotos

    8 / 10
    Policiais controlam rebelião e entram na Casa de Custódia de Teresina. Segundo o Sinpoljuspi (Sindicato dos Agentes Penitenciários e Servidores Administrativos das Secretarias da Justiça e Segurança Pública do Piauí), a situação já estava quase controlada quando o governo do Estado cedeu e atendeu a pedidos de um dos líderes do PCC no Nordeste Divulgação
    Em entrevista ao UOL, ele afirma que, meia-hora após atender aos pedidos dos detentos da facção criminosa, o motim na cadeia terminou. "Esse pessoal [do PCC] é superperigoso. Não podíamos deixar que o problema de dentro do sistema atingisse a sociedade. Por isso, atendemos às reivindicações", disse Rebello, destacando que cumpriu o que diz a lei e não "fez nada de mais" em atender às reivindicações dos presos.

    Carta e articulação

    Durante a rebelião, presos do PCC tentaram convocar os internos de outros pavilhões por meio de uma carta. No entanto, o serviço de inteligência da polícia conseguiu interceptar a mensagem --a carta foi jogada do pavilhão C para o anexo (local onde ficam os presos provisórios).
    Na carta, os integrantes do PCC tentavam informar aos demais internos como seriam as ações de articulação para que o Estado atendesse aos pedidos deles. Em um dos trechos, os presos afirmaram que conseguiram tirar o chefe de disciplina da unidade carcerária, para demonstrar o poder que tinham nas negociações com a Sejus.
    "A rapaziada da Casa de Custódia entrou em contato com nós [sic] e disse que eles conseguiram tirar o 'Nissin' [Nilson Martins de Vasconcelos, ex-chefe de disciplina da Casa de Custódia], e assim só nós se unir [sic] que nós vamos conseguir nosso objetivo", descreve a carta.

    Estrangeiros no PCC

    Apesar de o principal líder do PCC no Nordeste, Celestino dos Santos, ter sido transferido para São Paulo, existem ainda no sistema prisional do Piauí outros cinco membros do PCC --dois italianos, dois brasileiros e um português.

    VELEIRO COM COCAÍNA: VEJA IMAGENS

    Os detentos estão no pavilhão A da Irmão Guido presos na mesma cela ou em celas vizinhas. Eles foram flagrados pela PF (Polícia Federal) em um veleiro com carga de 270 quilos de cocaína pura que iria para Europa.

    Sindicato critica ações

    O Sinpoljuspi (Sindicato dos Agentes Penitenciários e Servidores Administrativos da Secretaria de Justiça e Segurança do Estado do Piauí) criticou a postura do Estado.
    A decisão, diz o Sinpoljuspi, de atender aos pedidos dos presos do PCC com o objetivo de acabar com o motim e evitar possíveis ataques foi equivocada. De acordo com o sindicato, a iniciativa tornou os agente penintenciários mais vulneráveis.
    "Eles conseguem usar telefones celulares sem que nenhum dos agentes ou policiais militares encontre o aparelho. Se estão presos juntos, facilita a atuação em conjunto, mas é por celulares que eles se articulam para praticar crimes fora da prisão", disse o presidente do Sinpoljuspi, Vilobaldo Carvalho.
    Foi um dos integrantes do PCC que usou um telefone celular de dentro da Penitenciaria Irmão Guido para avisar a advogada e familiares que estava prestes a ocorrer uma rebelião na unidade prisional.
    Segundo Carvalho, a Sejus atendeu aos pedidos "do jeito que o Celestino disse e esticou o horário de visitas, tirando a rotina dos presídios, além de colocar no cardápio dos presos carne de sol, ervilha, milho e azeitona".
    "O medo do Estado com o PCC é tão grande, que logo atenderam às reivindicações dos líderes dos movimentos. Não tinha necessidade de ceder porque não havia refém, e a polícia estava quase dominando a situação. Os rebelados estavam trancados em uma área, que estava cercada de policiais. Não justifica a atitude da Sejus. Isso mostra a fragilidade do sistema", afirmou o sindicalista.

    2.12.12

    Corrida contra a morte

    Matéria muito interessante do Estadão de hoje, domingo.


    Polícia luta contra o tempo para salvar PMs em SP

    02 de dezembro de 2012 | 9h 13
    AE - Agência Estado
    Um grupo de policiais trabalha contra o relógio. São os homens da inteligência da polícia. Eles têm de prender um bando de assaltantes do Primeiro do Comando da Capital (PCC) de qualquer jeito. Essa é a única forma de impedir que mais dois policiais militares sejam assassinados na Grande São Paulo. A ordem para matá-los foi dada pela cúpula da facção criminosa há uma semana. O prazo para ela ser cumprida acaba em 23 dias.
    "É pra matar dois (PMs) do 15.º Batalhão". A guerra não declarada entre PCC e policiais militares criou essa situação dramática, a dos policiais que acompanham em tempo real as interceptações telefônicas dos diálogos de integrantes do crime organizado. "Começa a cair as conversas deles (dos bandidos) preparando o ataque. Olha, você não tem ideia da aflição que é ouvir eles se preparando para matar um PM. E o tamanho do esforço que a gente faz para impedir", disse um delegado de um dos setores de inteligência da polícia.
    A primeira coisa que esses homens tentam fazer é identificar e avisar o policial marcado para morrer. É esse drama que está em andamento em São Paulo. Na segunda-feira, uma mensagem vinda de Presidente Venceslau - cidade onde está presa a cúpula da facção - foi interceptada pela inteligência policial. O delegado-geral, Luiz Maurício Blazek, informou ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, que o plano era matar dois PMs do 15.º Batalhão - servia qualquer um da unidade. A ação era uma vingança em razão da morte de dois de seus integrantes em uma das mais violentas perseguições do ano.
    Trata-se do assalto a uma agência do Banco do Brasil na zona norte de São Paulo. O crime ocorreu em outubro. O bando com cerca de dez bandidos disparou tiros de fuzil em direção a um carro da PM, acertando 15 deles em uma viatura do 9.º Batalhão. Seguida por outros carros do 9.º e do 15.º Batalhões, parte do grupo foi interceptada por PMs - eles atiraram em um ônibus na tentativa de provocar ferimentos em passageiros, criar confusão e garantir a fuga.
    Dois deles foram mortos e três fuzis, apreendidos. Eles tinham mais de 400 cartuchos, coletes à prova de bala e uma dúzia de carregadores. Grella e Blazeck repassaram a informação ao comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, que teve de tomar uma decisão difícil: avisar a tropa ameaçada pelo PCC. Enquanto isso, continua correndo o prazo de 30 dias - sete já se foram - para que os PMs sejam mortos. E o desafio dos homens da inteligência fica a cada instante mais agudo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

    26.11.12

    Madrugada sangrenta

    Do Jornal Diário da Região

    Atualizado em 24/11/2012
    Em mais uma madrugada sangrenta onze são baleados em Osasco

    Quinze pessoas foram assassinadas e 23 ficaram feridas à bala durante a madrugada.Crimes ocorreram em São Paulo, São Bernardo, Diadema e Osasco 
    Da redação
    (policia@webdiario.com.br

    A capital de São Paulo, o ABC e a Grande SP registraram mais uma noite e madrugada violentas. Entre a noite de sábado (24) e a madrugada deste domingo (25), 15 pessoas foram assassinadas (14 delas a tiros e uma esfaqueada) e outras 23 acabaram feridas à bala nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Osasco. Segundo a Polícia Civil, que investiga os casos, a maioria deles teve características de execução, com homens em motos passando atirando contra pessoas que estavam em bares ou nas ruas.

    O número de mortes nesta madrugada é superior à média diária de assassinatos no mesmo mês do ano passado, que foi de 6,6 vítimas (veja tabela). Em meio à onda de violência que atinge o estado de São Paulo, tomou posse na quinta-feira o novo secretário Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira. Ele substitui Antonio Ferreira Pinto, que foi exonerado do cargo.



    Osasco


    Em Osasco, na Grande SP, 11 pessoas foram baleadas e quatro delas morreram numa chacina. Entre as vítimas estão pai e filho, um menino de 5 anos. Eles foram atingidos por volta das 4h deste domingo (25) no bairro Rochdale. As vítimas estavam em um bar, na esquina das ruas Manaus e Fortaleza. Quatro homens que estavam em duas motos pararam no local e efetuaram os disparos.


    São Bernardo do Campo

    
Em São Bernardo do Campo, no ABC, 5 pessoas foram mortas. Entre as vítimas fatais, quatro acabaram baleadas e uma foi esfaqueada entre sábado e domingo. Por volta das 22h de sábado, quatro homens em duas motos passaram atirando contra pessoas num bar na Estrada do Alvarenga. Sete pessoas foram baleadas, sendo que duas delas morreram.

    Perto das 23h10, quatro homens em duas motos também atiraram contra pessoas num bar na Rua Pedroso Horta. Três vítimas foram baleadas e uma delas morreu. O corpo foi encontrado na Estrada Eiji Kikuti. Quase no mesmo horário do caso acima, outras três pessoas foram baleadas em frente a um prédio na Rua Minas Gerais por quatro homens em duas motos. Já na madrugada deste domingo, por volta da 0h30, cinco pessoas foram baleadas na Rua Jânio Quadros. Um homem com capacete chegou a pé e atirou nas vítimas que conversavam na via.

    
Diadema


    Em Diadema, no ABC, três pessoas foram mortas a tiros depois da 0h deste domingo, no bairro de Vila Nogueira. Segundo a PM, dois homens armados que estavam a pé se aproximaram das vítimas e atiraram diversas vezes. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial da cidade.

    Perto das 19h de sábado (24), um bombeiro foi baleado em uma suposta tentativa de assalto num supermercado. Ele teria reagido contra dois criminosos que tentavam roubar o estabelecimento.

    Capital

    
Na cidade de São Paulo, dois suspeitos foram baleados e mortos por policiais militares por volta das 21h de sábado, na região de Aricanduva, Zona Leste. Um comparsa da dupla fugiu. O trio havia invadido uma casa disfarçado com roupas de funcionários de uma companhia elétrica onde anunciaram o assalto. A PM foi ao local e matou os suspeitos após suposta troca de tiros.

    No Grajaú, Zona Sul da capital paulista, uma pessoa foi baleada perto das 22h de sábado. A PM foi acionada por moradores que ouviram disparos de arma de fogo. A vítima foi encaminhada ao Hospital Geral do Grajaú. (com G1)

    12.11.12

    Do blod do Fred


    TJ-SP nega criação de ‘tribunal de exceção’

    Em relação à nota divulgada pela Associação dos Juízes pela Democracia (AJD), o Tribunal de Justiça de São Paulo esclarece:

    “A Portaria n. 8.678/2012 da Presidência do Tribunal de Justiça, que instituiu o Gabinete Criminal de Crise, em momento algum criou um tribunal ou juízo de exceção e, expressamente, ressalta que será respeitado o princípio do juiz natural.
    Não se trata de um órgão jurisdicional colegiado.
    Os juízes assessores da Presidência e da Corregedoria Geral da Justiça que o integram terão atribuições exclusivamente administrativas.
    Os demais juízes do Gabinete atuarão, singularmente, no exercício jurisdicional de competências que já lhes são próprias.
    O Juiz Corregedor do DIPO (Departamento de Inquéritos Policiais) é o juiz natural, na Capital, das medidas cautelares processuais penais na fase da investigação preliminar.
    O Juiz da 5ª Vara de Execuções Criminais da Capital,  à qual estão afetos presídios de segurança máxima do Estado, é o juiz competente para decidir sobre a transferência dos presos que neles se encontram para presídios federais e também sobre a inclusão de qualquer preso no regime disciplinar diferenciado (RDD).
    Quanto aos crimes ocorridos fora da Capital, serão respeitadas as regras de competência fixadas pelo Código de Processo Penal, e a Presidência do Tribunal de Justiça poderá, em razão de necessidade do serviço, designar juízes para auxiliar as demais Varas do Estado.
    Nesse momento de crescente criminalidade, é imprescindível que os Poderes e Instituições do Estado atuem de forma conjunta e harmônica, preservada a independência de cada qual.
    O Poder Judiciário, guardião da Constituição Federal e dos direitos fundamentais do cidadão, zelará pela eficiência e rapidez da prestação jurisdicional, e respeitará, sempre, os princípios do devido processo legal, do juiz natural e da presunção de inocência”.

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    2.11.12

    As guerras de SP

    Do blog do Guaracy Mingardi


    02.novembro.2012 12:26:57

    TIROS NA NOITE

    São Paulo é palco de duas guerras distintas. Numa delas a troca de tiros se dá entre policiais militares e criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital. A outra, menos sangrenta mas também destrutiva, foi uma guerra de palavras entre o Ministério da Justiça e a Secretaria de Segurança de São Paulo, cada lado culpando o outro pela crise estabelecida. Ao que tudo indica essa segunda disputa arrefeceu, São Paulo aceitou negociar os termos de um auxílio federal.
    Já a primeira guerra continua quente e produzindo baixas. Morreram dezenas de policiais enquanto o outro lado contabiliza um número ainda incerto de  vítimas. Ha mais de dois meses discutíamos neste blog a batalha que, a noite e na surdina, era travada na periferia. Policiais executando suspeitos, criminosos assassinando policiais em emboscadas planejadas e a volta de uma modalidade que havia saído de cartaz há anos do noticiário paulista, chacinas praticadas por grupos de extermínio na periferia.
    Resumindo o artigo anterior, os motivos para a volta de violência em grande escala são:
    1. Quebra das regras de convivência entre policiais e criminosos, que implica em que o criminoso que se rende vai preso mas não morre
    2. Fim de um acordo insustentável entre a direção da segurança pública de São Paulo e o PCC.
    O segundo motivo é mais recente. Embora a Secretaria de Segurança negue, é evidente que houve um pacto, mesmo que não explícito, entre os dois lados. Os quase seis anos de paz com o PCC não caíram do céu. Depois da demonstração de força de 2006 essa organização criminosa sumiu do noticiário. Silêncio nos presídios, onde as constantes rebeliões acabaram como um  passe de mágica, silêncio nas ruas, onde policiais civis eram proibidos de mencionar o Primeiro Comando da Capital para a imprensa, silêncio na Secretaria de Segurança, onde a nem se admitia a existência do “partido”, como o pessoal do metier chama o PCC.
    Deu no que deu. Em algum momento dos últimos meses o acordo que mantinha o PCC discreto e a Secretaria paralisada foi rompido. Não interessa porque ou por quem. Não podia durar porque, além de ilegal, pois as polícias tem obrigação de agir contra todo e qualquer grupo criminoso, também era um acordo imoral, já que alicerçado sobre o cadáver de dezenas de policais mortos em 2006.
    E quem ganhou com esses cinco anos de trégua foi a organização criminosa, que teve tempo para aumentar seu poder nos presídios e crescer nas ruas. E por conta disso os corpos se avolumam e a chefia da segurança paulista não consegue estabelecer uma estratégia para enfrentar a crise, simplesmente nega os fatos e esconde a cabeça na areia.
    O problema é que para pensar numa estratégia é necessário reconhecer que existe um problema, e o comando da segurança paulista demorou demais. Para controlar a situação são necessárias medidas para conter os dois lados. É preciso apaziguar parte da polícia que quer vingar os companheiros mortos e controlar o crescente poder do PCC, além de punir os responsáveis pelos homicídios. Nenhum desses objetivos é de curto prazo. Os donos da segurança deixaram a crise ir longe demais.
    Por conta disso qualquer política de segurança que procure cumprir estas metas tem de atacar em várias frentes. Nas conversas com gente do ramo todos mencionam cinco medidas que tem de começar imediatamente para que possamos sair da crise e voltar ao status quo, a insegurança normal que vive o paulistano. As medidas recomendadas pelos especialistas são:
    - Apertar com o PCC tirando dele o controle dos presídios. Enquanto essa organização mantiver o domínio nos presídios vai continuar crescendo. O criminoso profissional adere ao PCC porque sabe que um dia ou outro acaba em cana, e aí a melhor coisa é ser amigo de quem manda na cadeia.
    - Mandar os líderes do crime para o isolamento, dificultando a comunicação com os cúmplices. A quase totalidade dos que mandam na organização criminosa está em presídios comuns. Desde 2006, quando o acordo PCC x Segurança entrou em vigor, apenas um líder (codinome Tiriça) foi mandado para o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), e isso só ocorreu neste ano. Aliás supõe-se que foi um dos motivos das represálias dos criminosos.
    - Criar uma força tarefa com PM e PC para investigar os homicídios de policiais. Uma das regras não escritas, e que foi deixada de lado, é dar prioridade a investigação dos homicídios cujas vítimas são policiais. O motivo dessa regra é simples: se o Estado não identificar e punir quem mata um policial, existe uma grande probabilidade de que seus colegas resolvam se vingar as margens da lei. E no nosso caso com um agravante, pois na maior parte dos casos não foram identificados os matadores. Sem saber quem foi o autor dos crimes alguns policiais acabam exercendo a vingança contra qualquer bandidinho ou pessoa que pareça criminoso.
    - Investigar de fato as mortes praticadas por supostos grupos de extermínio. Já tivemos três períodos nos últimos 30 anos em que a Polícia Civil criou grupos especiais para conter determinados grupos de matadores. Na década de 80 quem mais matava eram os Pés de Pato, Justiceiros, etc. Matadores da periferia que matavam por contrato com comerciantes da região. Alguns anos atrás foram os grupos de extermínio constituídos por PMs, que faziam a mesma cosa escondidos atrás da farda. Em ambos os casos foram criados grupos para investigar estes crimes, muitos matadores foram presos o número de homicídios baixou muito na década passada.
    - Criar um grupo que investigue o dinheiro do PCC. No mundo inteiro a regra número um no combate as organizações criminosas é localizar e apreender o dinheiro ganho ilegalmente. Sem capital qualquer grupo criminoso perde poder e prestígio.  Parece que temos dificuldade em seguir essa receita. Aparentemente as polícias e o Ministério Público  não estão interessados em seguir esta trilha longa e que dá pouco Ibope.
    Nenhuma das 5 ações vai produzir resultados imediatos, mas são necessárias e quanto mais tarde iniciarem pior para todos nós, que teremos que continuar no meio de uma guerra, servindo de alvo para ambos os lados. E não se engane o leitor se, de repente, as mortes diminuírem. Pode ser apenas uma volta aos termos do antigo acordo, o que acabará por dar ao PCC tempo para respirar e aumentar o poder, começando um novo round daqui algum tempo.

    Guaracy Mingardi