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17.1.14

Em Campinas, Justiça nega liminar para impedir rolezinhos

DO UOL

Justiça de Campinas (SP) nega liminar a shoppings para barrar 'rolezinho'

Eduardo Schiavoni
De Americana (SP)
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"Rolezinhos" em shoppings pelo Brasil40 fotos

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14.dez.2013 - Seguranças abordam jovens que entraram cantando funk na praça de alimentação do shopping Internacional Guarulhos (Grande SP). O "rolezinho", encontro marcado via redes sociais, terminou em tumulto e com mais de 20 detidos Leia maisRobson Ventura/Folhapress
A Justiça de Campinas (93 km de São Paulo) negou dois pedidos de liminar feito por shoppings da cidade que tentavam impedir a realização dos chamados rolezinhos, encontros de jovens marcados pelas redes sociais, dentro dos centros comerciais.
Os shoppings Dom Pedro e Iguatemi foram os autores dos pedidos, que acabaram negados pelos juízes da 1ª e da 8ª varas cíveis. Os magistrados se basearam na Constituição Federal, que garante o direito de reunião e o de ir e vir, para negar os pedidos.
O Campinas Shopping confirmou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que também irá acionar o Judiciário para tentar impedir os encontros.
Na avaliação do juiz Herivelto Araújo Godoy, da 1ª vara cível, que negou a liminar ao Shopping Iguatemi, o rolezinho, que ele classifica como encontro de jovens, não pode ser barrado.
"O movimento, que vem se verificando com alguma frequência em outros empreendimentos comerciais não visa expropriação ou posse de nada. Busca, isso sim, a realização de encontro de jovens em grande número, o que vem assustando, nem sempre com razão, comerciantes e frequentadores habituais desses locais", afirma o magistrado, na sentença.
Para o juiz, a simples reunião de jovens não pode ser classificada como criminosa de forma prévia.
"Se é correto afirmar que distúrbios se verificaram em eventos semelhantes em outras cidades, também é cediço que muitos deles transcorreram de forma pacífica, sem a ocorrência de crimes, nada justificando o cerceamento prévio dos jovens."
Já o juiz Renato Siqueira de Pretto, da 8ª vara cível, que indeferiu a liminar pedida pelo shopping Parque Dom Pedro, citou a Constituição Federal para a negativa.
"Ora, é certo que o direito fundamental supramencionado encontra explícito abrigo no artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, o qual giza que 'todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente".

"Piãozin"

Campinas registrou dois "piãozin" –-nome pelo qual os rolezinhos são chamados na cidade. Ambos aconteceram no Unimart, sendo um em dezembro e outro em janeiro. Nos dois casos, não foram registradas ocorrências de vandalismo.
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"Rolezinhos" são retratados em charges 9 fotos

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16.jan.2014 -Charge feita pelo cartunista Carlos Latuff critica a reação da Polícia Militar ao encontro de jovens conhecido como "rolezinho" Latuff/www.facebook.com/realcarloslatuff
Também houve uma tentativa no shopping Dom Pedro, em 10 de janeiro, mas, os jovens não compareceram ao encontro, marcado pela internet.
Mesmo com a negativa da Justiça, as redes sociais seguem sendo monitoradas pelos shoppings. Sete estabelecimentos da cidade, incluindo os dois que tiveram liminares negadas, confirmaram, ainda, que realizam ações preventivas para garantir a segurança dos clientes. Entre elas está aumento no contingente de segurança.

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  • Bruno Poletti/Folhapress
"O Shopping Center Iguatemi Campinas esclarece que serão tomadas todas as medidas preventivas para garantir a segurança e a tranquilidade de todos nossos clientes, lojistas e colaboradores", diz o shopping, em nota.
Posição parecida tem o Dom Pedro. "A administração tomou conhecimento do encontro de jovens marcado para os dias 10 e 11 de janeiro e solicitou liminar preventiva à justiça, na ocasião. Porém o referido encontro não ocorreu. A empresa segue monitorando as redes sociais e adotará todas as medidas cabíveis para manter a segurança, o conforto e o bem-estar de clientes, lojistas e funcionários", informou.
Procurada, a PM (Polícia Militar) informou que a responsabilidade pela segurança dentro dos shoppings é de seus  administradores, mas que poderá agir caso seja solicitada ou caso existam ocorrências, para garantir a ordem.

16.1.14

Os rolês e os novos desdobramentos

Do G1.

Shopping de SP fecha as portas para evitar 'rolezão' de sem-teto

Integrantes do MTST se concentravam para evento em estação de trem. 
Participantes pretendem caminhar até dois shoppings na Zona Sul de SP.

Lívia Machado e Marcelo MoraDo G1 São Paulo
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Integrantes do MTST se concentravam para evento em estação de trem.  (Foto: Marcelo Mora/G1)Integrantes do MTST se concentravam para evento em estação de trem. (Foto: Marcelo Mora/G1)

O Shopping Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, conseguiu uma liminar na Justiça e fechou as portas na tarde desta quinta-feira (16) antes do "rolezão popular", como foi chamado o protesto programado por movimentos sociais. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) se concentraram na estação Campo Limpo da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e seguiram até o estabelecimento comercial.
O MTST faz um ato contra liminares concedidas pela Justiça de São Paulo que impedem a realização dos chamados “rolezinhos”. Também convocados no Facebook como “Rolé”, “Rolê”, “Rolezaum”, “Rolezão”, “Rolézinho”, os eventos são encontros de jovens e adolescentes marcados para espaços como parques e shoppings.
Integrantes do MTST se reúnem em estação Campo Limpo da CPTM (Foto: Marcelo Mora/G1)Integrantes do MTST se reúnem na estação Campo
Limpo da CPTM (Foto: Marcelo Mora/G1)
O Shopping Campo Limpo conseguiu uma liminar na Justiça contra o protesto. Quem descumprir a decisão poderá receber multa de R$ 5 mil. Em sua decisão, o juiz Alexandre David Malfatti, da 7ª Vara Cível, afirma que o centro comercial não tem condições de abrigar o encontro.
“Não se trata de inferir que os manifestantes sejam marginais ou que queiram, premeditadamente, causar dano pessoal ou patrimonial”, afirma o magistrado. “Trata-se da reação normal de pânico e desordem que se espera quando milhares de pessoas chegam a um local fechado, com corredores estreitos e poucas saídas para todos.”
A programação dos sem-teto é seguir em caminhada de duas estações da CPTM até dois shoppings da Zona Sul. Às 17h50, integrantes do MTST fechavam os dois sentidos da Estrada de Itapecerica, onde fica uma das entradas do Shopping Campo Limpo. Cerca de cinco minutos depois, o sentido Marginal foi liberado.
Entenda os rolezinhos - cronologia e proibição (Foto: Arte/G1)
Um lojista que preferiu não se identificar relatou ao G1 que o Shopping Campo Limpo fechou por volta das 17h, mas que o clima era tranquilo. Apenas os clientes que já estavam dentro do estabelecimento puderam permanecer. A assessoria do shopping confirmou por volta das 17h30 que as portas foram fechadas. 
Jardim Sul
Além do Campo Limpo, o Shopping Jardim Sul também será destino de integrantes do MTST. A assessoria do shopping disse que, às 17h30, o estabelecimento comercial permanecia aberto. Em nota, o Jardim Sul diz que "estão sendo tomadas todas as medidas preventivas para garantir a segurança e bem estar dos clientes, lojistas e colaboradores".
A concentração do MTST para seguir até o Jardim Sul aconteceu na estação Giovanni Gronchi da CPTM, na mesma região da cidade. O grupo saiu em caminhada pelas ruas por volta das 17h40. "Vamos em apoio a esses jovens da periferia que não tem acesso a nada", defende Ana Paula Ribeiro, da coordenação do MTST.
A coordenação descarta estender a manifestação para outro local, na impossibilidade de realizar o protesto dentro do centro comercial. Se o grupo não conseguir entrar no Shopping Jardim Sul, fará uma manifestação e encerrará o ato.
Ana Paula defende o caráter social do ato. Para ela, os jovens não estão apenas em busca de paquera e badalação. "A gente não identifica como tão superficial assim. Para a gente é um caráter social", disse.
Segundo a coordenação do MTST, o 'Rolezão Popular' é “contra a discriminação social e racial imposta pelo Judiciário e por shoppings”, afirmou, em nota. “O objetivo é denunciar o apartheid imposto contra os moradores de periferia, impedindo-os de circular nos shoppings.”
Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST, diz que a ação da Justiça segrega a sociedade e provoca um apartheid. “Nós lutamos contra a segregação contra o povo da periferia. A forma como a Justiça vem tratando isso é totalmente discriminatória, barra quem é negro, quem tem cara de pobre”, afirmou. “A sociedade lamentou há um mês a morte de Nelson Mandela [líder negro] e ao mesmo tempo está comandando um apartheid social”, acrescentou.
Para Jussara Basso, integrante do MTST, a liminar que impede a entrada e circulação de shoppings em São Paulo é revoltante. “Nós somos uma bandeira social com um todo. O movimento racial e social contra negros e pobres é revoltante”, justifica.