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18.6.14

A questão dos juízes auxiliares

Do blog do Fred


TJ-SP deve regulamentar designação de juízes auxiliares por decisão do CNJ

POR FREDERICO VASCONCELOS
17/06/14  13:53

Ao julgar pedido de juiz afastado da área criminal, CNJ determina que tribunal estabeleça critérios objetivos.

O Conselho Nacional de Justiça decidiu que o Tribunal de Justiça de São Paulo deverá, no prazo de 60 dias, regulamentar com critérios impessoais e objetivos as designações de juízes auxiliares da Capital.

A decisão foi tomada por maioria, nesta segunda-feira (16), no julgamento de pedido de providências requerido por Roberto Luiz Corcioli Filho, Juiz de Direito Auxiliar da Comarca da Capital de São Paulo (*).

Em seu requerimento, o magistrado sustentou que, em 10 de junho de 2013, foi comunicado, via e-mail, por um juiz assessor da presidência do TJ-SP, que, a pedido (informal) do então corregedor-geral [desembargador José Renato Nalini] ao então presidente [desembargador Ivan Sartori], estaria cessando suas designações para atuar no Fórum Criminal Central de São Paulo.

O motivo, segundo o juiz, foi uma representação formulada contra si por membros do Ministério Público. Seu afastamento da área criminal, informou ao CNJ, foi feito sob a alegação de que a medida seria para “preservá-lo e também preservar o TJ-SP”.

Segundo Corcioli Filho, a representação “constituiu-se em um claro ataque à pessoa deste magistrado formulado por dezessete promotores de justiça que demonstraram seu descontentamento com o teor das decisões proferidas pelo requerente”.

No entendimento do juiz, os promotores estariam descontentes com o teor “garantista” de suas decisões.

Segundo o juiz, se o seu afastamento da área criminal “já se constituía de um ato absolutamente ilegal” (…) “a arbitrariedade perpetrada tornou-se ainda mais patente a partir do momento em que a representação foi arquivada por decisão do Órgão Especial” do TJ-SP, em 19 de fevereiro de 2014.

Com o arquivamento, Corcioli Filho pediu seu retorno aos plantões criminais e infracionais e que, oportunamente, voltasse a atuar na área criminal, de onde fora retirado. Não recebeu resposta do tribunal. Ele então decidiu recorrer ao CNJ.
A Associação Juízes para a Democracia (AJD), de cujo Conselho  de Administração o magistrado é membro, também requereu que o CNJ determinasse a regulamentação das designações pelo TJ-SP. O pedido da AJD –apensado pelo CNJ ao requerimento de Corcioli Filho– reforçou o entendimento de que não se tratava de uma questão pessoal, hipótese que foi afastada pela conselheira relatora, Gisela Gondin Ramos. O caso “tem repercussão geral e é de extrema importância”, afirmou a relatora.

Durante os debates, o ministro Joaquim Barbosa perguntou à conselheira Deborah Ciocci –que iniciou a divergência– qual é o número de juízes auxiliares do TJ-SP. Barbosa considerou o número elevado (são 217 juízes auxiliares).

O presidente do CNJ, que acompanhou o voto da relatora, criticou as “informalidades” dessas designações, que poderiam ferir o princípio da independência e inamovibilidade do juiz, além de “propiciar manipulações”.
A conselheira Luíza Cristina Frischeisen defendeu a necessidade de o TJ-SP disciplinar as designações, com critérios objetivos. “É uma garantia de todos os juízes da Capital e do próprio presidente”, disse. “Está mais do que na hora de o Tribunal de Justiça de São Paulo ter regras claras”, afirmou Frischeisen.
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(*) PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS 0001527-26.2014.2.00.0000

28.10.12

Algo necessário e que não pode ser deixado de lado

Editorial da Folha de São Paulo deste domingo, dia de São Judas Tadeu e segundo turno


EDITORIAIS
editoriais@uol.com.br
Habitar o centro
Tornou-se consensual em São Paulo a ideia de que o deficit habitacional do município deveria ser sanado, tanto quanto possível, com a oferta de moradias na região central da cidade.
Há uma dupla vantagem na estratégia. Em primeiro lugar, ocupa-se uma área com edificações ociosas e boa infraestrutura -o que reduz custos. Em segundo, aproxima-se parte da população dos locais de trabalho, o que tende a encurtar os deslocamentos e a aliviar o já sobrecarregado sistema de transporte público.
Na política, todavia, bons diagnósticos, mesmo consensuais, tardam a se traduzir em ações. No caso em questão, a distância entre proposta e realidade começa a diminuir com a notícia de que em breve 2.440 apartamentos no centro serão oferecidos a famílias com renda de até dez salários mínimos.
A prefeitura já mapeou 53 imóveis que se prestam a reformas com essa finalidade. Outros serão construídos. A primeira etapa abarca 17 edifícios, entre restaurados e novos. A ideia é que tenham estabelecimentos comerciais no térreo, facilitando ainda mais o acesso a serviços básicos -como bancos, restaurantes, supermercados etc.
As obras são conduzidas diretamente pela prefeitura ou em parcerias com a iniciativa privada.
Trata-se de um primeiro passo que, por si só, diminui muito pouco o deficit de 226 mil casas estimado pela Secretaria de Habitação.
O projeto vai, contudo, na direção correta de adensar a ocupação do centro de São Paulo -onde moram menos de 4% dos paulistanos e estão 17% dos empregos.
Há outros projetos importantes em curso, entre as quais o da Nova Luz. A reconstrução desse bairro, todavia, tem esbarrado em problemas de gestão e conflitos com comerciantes e população local.
Caberá ao novo prefeito a tarefa de desobstruir o caminho para que a Nova Luz se transforme em realidade, além de fazer avançar muito a oferta de unidades habitacionais na área central.
Já passou da hora de a desgastada retórica sobre a revitalização do centro dar lugar a realizações palpáveis que beneficiem a população e ajudem a mudar o perfil da região, que ainda é castigada por anos de abandono.