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10.2.15

Mais uma aposentadoria

Do blog do Fred, Interesse Público

Primeira desembargadora do TJ de São Paulo decide antecipar aposentadoria

POR FREDERICO VASCONCELOS
09/02/15  12:15
1910
 
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Zélia Antunes Alves
A Desembargadora Zélia Maria Antunes Alves, da 13ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, decidiu antecipar sua aposentadoria, despedindo-se dos colegas da Câmara na última quarta-feira (4).
Primeira mulher a se tornar juíza estadual em São Paulo, em 1981 –e primeira magistrada a assumir o cargo de Desembargadora no Tribunal, em abril de 1995–, Zélia só atingiria a idade limite para a chamada “expulsória” em dezembro de 2024.
“Minha aposentadoria já poderia ter sido requerida desde o ano de 2007, ou seja, há sete anos. Prossegui, por uma questão de foro íntimo. Doravante, pretendo dedicar-me à minha vida pessoal e interesses culturais”, informou ao Blog.
A magistrada não quis conceder entrevista. Não comentou os motivos que a levaram a deixar o Tribunal. Ela preferiu uma despedida discreta, sem a tradicional solenidade pública com discursos do presidente da Corte e outras homenagens.
Reportagem publicada na Folha em 29 de dezembro último, de autoria do editor deste Blog, citou Zélia Maria numa lista de 35 desembargadores que mantinham em seus gabinetes processos não julgados acima da média do tribunal [o TJ-SP tem 357 desembargadores].
Com base em relatório do próprio tribunal, a reportagem revelou que, em outubro de 2014, a desembargadora tinha em seu gabinete 2.362 processos sem decisão. Naquele mês, a média da Subseção 2 de Direito Privado, à qual ela pertencia, foi de 1.168 processos não julgados.
A magistrada informou, na ocasião, que, além da 13ª Câmara de Direito Privado, integrava, também, a 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente.
“Acumulo a distribuição de duas Câmaras distintas. Afora isso, ao assumir a cadeira na 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente recebi acervo de centenas de processos de altíssima complexidade para decisão”, afirmou.
O esclarecimento foi publicado no jornal.
Em entrevista exclusiva a Roseli Ribeiro, do site “Última Instância“, publicada em março de 2007, Zélia Maria comentou como foi recebida pelos colegas no início da carreira:
Sempre fui muito bem recebida pelos meus colegas de primeira instância. Pelos colegas de segunda instância, com uma certa reserva. Havia entre eles mais preconceito pela admissão de mulheres na magistratura. No dia-a-dia, alguns advogados foram ‘folgados’, achando que, pelo fato de ser mulher, poderiam falar de qualquer jeito. Com o homem, era excelência prá cá, excelência prá lá. Com a mulher, o tratamento já era com um certo desrespeito. Isso foi durante um período. Hoje mudou. O que mais importa é o trabalho da pessoa, a forma como ela se coloca“.
Em junho de 2014, a convite do presidente do TJ-SP, José Renato Nalini, Zélia Maria fez a saudação em nome do Tribunal na solenidade de posse dos Desembargadores Caio Marcelo Mendes de Oliveira e Luiz Antonio Coelho Mendes [fotos].
Em seu discurso, ela abordou a questão da produtividade e das pressões que o juiz recebe:
Com milhares de processos para decidir e a exigência de contínua e elevada produtividade pelo órgão de controle do Judiciário, para o Juiz de hoje, a análise criteriosa de cada caso passou a ter papel secundário, o importante é produzir a qualquer custo e de qualquer forma, porque o que importa não é mais a qualidade das decisões judiciais, não é mais ‘dar a cada um o que é seu’, e, sim, a quantidade, mesmo que isso signifique a preponderância da INJUSTIÇA e das decisões teratológicas e absurdas”.
“São tempos de incerteza e de perseguições, onde o Magistrado é obrigado a se despir de sua toga, travestindo-se em um operário de linha de produção em massa, que se limita a aplicação de súmulas, de precedentes, de decisões padrão, buscando, única e exclusivamente, atingir a produtividade estabelecida por critérios duvidosos, sem nenhum vínculo com a verdadeira Justiça, sob pena de ser execrado pelos seus pares”.

15.6.14

A disputa de mais uma cadeira no STF

Matéria desta fonte - http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2014/06/15/sete-disputam-a-vaga-de-joaquim-barbosa-no-stf/


Sete disputam a vaga de Joaquim Barbosa no STF

Leandro Mazzini
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stf
Charge de ALIEDO – http://aliedo.blogspot.com
Pelo menos sete nomes disputam com chances a vaga do ministro Joaquim Barbosa, que deixa o Supremo Tribunal Federal (STF): quatro são do Superior Tribunal de Justiça (STJ), um é professor da Universidade de São Paulo (USP) e outros dois ministros do governo Dilma.
Do STJ, Benedito Gonçalves, Herman Benjamin, Maria Thereza Assis de Moura e Luiz Felipe Salomão. Da USP, o professor e tributarista Heleno Torres; Do governo federal, além do Advogado Geral da União, Luís Adams – sempre citado, embora não mostre vontade – o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mestre e doutor pela PUC-SP.
Na esteira das especulações se seguem apadrinhamentos de alguns. Negro como Barbosa, Benedito Gonçalves tem currículo extenso e diversificado. Nasceu no interior paulista, foi papiloscopista da Polícia Federal, delegado da Polícia Civil do DF, juiz federal e antes de ascender ao STJ era desembargador do TRF da 2ª Região. Nos bastidores das togas no Supremo, há indicações de que, apesar de muito amigo do ex-presidente Lula, não deve ser o indicado pela presidente Dilma, porque neste sentido criaria uma 'cota' para a vaga.
O professor e jurista Heleno Torres é amigo e apadrinhado por Luís Inácio Adams – outro cotado. Conceituado no meio acadêmico, ficou 'queimado' com a presidente ao se sentir convidado após uma entrevista para outra vaga ano passado. Espalhou e se deu mal. (lembre aqui).
Especialista em Direito Econômico e egressa da vaga da OAB para o STJ, Maria Thereza é apadrinhada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Já outros dois colegas, Herman Benjamin e Salomão, não têm padrinhos específicos, mas conquistaram o apoio do Legislativo brasileiro.
Natural de Catolé do Rocha (PB), Benjamin cresceu na carreira de procurador do MP em São Paulo. Em Brasília, notabilizou-se por presidir a Comissão de Juristas, junto ao Congresso Nacional, para elaboração do novo Código de Defesa do Consumidor. Juiz estadual no Rio, Luiz Felipe Salomão não tem ligações partidárias ou padrinho político, mas conquistou bom trânsito entre os Poderes, em especial após presidir Comissão Especial do Senado para o tema “Soluções para Conciliação, Mediação e Arbitragem''.
MAIS DOIS
Se vencer a eleição, Dilma nomeará mais dois ministros. É que se aposentam neste ano e em 2015, respectivamente, Celso de Mello (em novembro) e Marco Aurélio Mello (em julho).

25.11.13

Já vai?

Do Conjur

RÁDIO CORREDOR

Pauta do STJ é aposentadoria de Eliana Calmon

Na festa de casamento da filha do ministro do Superior Tribunal de Justiça João Otávio Noronha, que aconteceu na sexta-feira (22/11) em Brasília, duas mulheres se dividiam entre os assuntos principais das conversas. Só se ouviam dois comentários: "Como a noiva está linda!" e "você viu quem vai aposentar?". Todo mundo tinha visto e sabia que era a ministra Eliana Calmon.
Foi daquelas situações embaraçosas. Um ia contar um segredo pro outro, e o outro já vinha com detalhes sobre o mesmo caso. A ministra tem conversado com os colegas do tribunal para colocar os funcionários de seu gabinete à disposição. Ela tem dito que pode cedê-los ao gabinete de um colega antes de sair, para evitar que o assessor tenha de pedir a transferência para um ministro recém-chegado, ou, pior, tenha de sair do tribunal para depois voltar. A “oferta” é para que a corte não perca os assessores, já experientes e tão benquistos por ela.
Ninguém estranhou a dilapidação funcional da ministra. Todos dizem que ela, inclusive, já pediu a aposentadoria ao presidente do STJ, ministro Felix Fischer, na própria sexta-feira. Também dizem que ela pediu para que a publicação da aposentadoria só seja feita no dia 18 de dezembro — o último dia forense útil em Brasília é 20 de dezembro, quando começa o recesso.
A ministra nega. Disse estar preocupada com a circulação de informações. “Cada dia é uma notinha numa coluna diferente”, brincou. A preocupação principal é que, como membro da 1ª Seção, Eliana julga matéria administrativa, que tem a ver com política e políticos. Como membro da Corte Especial, a ministra julga ações penais contra detentores de foro especial por prerrogativa de função. Ou foro privilegiado, como ficou o apelido. “Não quero misturar as coisas, ainda estou no tribunal”, encerrou.
A palavra “ainda” toma contornos interessantes, dada a situação atual. Ministros também comentam que Eliana Calmon sai no recesso forense e não volta mais para o tribunal. Estão certos de que vai se filiar a algum partido para sair candidata ao Senado. Só não se sabe qual partido. Nem ela sabe. Uns dizem que será o PSB, a legenda de Eduardo Campos, que fará oposição ao PT na corrida presidencial. Outros dizem que será o PDT, com quem ela “tem uma ligação muito forte”.
Eliana passou a última semana reunida com seus assessores na Escola Superior de Aperfeiçoamento de Magistrados, a Enfam, da qual é diretora. Estava estruturando um curso que começa esta semana. Seus colegas do conselho superior da Enfam contaram que ela, emocionada, se despediu deles e da magistratura. Os que não são do STJ lamentaram, pois consideram que ela fez um “excelente trabalho”, tanto na escola quanto como juíza. Os do STJ, nem tanto. “Tinha gente soltando rojão na festa de ontem”, comentou um ministro que estava no casamento.
Políticos de toga
Ninguém é contra a ministra se candidatar. Muito pelo contrário, como se diz. Acham até que ela tem vocação para a política e pode fazer um bom trabalho no Senado. Mas criticam a forma como ela vem conduzindo o episódio. Consideram que o fato de ela dizer para todos que vai sair, mas negar em público e ficar em cima do muro quando conversa com a imprensa sobre a possibilidade de sair candidata é uma manobra pensada.
“Ela está usando do cargo para criar fatos políticos e deixar o nome dela em evidência”, analisou um ministrou. "Se ela vai sair candidata, que saia do tribunal e faça sua campanha", reclamou outro. "Nada contra a ministra, até a considero uma pessoa séria e responsável, mas é essa a postura que se espera de uma pessoa que se dizia paladina da justiça dentro do Judiciário? Da pessoa que estava à caça dos ‘bandidos de toga’?", disse outro deles à revista Consultor Jurídico.
Os tais "bandidos de toga" foram usados, metaforicamente, pela ministra durante uma entrevista. Dada a frases de efeito, quando era corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon tomou como meta de trabalho acabar com a corrupção no Judiciário. Era o que ela reputava ser o grande problema da Justiça brasileira. Aí disse que havia "muitos bandidos escondidos atrás da toga" que precisavam ser expurgados da carreira. A conduta deles, afirmava, não condizia com a magistratura.
Cadeira vazia
A saída de um ministro do STJ antes da hora tem suas consequências. A principal delas é a cadeira deixada. Eliana Calmon ocupa uma das vagas reservadas à Justiça Federal no STJ. Seu substituto deverá, por regra constitucional, ser desembargador federal como ela, que foi do TRF-1 por dez anos e juíza federal por outros dez.
E aí é que está o problema. O ministro Castro Meira, que aposentou recentemente, também era de uma vaga reservada aos TRFs. A lista tríplice dos candidatos à sua vaga que será encaminhada à presidente da República foi decidia pelo Órgão Especial na quarta-feira (20/11). Entraram os desembargadores federais Néfi Cordeiro (TRF-4), Gurgel de Faria (TRF-5) e Ítalo Mendes (TRF-1).
Por mais que a ministra tenha feito o comunicado formal ao ministro Fischer na sexta, a iminência de sua aposentadoria já fosse mais que sabida no tribunal. E como dificilmente vai dar tempo de os candidatos não escolhidos pela presidente Dilma Rousseff se candidatarem novamente, muitos ministros acham que o presidente deveria esperar. A consequência da pressa é que a lista decorrente da aposentadoria da ministra Eliana provavelmente será composta pelos candidatos não escolhidos pela Corte Especial na última quarta. “O presidente se precipitou”, afirmou um dos ministros.

Pedro Canário é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.