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12.5.13

Essa notícia é tão importante que merece ser colocada aqui

Da Folha de São Paulo de ontem


Nível de CO2 no ar atinge marca histórica
Concentração de gás-estufa medida no Havaí chega a 400 partes por milhão, a maior em mais de 3 milhões de anos
Ultrapassagem desse patamar indica possibilidade de aquecimento excessivo do planeta
DO "NEW YORK" TIMESDE SÃO PAULOO nível do gás-estufa mais importante, o dióxido de carbono, chegou à marca de 400 ppm, a maior concentração presente na Terra em milhões de anos e um valor há muito temido pelos cientistas.
A medição não significa que, instantaneamente, haverá mais problemas ou doenças relacionadas ao CO2. Mas o patamar atingido é considerado um marco simbólico pelos pesquisadores.
Nas últimas décadas, os cientistas assinalaram que, para evitar um aquecimento excessivo da Terra, esse limite não deveria ser ultrapassado. O resultado de agora demonstra que os esforços para controlar as emissões de carbono provocadas pelo homem estão falhando.
As evidências mostram que o nível desse gás no ar nunca esteve tão elevado nos últimos 3 milhões de anos. Os cientistas acreditam que essa elevação possa provocar grandes alterações no clima e nos níveis dos oceanos.
"Isso simboliza que, até agora, nós falhamos enormemente em evitar esse problema", disse Pieter Tans, que administra o programa de monitoramento da NOAA (Administração Nacional de oceanos e Atmosfera dos EUA), instituição que reportou o resultado.
Ralph Keeling, que coordena outro programa de monitoramento no Instituto Scripps de Oceanografia, em San Diego, disse que um aumento contínuo seria catastrófico. "Isso significa que nós estamos perdendo a possibilidade de manter o clima abaixo do limite que a pessoas pensavam que era tolerável até agora".
A nova medição veio de análises no topo do vulcão Mauna Loa, no Havaí, considerado o marco zero das tendências da concentração de CO2 no mundo.
Dispositivos instalados no observatório local coletam amostras de ar que é soprado a milhares de quilômetros pelo oceano Pacífico, produzindo um registro de aumento do nível de dióxido de carbono que tem sido acompanhado de perto por meio século.
O pai do pesquisador Ralph Keeling, Charles Keeling, começou com as medições de dióxido de carbono em Mauna Loa e em outros locais no fim da década de 1950. Na época, os níveis eram de 315 ppm.
Suas análises revelaram um aumento implacável e de longo prazo, tendência que foi batizada curva de Keeling.
Medições no Ártico e no próprio Havaí, no ano passado, já haviam indicado concentrações acima de 400 ppm, mas sempre por um período de poucas horas. Na última quinta, foi a primeira vez que a marca média se manteve por um dia inteiro.
O dióxido de carbono sobe e desce em um ciclo sazonal. Seu nível deve cair para menos de 400 ppm no verão do hemisfério Norte, à medida que as folhas que crescem por lá retiram 10 bilhões de toneladas de carbono do ar.
Mas, para os especialistas, a queda será breve e se aproxima o dia em que a medição, em qualquer parte da Terra, estará acima dos 400 ppm.
Desde 1992 há esforços para reduzir as emissões de carbono. Mas, ao invés de diminuir, elas estão aumentando em ritmo acelerado, parcialmente devido ao crescimento econômico nos países em desenvolvimento.
Cientistas temem que os níveis possam dobrar, ou mesmo quadruplicar, antes de ficarem sob controle.

    26.7.12

    Para não falar só do mensalão...

    Notícia grave e preocupante. Do Estadão de hoje


    Groenlândia tem derretimento extremo

    26 de julho de 2012 | 3h 02
    The New York Times
    Em apenas quatro dias, neste mês, a superfície da manta de gelo da Groenlândia derreteu em uma quantidade nunca antes observada por satélite, afirmou a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa). As medições são feitas há 30 anos.
    Em média, cerca de metade da superfície gelada derrete durante o verão do Hemisfério Norte, mas, entre os dias 9 de 12 deste mês, o índice de derretimento do gelo subiu de 40% para 97%, afirmam cientistas.
    "Comecei a olhar as imagens de satélite e vi algo sem precedentes", afirmou anteontem Thomas Mote, climatologista da Universidade da Georgia que estuda mudanças no gelo da Groenlândia há 20 anos.
    Enquanto cientistas descreveram o evento como "extremo", eles ressaltam que, em um contexto histórico mais amplo, ele pode ser visto como normal. Isso porque amostras de gelo retiradas das profundezas mostram que, nos últimos 10 mil anos, a cada 150 anos um grande derretimento semelhante ocorreu - o último foi em 1889.
    Mesmo assim, os cientistas afirmam que o derretimento deste mês foi significativo, porque a manta de gelo da Groenlândia está diminuindo por causa do aquecimento dos oceanos.
    "Ainda que esse evento seja parte de uma variação normal, não deixa de ser um experimento fantástico para que entendamos como a manta de gelo vai se alterar", afirmou Thomas Wagner, líder do programa de estudos da criosfera - as regiões da superfície terrestre cobertas permanentemente por gelo e neve - da Nasa.