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30.3.12

Mais uma do Demóstenes

Essa vem do Lauro Jardim


23:17 \ Congresso

Influência a serviço de Cachoeira

Influência para conseguir audiência
Demóstenes Torres ainda era um respeitado e influente senador da República quando solicitou à Anvisa, no começo de setembro do ano passado, um encontro com seu diretor-presidente, Dirceu Barbano. A conversa, dizia o pedido de audiência, serviria para tratar de um certo “protocolo de câncer de próstata”. Diante do pedido de um senador e da relevância do tema, Barbano encaminhou a solicitação com prioridade, marcando a conversa para 21 de setembro.
Com a audiência confirmada, Demóstenes apresentou então o real motivo da conversa com o comandante da Anvisa: discutir a liberação de registros da agência para medicamentos genéricos e similares do laboratório Vitapan, um dos braços de Carlinhos Cachoeira na indústria farmacêutica, localizado na cidade do bicheiro, Anápolis (GO).
A inclusão do tema foi realizada a partir de um e-mail enviado na véspera do encontro pela assessoria de Demóstenes à Anvisa. No dia 21, às 14h, como registra a ata do encontro, Demóstenes apareceu na Anvisa acompanhado de dois representantes do Vitapan para conversar com Barbano e deixou que eles apresentassem os pleitos de Cachoeira.
A mediação do encontro dos representantes do Vitapan com o chefe da Anvisa é uma das primeiras evidências diretas de que Demóstenes usava a influência do mandato para tratar dos interesses de Cachoeira junto a órgãos do governo. Sem a interferência de Demóstenes, os representantes do Vitapan dificilmente teriam conseguido uma audiência fechada com o comandante da Anvisa para tratar de interesses comerciais do laboratório.
Assuntos dessa natureza (obtenção de registro) costumam ter uma longa tramitação na agência e são tratados em audiências públicas, com conteúdo integralmente gravado em vídeo. O privilégio ao Vitapan só foi possível após a intermediação de Demóstenes. Apesar do empurrãozinho, a Anvisa garante que os pleitos comerciais do laboratório não foram levados a diante.
Por Lauro Jardim

24.3.12

Fosse em outros tempos, já tinha até CPI

Do blog do Fred (Interesse Público)


Demóstenes: Senadores cobram investigação

Senadores de diversos partidos cobraram nesta sexta-feira (23/3) investigações sobre as novas revelações em torno das relações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar exploração ilegal de caça-níqueis em Goiás.
Segundo informa o repórter Evandro Éboli, na edição deste sábado (24/3) de “O Globo“, dois senadores que haviam se pronunciado em defesa de Demóstenes –Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)– entendem agora que as acusações são muito graves.
“Quero saber o que o procurador-geral fez ou vai fazer. No mérito, o caso é grave. Vou tomar providências na segunda-feira e conversar com Randolfe para avaliarmos se somamos outros fatos ao ofício que enviamos ao presidente José Sarney pedindo que ele acione a Procuradoria”, disse Taques.
“O fato é gravíssimo e lamentável. Por isso, a Procuradoria Geral da República não pode mais retardar”, disse Rodrigues.
Na véspera, o jornal carioca revelara que, segundo relatório reservado da Polícia Federal, Demóstenes teria pedido dinheiro e vazado informações oficiais para Carlinhos Cachoeira.
Segundo o jornal, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, contratado por Demóstenes, não quis comentar as informações, tendo pedido à PGR acesso às gravações.
“O Globo” informa ainda que delegados da cúpula da Polícia Federal criticaram o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, por engavetar acusações contra Demóstenes e os deputados federais goianos Carlos Leréia (PSDB) e Sandes Júnior (PP).
Segundo um dos delegados ouvidos pelo jornal, não se sustenta a alegação de Gurgel de que estava esperando o resultado da Operação Monte Carlo para tomar providências. A operação só começou quase dois anos após o primeiro relatório chegar às mãos do procurador com as denúncias contra os parlamentares.
Em nota, a Procuradoria confirmou que recebeu os autos sobre o caso da Justiça Federal de Anápolis. Mas alegou que o processo ficou parado por uma “questão de estratégia”. “Como titular da ação penal, cabe ao Ministério Publico Federal definir os rumos da investigação”, diz a nota.